Crítica | Paddington: Uma Aventura na Floresta – Ursinho Volta ao Peru em Busca de Ancestralidade

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Desde que o fofíssimo ursinho Paddington surgiu nos cinemas, o público caiu de amores por ele. Super educado, fofo, gentil e solicito, o pequeno bichinho rapidamente foi adotado pela família Brown, e acolhido no coração de uma comunidade cheia de carinho em Londres. Apesar de tudo isso, claramente Paddington não era oriundo da Inglaterra, e desde o primeiro filme foi dito que ele se perdera de sua família e precisava de um lar. De lá para cá mais de dez anos se passaram, e apesar de ser um legítimo londrino (no seu falar, nas suas roupas, no seu comportamento), originalmente Paddington é peruano – um detalhe que muitas pessoas esqueceram, e que agora chega como o centro da nova aventura do ursinho, em ‘Paddington: Uma Aventura na Floresta’, que chega hoje nos cinemas brasileiros.

Paddington (novamente na voz de Bruno Gagliasso) acaba de tirar seu passaporte e, portanto, considera-se um cidadão britânico. Nesse mesmo dia recebe uma enigmática carta do Lar dos Ursos Aposentados enviada pela Madre Superiora (Olivia Colman), dizendo que sua tia Lucy não anda bem. Preocupado, Paddington e a família Brown decide viajar ao Peru, mas, ao chegarem no Machu Picchu, descobrem que tia Lucy desaparecera. Certo de que saberá onde encontrar a tia Lucy, Paddington convence os Brown a ir com ele numa aventura pela floresta Amazônica, a bordo do barco comandado por Hunter (Antonio Banderas).

Do tamanho certo para a criançada (apenas noventa minutos de duração, com direito a dois pós-créditos bem especiais), ‘Paddington: Uma Aventura na Floresta’ é um filme adorável, respeitoso e com um ensinamento muito profundo. Talvez tivesse sido feito dez anos atrás o resultado não fosse o mesmo, mas tendo sido realizado nos dias de hoje, em que a população está muito mais atenta a questões de representação e representatividade no audiovisual, o roteiro (de Mark Burton, Jon Foster e James Lamont) trata de maneira bastante educação a cultura ancestral peruana – os povos indígenas (representados figurativamente pelos ursos) e, mas especificamente, a cultura inca (em todos os artesanatos, os quipus, as figuras, grafismos e outros detalhes recorrentes no filme). A pesquisa do roteiro inclusive conseguiu linkar a doce marmelada adorada pelo protagonista às laranjas dulcíssimas encontradas no coração da Amazônia peruana. Realmente, isso é muito legal e muito bem colocado no enredo.

O diretor Dougal Wilson teve muita sensibilidade em retratar a cultura peruana pelos olhos de uma equipe britânica, mas, sem com isso, perder ritmo de evolução do enredo ou tornar a história pesada. Ao contrário, o filme é divertido para a garotada, que torce efusivamente com todas as trapalhadas do protagonista fofo e se entrega à aventura junto com ele. O diretor ainda encontrou formas de fazer referência a clássicos como ‘A Noviça Rebelde’ e ‘Indiana Jones’ – pontos que todo cinéfilo irá facilmente identificar.

Paddington: Uma Aventura na Floresta’ traz uma linda e comovente mensagem sobre identidade e pertencimento. Num mundo cada vez mais globalizado, o filme ajuda as crianças a entender a outridade e respeitá-la, ao mesmo tempo em que dialoga com aquelas que de alguma forma migraram de suas terras, dizendo-lhes que a ancestralidade, sabermos nossas origens, é fundamental para entendermos quem somos, e que o chamado ancestral sempre estará dentro de nós, onde quer que estejamos.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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