Crítica | The Silence – Netflix combina elementos de filmes de terror recentes e monta um Frankenstein

Com o talentoso e versátil Stanley Tucci (O Diabo Veste Prada) e a jovem Kiernan Shipka (das séries O Mundo Sombrio de Sabrina e Mad Men), The Silence chama atenção pelo elenco e sua atmosfera lúgubre. Nos primeiros minutos, o roteiro dos irmãos Carey e Shane Van Dyke mostra uma ocorrência desastrosa em um local remoto, sendo este o ponto de partida para o drama da família da jovem Ally (Shipka), que tenta lidar com a surdez adquirida a partir de um acidente de automóvel.

Com essa premissa, The Silence já remete instantaneamente ao bem sucedido Um Lugar Silencioso (2018), de John Krasinski, já que a ameaça é atraída apenas pelo som e a linguagem de sinais é uma aliada. A comparação é irremediável entre ambos os filmes, assim como com Bird Box (2018), por causa de um perigo iminente e desconhecido que extermina pouco a pouco a humanidade.

Como todo filme apocalíptico, o roteiro segue a cartilha de apresentar os personagens, suas forças e fraquezas a fim de utilizá-las em momentos chave. Narrada pela jovem surda, a história acompanha a sua perspectiva dos primeiros dias do ataque. Dirigido por John R. Leonetti, responsável por Annabelle (2014), o filme mantém o clima de suspense e tons fúnebres, mas o roteiro ao longo do percurso se enrola para desenvolver conflitos e resoluções inteligentes.

Ainda com Mirando Otto (da série O Mundo Sombrio de Sabrina ) e John Corbett (Casamento Grego) no elenco, os seus personagens carecem de empatia e motivações. Buscando alcançar o patamar das produções de suspense e terror mencionadas anteriormente, a direção erra a mão ao dar mais visão às criaturas canibais do que à relação familiar e os conflitos pessoais surgidos em situações limite.

Poucos momentos geram realmente tensão, tal como a decisão Hugh (Stanley Tucci) em silenciar o cachorro para salvar os filhos, a esposa e a sogra. Outros dilemas soam confusos como o acidente de carro do corajoso Glenn (John Corbett) e aparição de uma cobra em um cano de passagem. A mensagem do filme, entretanto, é simples – evolução e adaptação das espécies –  e poderia ser mais edificante se os roteiristas não adicionassem ingredientes além da conta e passassem do ponto da receita.

Embora haja a tentativa de acrescentar vida ao enredo, os personagens secundários causam estranhamento e destoam do restante projetado. No meio da história, por exemplo, surge uma seita em busca da protagonista, por conta da idade fértil. Como as motivações não são bem desenvolvida e as cenas de embate são pouco engenhosas, a adição do padre mensageiro (Billy MacLellan) não se encaixa na prerrogativa do rapto de Ally e muito menos na de mutilação de pessoas.

Nos segundos finais, apresenta-se numa narração da protagonista a explicação do filme, já que a projeção de uma hora e meia não é objetiva. Por conta do desencontro de ideias, The Silence já levanta voo de forma pouco original, perde altura logo depois dos 20 primeiros minutos e despenca ao não transportar o espectador para dentro da abstração fílmica.

Notícias

‘Sobrenatural 6: Agora Entre Nós’ ultrapassa US$ 150 milhões nas bilheterias mundiais

Sucesso! A sequência 'Sobrenatural: Agora Entre Nós' conseguiu ultrapassar...

‘Barbie 2’ vai acontecer? Produtora da Mattel Studios responde!

Durante sua passagem pelo Toronto Film Festival, Robbie Brenner,...

David Corenswet vive jogador de futebol americano AZARÃO no trailer de ‘Mr. Irrelevant’

A Paramount Pictures divulgou o trailer oficial de 'Mr. Irrelevant', drama...

10 DICAS DE SÉRIES para transformar a noite de casal em um programão

Ter sempre anotado ótimas dicas de séries para assistir...

‘Tudo em Família’ ganhará SEQUÊNCIA com Claire Danes e Rachel McAdams

A Searchlight Pictures anunciou recentemente que a clássica comédia dramática...
Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.