Crítica | ‘Sukua’ – O medo e a desesperança de territórios invadidos pelo uso da força [Bonito CineSur 2026]

A violência no continente sul-americano é o assunto principal de um curta-metragem que mistura o sensorial, que impulsiona as mensagens, com as dúvidas de uma criança e os fortes desabafos de um pai em plena aflição diante de um passado recente, em uma ficção interpretada por atores que sofreram a mesma violência. Sukua, trabalho de Omar E. Ospina coloca em destaque o medo e a desesperança de territórios invadidos pelo uso da força, uma realidade que transforma vidas e muda trajetórias.

Uma jovem criança indígena kogui, de um povoado localizado bem ao norte da Colômbia, ganha uma arma de brinquedo, fato que leva seu pai a relembrar uma história dilacerante de como a violência marcou seu povoado e provocou muitas mudanças na região. Assim, tentando entender a importância das mensagens que chegam após o que seu pai disse, a criança fica em dúvidas sobre o que fazer, nos levando até um desfecho emblemático.

Nesse recorte antropológico, que busca também as razões da quebra do equilíbrio entre os seres humanos e as forças da natureza perante a ancestralidade e os ensinamentos desse povo indígena na região de Sierra Nevada de Santa Marta, por vezes apresenta-se como contemplativa, e, dessa forma, expõe a indefesa perante a violência por meio do impacto das lembranças.

Impressionante como o assunto da violência e as formas de enxergamos essa questões dentro dos contextos sociais plurais das sociedades sul-americanas, transformam algumas obras em verdadeiras pontes complementares. Um exemplo, e mesmo com diferenças, lembra muito um curta-metragem de Felipe Bibian chamado Presépio, onde uma família se reúne para o amigo oculto natalino, e os conflitos logo afloram quando um pai presenteia o filho com uma arma de brinquedo.

Sem ser rigoroso em relação a críticas mais contundentes sobre o que ocorre naquela região, nem mencionando a falta de força do estado em ajudá-los e protegê-los, a narrativa adota um tom sensorial ao valorizar o ambiente e o silêncio, algo que também possui sua potência.

 

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.