Sempre que algum filme chega ao Top 10 de alguma plataforma de streaming, acaba despertando o interesse tanto do público quanto de nós, meros observadores que produzimos conteúdo sobre as obras cinematográficas dia após dia. Entretanto, nem sempre a experiência é satisfatória.
Trazendo os impulsos desenfreados de uma traição no centro de um jogo de interesses completamente desinteressante, Desejo, longa-metragem mexicano que logo alcançou o Top 1 da líder dos streamings, é bem mais confuso, esvaziado de emoção e arrastado do que aparenta.

Dirigido por Teresa Simone, com roteiro assinado por Giulia Cardamon e Vanessa Miklos, o projeto insiste em jogar tudo em um liquidificador de acontecimentos dispersos e sem força, contendo elementos desalinhados e sem chegar de forma coesa à construção da tensão, do drama ao suspense.

Lucero (Ludwika Paleta) é uma advogada, mãe de dois filhos, que vive um casamento morno com o marido, Fernando (José María Yazpik). A família, da alta classe social, tem um clube de natação. Nesse lugar, chega para a vaga de professor o ex-atleta espanhol Matias (Óscar Casas), por quem Lucero logo se sente atraída. Com a infidelidade se concretizando, a situação sai do controle rapidamente.

Tendo como protagonista a atriz Ludwika Paleta, um rosto bastante conhecido de nós brasileiros por sua participação, décadas atrás, no seriado infantil Carrossel, um programa de grande sucesso exibido por uma das maiores emissoras do Brasil durante um longo tempo, o filme tem uma sinopse que chama a atenção em um primeiro momento, convidando o público para conhecer uma atração que desafia os conceitos morais.

A questão é que, ao focar no ‘caliente’ das ações de forma desesperada e atropelada, as peças se embaralham sem muito sentido, deixando o desenvolvimento narrativo prejudicado, com subtramas espaçadas. Essa pressa para ir ao encontro à expectativa do público e levar uma imersão ao romance proibido desconstrói qualquer tentativa de rompimento de camadas, deixando personagens completamente escanteados.

Atravessando sem fôlego um conceito espremido de impasse moral, ficamos reféns dos desencontros de uma trama que não sabe como se sustentar, nos levando para uma certa previsibilidade de acontecimentos. As tentativas de surpresas escapam de uma narrativa que parte de um desânimo de uma relação para ações inconsequentes que surgem, alcançando apenas a superfície.
Desejo é mais um Top1 da Netflix decepcionante. Um daqueles filmes com chances de menções nas listinhas de piores filmes do ano.

