Camille Claudel, 1915

CríticasCCamille Claudel, 1915

MAIS UM TOUR DE FORCE DA FANTÁSTICA JULIETTE BINOCHE 

A obra do diretor Bruno Dumont (“O Pecado de Hadewijch”), “Camille Claudel 1915” é baseado na história real da artista francesa, escultora, que foi amante do icônico Auguste Rodin. A personagem histórica já havia sido levada às telas anteriormente, no que talvez seja o mais conhecido filme sobre a artista, intitulado apenas “Camille Claudel”, de 1988, dirigido por Bruno Nuytten, e protagonizado por Isabelle Adjani como Claudel e Gérard Depardieu como Rodin.

 O épico do diretor Nuytten contava com 175 minutos de projeção, e focava na história de Claudel e Rodin, no seu relacionamento profissional e íntimo. Já no filme de Bruno Dumont, adentramos a história com Camille Claudel presa no sanatório ao qual foi confinada, e nele passou o resto de sua vida, até sua morte na década de 1940. A musa francesa Juliette Binoche dá vida a essa versão de Claudel como uma mulher sofrida, extremamente amargurada e paranoica.

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Trancafiada ao lado de deficientes mentais, muitos dos quais não conseguem nem falar, a artista é posta a uma verdadeira prova de sanidade, afastada do mundo, e podada de seu dom. Como explica seu irmão, Paul Claudel (Jean-Luc Vincent), quando Camille chegou aos trinta anos de idade e percebeu que Rodin não se casaria com ela, a artista teve um surto. Achando que o mundo estava contra ela, tentando roubar seu trabalho, em especial seu agora grande desafeto Rodin, Camille se isola num hotel por anos, se afastando dos amigos e família.

Depois de se tornar esquizofrênica, e com ideias de suicídio, a triste história de Camille Claudel, que tinha uma vida promissora e uma brilhante carreira pela frente, com trabalhos comparáveis aos de seu mestre Rodin, termina seus dias no sanatório, amparada por freiras e doentes. O que pode ser visto como um teste de força e bondade, como um grande desafio imposto pelo destino a caminho de sua sanidade, coisa que nunca chega. Como no filme mostrado por Dumont, mesmo no local para curar-se, Claudel acreditava que seria envenenada, e cozinhava suas próprias refeições.

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Camille Claudel 1915” se assemelha a “Os Contos Proibidos do Marquês de Sade”, sem o mesmo glamour da grande produção de Philip Kaufman, e com um local mais ameno, onde a protagonista dessa vez tem toda a liberdade de ir e vir, e circular pelos arredores de seu cárcere. “Camille Claudel 1915”, como planejado, é um filme estarrecedor, sufocante e triste, onde a primeira percepção é a de uma vida estragada por sua própria mente.

Algo parecido com o que aconteceu com a escritora Sylvia Plath, como visto no filme “Sylvia”, com Gwyneth Platrow. A performance de Binoche é forte e irretocável, esse é um papel exigente, e uma atriz do status da francesa, com 49 anos completos, poderia estar confortável em aceitar papéis mais tranquilos, longe de grandes desafios que a exijam dessa forma, emocionalmente e fisicamente (já que Binoche tem mais uma cena de nudez frontal em sua carreira aqui).

Mas isso é o que determina uma grande atriz, que não se acomoda com a idade, e deixa de evoluir. A obra do diretor Dumont é inquietante, mesmo em sua maioria parecendo estática. O que ele consegue satisfatoriamente ao lado de sua estrela é nos transparecer o que foi o inferno para a personagem, e o que é o inferno para qualquer um sem o domínio de sua mente.

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