Primeiras Impressões | ‘Sessão de Terapia’ – Nova Temporada com Selton Mello Analisa Temas Contemporâneos Urbanos

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CríticasPrimeiras Impressões | ‘Sessão de Terapia’ – Nova Temporada com Selton Mello Analisa Temas Contemporâneos Urbanos

Nunca antes falamos tão abertamente sobre a importância da saúde mental. Na última década, em especial, depois dos anos de confinamento e pandemia, a sociedade, de uma forma geral, passou a olhar com olhos mais atentos sobre a forma como a saúde é impactada a partir das questões psíquicas e emocionais que atravessam nossas vidas e que, por consequência, acabam regendo a maneira como lidamos com os eventos do dia a dia. Só que existe uma série que, desde 2012, vem conversando com o público sobre esses mesmos pontos. Trata-se da sérieSessão de Terapia’, que volta essa semana em sua sexta temporada na Globoplay.

Depois de um período, Caio Barone (Selton Mello, de ‘Ainda Estou Aqui’) está pronto para receber seus novos pacientes dessa temporada, e começamos com a visita da misteriosa Érica (Olivia Torres, de ‘Ainda Estou Aqui’), uma jovem mulher com quem Caio quase se envolveu durante um congresso e que agora chega a seu consultório meio que o seduzindo, meio que pedindo por sua supervisão clínica, deixando Caio enfeitiçado e sem saída. Na terça, Caio precisa ajudar Morena (Alice Carvalho, de ‘Cangaço Novo’), filha de um famoso artista que no passado fizera muito sucesso, mas que agora começa a enfrentar os sintomas do Alzheimer e Morena não consegue decidir sobre para qual casa de acolhimento irá encaminhá-lo. Na quarta, o paciente é Ulisses (Paulo Gorgulho, de ‘Emergência Radioativa’), um homem com mais de 60 anos mas que se recusa a admitir a passagem do tempo e age como jovem. Na quinta, conhecemos Ingrid (Bella Camero, de ‘Urubus’), uma jovem extremamente competitiva, que trabalha com bolsa de valores e investimentos e cuja empresa empregadora exigiu sessões de terapia, às quais ela despreza. Por fim, às sextas, como de comum, é dia de Caio fazer sua supervisão, agora com uma nova colega, Rosa (Grace Passô, de ‘Praça Paris’) que não busca ser carinhosa, e, ao contrário, vai direto ao cerne das questões de Caio, que se incomoda.

Quatro pacientes-chave e um dia de supervisão. Esse é o molde que há seis temporadas vem fazendo sucesso em ‘Sessão de Terapia’ e que volta a ser o formato na nova parte, afinal, conhecer a fundo os pacientes é legal, mas é na supervisão que entendemos como esses pacientes impactam o psicológico do protagonista Caio e temos a oportunidade de, aos poucos, ir conhecendo melhor esse personagem que, como todo psicólogo/terapeuta, se apresenta como uma pedra sólida cujas particularidades não são abertas para qualquer um.

 

O roteiro original de Jacqueline Vargas claramente se atenta às questões do contemporâneo urbano ao trazer pacientes com inquietações complexas, mas bastante claras para o especialista identificar e tratar. Soma-se a isso a direção competente e centrada de Selton Mello, que uma vez mais demonstra saber o que quer seja no enquadramento dos personagens, seja no jogo entre amplitude-inquietude que a sala do Caio proporciona, num contraste constante embrulhado em cores pastéis. Com poucos elementos ao redor para nos distrair, o espectador é convidado a, assim, se concentrar nas atuações e dos dramas apresentados.

Se ‘Sessão de Terapia’ já fazia sucesso quatorze anos atrás, por trazer uma pauta diferente do que era ofertado ao espectador da época, imagina hoje, quando há um interesse muito maior em entender e estimular a psicanálise, os cuidados com a saúde mental, os limites de cada um e a importância de se dar atenção aos sentimentos. Através de uma seleção de elenco diversa e assuntos urgentes, fica claro que a produção está antenada às discussões atuais, e, nesses primeiros episódios, podemos esperar fortes emoções nas histórias de Morena e Uli, ainda mais embalados com a trilha sonora original assinada por Plínio Profeta.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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