Diferente dos outros filmes da franquia, Furiosa – Uma Saga Mad Max é construído para ser uma ópera mítica em cinco atos, contando desde a infância o percurso da poderosa mulher de um braço presente no premiado Mad Max: Estrada da Fúria (2015). Acostumado às sequências de ação aceleradas, George Miller segura um pouco as explosões para concentrar-se nas artimanhas e vivências da sua heroína, desta vez vivida por Anya Taylor-Joy na adolescência.
Descoberta no Vale Verde, um dos poucos lugares dessa devastada terra desértica ainda em harmonia e, como dito no roteiro, em abundância de recursos, a pequena Furiosa (vivida por Alyla Browne) é capturada por aventureiros sob domínio de Dementus (Chris Hemsworth). Sua saúde e aparência tornam-se objeto de interesse em um reino onde mulheres são escassas e mantidas em cativeiro para procriação, mas poucas conseguem gerar crianças saudáveis.
![Crítica 2 | Furiosa - Uma Saga Mad Max - Com menos cenas de ação, prequel concentra-se na construção de um mito [Cannes 2024]](https://cinepop.com.br/wp-content/uploads/2024/05/furiosa4-1024x576.jpeg)
Embora tenhamos um vislumbre do Vale Verde, o local ainda é um mistério neste filme e pode ser algo ainda a ser explorado pela franquia. O primeiro ato é o rapto da menina e busca da sua mãe para recuperá-la. Ao arriscar sua vida nessa perigosa missão, a progenitora deixa uma promessa em forma de semente a ser regada com dor e lágrimas por toda a vida da filha. Assim como o herói Max do primeiro filme, ela vê-se incapaz de continuar sem completar a sua vingança.
Figura principal da promoção da obra, Anya Taylor-Joy aparece somente depois da primeira hora de projeção. Depois que a sua versão juvenil já passou de bibelô de Dementus e a objeto de desejo de Rictus Erectus (Nathan Jones), filho do maligno Immortan Joe (Lachy Hulme), vivido anteriormente por Hugh Keays-Byrne — falecido em dezembro de 2020. A sensação é de uma reencontro com esses personagens e ambientes, nos quais nos aprofundamos na dinâmica de governança caótica da região de Desolação.
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Quando Chris Hemsworth aparece em tela os vemos transformado em sua fisionomia para uma imposição mais dura de um imperador tirano da Idade Média, o qual nos remete — apenas fisicamente — a Peter O’Toole em Lawrence da Arabia (1962), mas também cômico com seu ursinho à tiracolo. Com tantos homens brigando pelo poder, Furiosa consegue escapar de seus carrascos embaixo dos seus próprios olhos e tornar-se indispensável para continuar viva.
Os momentos mais impactantes dessa aventura são guardados para os dois atos finais. Um deles é o encontro entre os personagens Furiosa e Praetorian Jack (Tom Burke). Ele torna-se um admirador da sua jornada e, portanto, um par na busca do seu ideal de encontrar o caminho de volta para casa, a terra prometida.
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Ainda que as cenas não tenham a grandeza dos acordes musicais com as sequências de batalha de tirar o fôlego do seu antecessor, Furiosa – Uma Saga Mad Max tem o objetivo de nos colocar no coração e na mente de uma personagem já conhecida. Um dos momentos mais esperados, portanto, é como Furiosa perdeu o braço e, em seguida, o transformou em arma.
O primeiro momento é um choque rápido e pouco impactante, porém a perda é encenada em duas sequências. A segunda é emblemática para demonstração da força e da ambição da personagem. Em tempo, Anya Taylor-Joy convence com o desenvolvimento da força jovem e em pulsão para tornar-se a fera vivida por Charlize Theron em 2015.
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Nomeado como “Para além da Vingança”, o quinto ato e último ato fecha um dos ciclos da personagem e dá início a outro: o mito. Dessa forma, Furiosa – Uma Saga Mad Max amarra as pontas perfeitamente entre o seu final e o início do seu percurso de modo que as próximas gerações devem começar por este filme, depois o de 2015 e, posteriormente, assistir a cronologia original dos anos 1980.

