Uma das grandes sensações quando pensamos em festivais de cinema, o Bonito CineSur chega, em 2026, para sua 4ª edição, com uma programação que realmente chama a atenção por seu promissor recorte sul-americano. Dividido em cinco mostras, reunindo curtas e longas-metragens, entre os dias 24 de julho a 01 de Agosto, os olhares do público cinéfilo se voltam para o Mato Grosso do Sul, na cidade de Bonito, considerada a capital do ecoturismo no Brasil.
Abaixo, alguns filmes que já começaram a chamar nossa atenção e fazem parte desta aguardada programação:
A obra aborda a complexidade em torno da construção da imagem de Benigna Cardoso, jovem sertaneja que, aos 13 anos, foi vítima de feminicídio no interior do Ceará, em 1941. Diante da falta de qualquer registro fotográfico original da menina, o filme propõe atravessamentos nas fronteiras entre o visível e o imaginado, entre o real e o especulado, numa jornada de reconstrução através de relatos orais e documentos históricos.
Escena Final
Seis desconhecidos se reúnem para participar de uma aula de teatro para iniciantes, mas o comportamento peculiar de um deles logo transforma a experiência em uma intensa jornada emocional.
Vípuxovuko – Aldeia
Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda, com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra.
¿QUIÉN MATÓ A NARCISO?
Paraguai, 1958. Sob um regime militar sufocante, o carismático e misterioso Narciso volta de Buenos Aires com o rock and roll nas veias. Torna-se uma referência no rádio e um símbolo de liberdade. Cativante e inquietante, é desejado por homens e mulheres. Após fazer o seu último programa, é encontrado sem vida. Num país onde reina o silêncio e onde o medo oprime a verdade – quem matou Narciso?

Em um povoado andino, Naira, uma menina de 9 anos, tenta salvar sua mãe dos abusos e da miséria construindo um par de asas para se transformar em condor e fugir em busca de uma vida melhor.

A história da relação entre o comandante da PM Domingos Macedo com seus filhos, por três décadas. Flávia e seu irmão Valdo tentam sobreviver a um pai forjado na truculência policial. Flavia aprende desde cedo que defender-se é um ato de rebelião e transforma temor em força, até conseguir, do seu jeito e com suas próprias regras, desafiar o poder miliciano do pai no morro do Andaraí.
Entre o batidão do funk e o chamado ancestral do Pantanal, o filme acompanha Serena, jovem indígena Guató que sonha em ser cantora, e sua mãe Fagunda, mulher marcada pelo exílio de seu povo. Vivendo na periferia, atravessam o adoecimento e a falta de recursos, até que a presença espiritual de uma onça-pintada faz emergir a força da ancestralidade feminina como resistência e pertencimento.
Mulheres de um pequeno povoado mantêm uma relação profunda com a terra e a comunidade. Seus saberes, assim como os de suas vizinhas, sustentam a vida cotidiana. Em seus relatos, surge a ameaça de um projeto de mineração que pretende se instalar no território. Entre o cultivo da terra e os preparativos para uma festa, Ñangalí deposita sua confiança no valor do trabalho coletivo, na organização comunitária e na água mágica de suas lagoas.
Um músico em decadência retorna a Campo Grande após uma overdose e, incentivado por um pastor, se une a uma banda de jovens em uma viagem até Corumbá. Atravessando o coração do Pantanal, o grupo encontra na música um elo de esperança em meio às contradições e à riqueza humana e cultural do Brasil profundo.
Ao Sul do Sol

Sob a luz que conecta as ilhas de Okinawa às terras indígenas de Mato Grosso do Sul, o documentário percorre um território de memórias onde Oriente e Pantanal se refletem na busca por uma pátria espiritual. Entre investigações, registros artísticos, haicais, cantos ancestrais e pontes culturais, a obra entrelaça diferentes trajetórias em torno da identidade e da memória.
Natasha
Após o assassinato de Natasha, suas amigas Nicole, Inês e Leona transformam o luto em movimento e viajam para realizar o sonho da amiga: participar do concurso de drag queens Raio de Sol do Pantanal. Com poucos recursos e uma Kombi emprestada, a homenagem se transforma em uma travessia marcada por preconceito, invisibilidade e desafios constantes. Um percurso de reconstrução sobre amizade, pertencimento e coragem.
Lourdes e Leide
A obra acompanha o cotidiano e a dor de Dona Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves – a menina que se tornou a primeira vítima fatal do acidente com o Césio-137 em Goiânia, em 1987. Em vez de focar em reconstituições da tragédia, a produção acompanha o dia a dia e a rotina de Dona Lourdes, explorando sentimentos como a saudade e a superação.
À Margem do Fim

As enchentes históricas de maio de 2024 no Rio Grande do Sul deixaram um rastro de lama, trauma e incerteza. No filme, moradores das periferias urbanas e comunidades tradicionais relatam a perda de suas casas e memórias, enquanto lideranças sociais e indígenas questionam a ideia de “desastre natural”. Entre o luto e a luta por moradia digna, o documentário denuncia o avanço do agronegócio, a especulação imobiliária e a negligência do Estado, afirmando a urgência da justiça climática.
Lila, uma jovem coreano-argentina, tenta lidar com as contradições de sua identidade enquanto busca encontrar seu lugar no mundo. Seu pai, Antonio, chegou à América Latina 18 anos antes e decidiu apostar tudo na promessa do sonho de um jovem imigrante.
No remoto povoado de Los Nevados, Isidro Zambrano, um brilhante especialista em tecnologia, dedica a vida à construção de uma máquina capaz de viajar no tempo para tentar mudar o passado marcado pela perda de seus pais e de sua esposa. Quando finalmente consegue ativá-la, um misterioso ancião invade sua casa para matá-lo. Em meio à fuga pelo tempo, Isidro começa a descobrir que sua missão está cercada de equívocos e consequências inesperadas.
Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe
Nas margens do Tapajós, no Pará, a floresta das mulheres peixe espelha a mitologia Munduruku, onde humanos, na origem do mundo, se transformaram em floresta, plantas e animais. No dia a dia da aldeia Sawre Muybu, os espíritos da floresta não são apenas forças espirituais ancestrais, mas parte da família.
A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca
Jerônimo é um jovem da periferia que tenta emplacar o sonho de se tornar MC de funk cantando suas rimas para ajudar nas vendas com o carro do ovo de seu pai, que desacredita do sonho de seu filho.
Após a morte do pai, Bruno, de 23 anos, e Valentino, de 12, irmãos afastados pela dor, tentam reconstruir o vínculo entre eles. Juntos, passam a montar um pássaro feito de peças mecânicas, projeto iniciado ao lado do pai antes de sua morte. Ao longo desse processo, encontram uma forma de se reconectar e curar a relação que haviam perdido.
O filme acompanha Emilia (23 anos), uma jovem cheia de incertezas no fim de sua tese universitária, que decide assumir o controle do seu futuro prometendo a si mesma que finalmente tirará a carteira de motorista.




