Crítica | Beyoncé nos leva a uma viagem no tempo com “MORNING DEW (DONK)”

Beyoncé é considerada uma das maiores artistas musicais de todos os tempos por uma série de motivos, desde sua incrível versatilidade até seus potentes vocais e sua imponente presença performática. Desde sua estreia no cenário fonográfico como parte do grupo Destiny’s Child até seu glorioso debute em 2003 com o lendário ‘Dangerously in Love’, nossa Queen B transformou-se em uma zeitgeist cultural e nunca deixou de nos encantar com um fabuloso preciosismo artístico que se traduziu em algumas das principais obras-primas da atualidade, incluindo seu revolucionário álbum homônimo, o irretocável ‘Lemonade’ e os dois primeiros capítulos de sua trilogia ainda em construção que incluiu o efervescente Renaissance e o vencedor do Álbum do Ano do Grammy 2025 Cowboy Carter.

E, enquanto esperamos a conclusão dessa série de álbuns que resgata a cultura afro-americana, Beyoncé se prepara para celebrar o vigésimo aniversário de ‘B’Day’, seu segundo compilado de originais solo que foi lançado em 2006. Para dar início a essas celebrações, a multipremiada artista nos presenteou com “MORNING DEW (DONK)”, uma canção que estava engavetada há mais de uma década e cuja demo havia sido gravada em 2013 como parte do disco ‘BEYONCÉ’. Depois de ter vazado há três anos e ganhando postagens virais significativas no TikTok, Queen B resolveu disponibilizar a versão completa nas plataformas de streaming.

A faixa se estende por pouco mais de quatro minutos e nos convida a uma viagem de volta no tempo ao apoiar-se nas conhecidas notas do R&B que Beyoncé já explorou a fundo ao longo de sua vibrante discografia. Porém, diferente de suas incursões predecessoras, esta aqui soa mais amadurecida, dialogando com a estética indesculpavelmente sensual que ela empregou no álbum self-titled à medida que constrói metáforas incisivas e deliciosas – desde a que é emprestada ao título da faixa (“orvalho da manhã”) até um enlace romântico e carnal que se funde nas sutis notas do piano e da bateria.

Falar dos vocais de Beyoncé parece uma tarefa redundante – afinal, ela não é celebrada como uma das maiores vocalistas de todos os tempos por qualquer razão. Todavia, é incrível como nessa versão finalizada, ela reúne suas incursões passadas e presentes que, de certa forma, parecem nos preparar para investidas de um futuro não muito distante, com melismas apaixonantes e um controle invejável que reitera seu merecido status. Mais do que isso, é notável como a artista traz referências aos primórdios de Alicia Keys no cenário musical à medida que parece ter previsto a estética que nomes como Jessie Ware, Halle Bailey e Chloe Bailey explorariam anos depois.

Ficando responsável pela produção da faixa ao lado do condecorado Pharrell Williams – além de reunir talentos como The-Dream e Darius Dixson para auxiliá-la nos sinestésicos e inescapáveis versos -, Beyoncé dá um magnífico presente a seus fãs com “MORNING DEW (DONK)”, nos deixando mais instigados quanto ao que ela está preparando para as próximas semanas.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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