A violência no continente sul-americano é o assunto principal de um curta-metragem que mistura o sensorial, que impulsiona as mensagens, com as dúvidas de uma criança e os fortes desabafos de um pai em plena aflição diante de um passado recente, em uma ficção interpretada por atores que sofreram a mesma violência. Sukua, trabalho de Omar E. Ospina coloca em destaque o medo e a desesperança de territórios invadidos pelo uso da força, uma realidade que transforma vidas e muda trajetórias.
Uma jovem criança indígena kogui, de um povoado localizado bem ao norte da Colômbia, ganha uma arma de brinquedo, fato que leva seu pai a relembrar uma história dilacerante de como a violência marcou seu povoado e provocou muitas mudanças na região. Assim, tentando entender a importância das mensagens que chegam após o que seu pai disse, a criança fica em dúvidas sobre o que fazer, nos levando até um desfecho emblemático.
Nesse recorte antropológico, que busca também as razões da quebra do equilíbrio entre os seres humanos e as forças da natureza perante a ancestralidade e os ensinamentos desse povo indígena na região de Sierra Nevada de Santa Marta, por vezes apresenta-se como contemplativa, e, dessa forma, expõe a indefesa perante a violência por meio do impacto das lembranças.
Impressionante como o assunto da violência e as formas de enxergamos essa questões dentro dos contextos sociais plurais das sociedades sul-americanas, transformam algumas obras em verdadeiras pontes complementares. Um exemplo, e mesmo com diferenças, lembra muito um curta-metragem de Felipe Bibian chamado Presépio, onde uma família se reúne para o amigo oculto natalino, e os conflitos logo afloram quando um pai presenteia o filho com uma arma de brinquedo.
Sem ser rigoroso em relação a críticas mais contundentes sobre o que ocorre naquela região, nem mencionando a falta de força do estado em ajudá-los e protegê-los, a narrativa adota um tom sensorial ao valorizar o ambiente e o silêncio, algo que também possui sua potência.


