Selecionado para a Mostra CineMundi do CineBH 2025, o delicado e marcante longa-metragem A Natureza das Coisas Invisíveis aposta no olhar ingênuo das primeiras fases da vida para construir uma trama que se sustenta na sutileza, encontrando reflexões maduras sobre a vida e a morte, equilibrando o conforto da imaginação com o impacto da realidade. O filme é escrito e dirigido por Rafaela Camelo, em seu primeiro longa-metragem.
Com a câmera sempre no lugar certo, somada a atuações maravilhosas e diálogos envolventes, cada peça do que assistimos se juntam para complementos, ampliando o discurso. Temas como a maternidade, os desafios na relação entre mães e filhas, a transição de gênero, o luto, são assuntos que aparecem ao longo dos cerca de 80 minutos de projeção.
![Crítica | 'A Natureza das Coisas Invisíveis' – As sutilezas no primeiro olhar maduro para a existência [CineBH 2025]](https://cinepop.com.br/wp-content/uploads/2025/09/ANCI-1-e1759079929828.jpg)
Gloria é uma jovem super inteligente e comunicativa que acabou de entrar de férias. Sem ter com quem deixá-la, sua mãe, uma profissional da saúde, a leva diariamente ao hospital onde trabalha. Um dia, dá entrada na emergência Sofia, uma menina trans, bisneta de uma senhora que adoeceu. Com idades próximas, Gloria e Sofia logo se tornam amigas. As mães resolvem levá-las até um sítio, e lá começam a ultrapassar páginas do passado e abrir os horizontes para o futuro.
![Crítica | 'A Natureza das Coisas Invisíveis' – As sutilezas no primeiro olhar maduro para a existência [CineBH 2025] Crédito Foto: Flavio Oliveira](https://cinepop.com.br/wp-content/uploads/2025/09/ANCI-_-still-02-credit-to-Flavio-Oliveira.jpg)
A história é contada de forma delicada, em uma narrativa de estrutura simples, na qual pontes são construídas através das imagens e mensagens, acompanhadas por uma trilha sonora cirúrgica. Assim, chegamos em preenchimentos de lacunas que se criam num primeiro momento. O encontro entre dois mundos, cujas questões convergem, e o olhar da criança para o universo cheio de questões da sociedade, abre espaço para temas polêmicos que podem servir para ótimos debates. De mansinho somos conquistados por essa história.
![Crítica | 'A Natureza das Coisas Invisíveis' – As sutilezas no primeiro olhar maduro para a existência [CineBH 2025]](https://cinepop.com.br/wp-content/uploads/2025/09/ANCI-_-still-013-1-e1759079994461.jpg)
Os muitos sentidos da morte se tornam uma questão central que navega por toda a trama. Contornando esse tema muitas vezes complexo de captar olhares, a narrativa se lança em um corajoso jogo de complementos, no qual cada detalhe ganha importância em cena. Um exemplo disso é a presença de um porquinho que aparece durante partes da história, cujo simbolismo revela significados para os olhares mais atentos.
![Crítica | 'A Natureza das Coisas Invisíveis' – As sutilezas no primeiro olhar maduro para a existência [CineBH 2025]](https://cinepop.com.br/wp-content/uploads/2025/09/ANCI_Camila-Mardila-e-Larissa-Mauro--e1759080020638.jpg)
Exibido no Festival de Berlim deste ano e com uma sessão emocionante no CineBH, A Natureza das Coisas Invisíveis encontra nas sutilezas do primeiro olhar maduro para a existência seu porto seguro, apresentando uma história repleta de ternura, incertezas, e, acima de tudo, afeto.

