Crítica | Jessica Jones – terceira e última temporada frustra mais do que surpreende

Em 2015, o canal de streaming Netflix estreava a segunda parceria entre a Marvel e a empresa. Jessica Jones trouxe Krysten Ritter encarnando a protagonista e em um papel bem diferente dos quais já tinha feito. Apresentou ao público a australiana Rachael Taylor, nossa Trish Walker, e deu holofotes novamente ao ex-Power Ranger, Eka Darville, que vive o Malcolm Ducasse. Além disso, uma participação super especial de Carrie-Anne Moss como Jeri Hogarth. E manteve a tradição, durante essas três partes, de ter somente mulheres dirigindo seus episódios

A série leva o nome de Melissa Rosenberg (Dexter) como criadora e é baseado nos quadrinhos desenvolvidos por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos. Aqui o espectador acompanha a trajetória da detetive particular beberrona que adquiriu seus poderes após perder a família em um trágico acidente de carro. Ao longo das duas primeiras temporadas, o telespectador viu Jessica encarar um controlador de mentes chamado Kilgrave (David Tennant) e o retorno de sua mãe biológica – com poderes e sem controle – Alisa Jones (Janet McTeer).

A terceira e última etapa tem início alguns meses após os acontecimentos finais do ano passado. O trio que esteve junto desde o começo está separado – Jessica, Trish e Malcolm – e seguindo rumos diferentes. A protagonista agora tem uma secretária chamada Gillian (Aneesh Sheth) cujos momentos em que aparece solta excelentes frases em tom sarcástico. A personagem de Ritter está lidando com os conflitos sobre ser considerada uma heroína.

Enquanto isso, Trish está aprimorando os recém adquiridos poderes. Inclusive, o episódio focado na mesma, onde o espectador descobre o que aconteceu com ela durante esses meses, é dirigido por Krysten Ritter. Do outro lado, uma nova faceta de Malcolm começa a ser revelada devido a necessidade de trabalhar para Hogarth e fazer coisas que antes condenava. E a advogada dos “diabos” segue pavimentando seu caminho de destruição mesmo doente.

 

É natural que depois de duas temporadas com construção excelente e desenvolvimento de personagens alinhado ao contexto da necessidade de amadurecimento, fosse esperado que a terceira trouxesse ainda mais esses aspectos tão essenciais dentro de Jessica Jones, ainda mais se for considerar que é a última. Entretanto, o roteiro parece ter desandado ao tentar forçar uma barra que não havia necessidade. Com uma tentativa de finalmente elevar a protagonista ao ponto de herói, a produção destrói a relação primordial da trama: a fraternidade entre Jessica e Trish.

É perceptível que Jessica está mais Jessica do que nunca. Finalmente abraçando aquilo que é, aceitando aquilo que é, aceitando o destino que Trish sempre pediu que ela vivesse. É como se ao assumir a culpa pela morte da mãe para que Trish saísse livre e combater os seus demônios internos, ela tivesse dado início a esta aceitação. Contudo, a escolha por trazer a personagem de Taylor com poderes felinos – eis que deveria nascer a Hellcat, inclusive tem uma cena referência ao uniforme da mesma nos quadrinhos –, porém dando as costas para princípios que ela (Trish) sempre fez questão de afirmar é descaracterizar a mesma em um nível extremo. Parece que os roteiristas pegaram tudo que afirmaram durante dois anos de série e jogaram pela janela. É frustrante acompanhar o arco de Patsy.

O caminho e rendição de Malcolm é de longe o melhor arco da temporada, apesar de estar longe de ser perfeito. Já Hogarth só faz com que o público crie mais desprezo ainda por ela e comemore seu final. Erik Gelden (Benjamin Walker), um novo super, é apresentado na história e consegue fazer uma boa dupla com Jessica. Além disso, seu carisma conquista quem assiste logo de cara. O Detetive Costa (John Ventimiglia) também se mostra mais ativo e é possível conhecer um pouco mais, bem rapidinho, sobre sua vida pessoal.

O antagonista deste ano, Gregory Sallinger (Jeremy Bobb), é bem construído e consegue causar asco no espectador. O ranço vive só de olhar para as feições dele. Apesar de sua força bruta ser bem abaixo quando se trata de um embate físico com Jones, o seu destaque está na inteligência e na sua mente calculista. É necessário pensar como ele para conseguir combater seus planos tão minuciosamente elaborados.

Em quesitos técnicos a produção mantém a qualidade das duas primeiras etapas, traz uma excelente direção de Ritter e permanece dando ênfase em ângulos peculiares e agradáveis aos olhos de quem assiste. A trilha sonora segue o padrão da trama e a arte, como sempre, desenvolve um trabalho espetacular.

A terceira e final temporada de Jessica Jones, infelizmente, frustra mais do que surpreende o público apaixonado pela série. É uma pena que tenha terminado assim.

Notícias

Confira o teaser inédito de ‘Estilhaços’, nova série de SUSPENSE de Ryan Murphy

Foi divulgado um teaser inédito de 'Estilhaços' (The Shards),...

Prime Video escala DOIS novos atores ao elenco da adaptação ‘Sex Criminals’

Segundo o Deadline, o Prime Video escalou dois novos atores ao elenco de...

‘Pluribus’: Assista aos HILÁRIOS erros de gravação da 1ª temporada!

'Pluribus', a nova série do aclamado realizador Vince Gilligan ('Breaking...

Charli XCX lança “Camera”, novo single de seu próximo álbum de estúdio

A cantora, compositora e produtora Charli XCX lançou o quarto...