O ator Kieron Moore, estrela do impactante longa LGBT ‘Blue Film’, comentou recentemente sobre a sua experiência no longa-metragem. Para ele, o público conseguirá aproveitar muito mais a experiência caso assista à produção sabendo o mínimo possível sobre o enredo.
“Eu acho realmente melhor entrar ‘às cegas’”, disse o ator conforme à Variety. “Isso está ficando cada vez mais difícil, mas acho que encontramos um público inteligente, que conseguiu manter o máximo de informações longe. Mesmo quando vi pela primeira vez, pensei: ‘Uau!’. Eu tinha esquecido como isso ia ser sentido”.
Moore relembrou que recebeu o roteiro de ‘Blue Film’ por meio de seu agente. Embora o tema central seja extremamente sensível e envolva o passado de um crime de pedofilia, algo que muitos agentes poderiam desencorajar, o ator sentiu imediatamente que o projeto era perfeito para ele.
“Eu não fazia ideia do que era, mas o roteiro foi um verdadeiro vira-páginas para mim. Eu fiquei tipo: ‘Uau, uau, uau’. Depois li três vezes seguidas. Pensei: ‘Isso não pode ser real’. E imediatamente me apaixonei pela ideia de interpretar ele”, acrescentou.
Logo em seguida, foi organizada uma reunião via Zoom entre Moore, o coprotagonista Reed Birney e o roteirista e diretor do filme, Elliot Tuttle.
“Foi uma leitura muito boa e nós dois acabamos chorando em uma das cenas. Reed me mandou uma mensagem linda, e duas semanas depois eu estava em Los Angeles filmando o longa”, relembra o ator.
Com pouco tempo de preparação antes do início das filmagens, Kieron Moore buscou conversar com criadores de conteúdo adulto para sanar suas dúvidas e compreender melhor o universo do personagem.
“Isso meio que quebrou minhas barreiras de vergonha e tabus. Nossas experiências são completamente humanas e normais. Acho que aprendi que nenhum fetiche é tão incomum assim. Muitos dos termos do filme eu já conhecia. Tive muita sorte de circular em espaços queer e com amigos muito abertos sobre sexualidade, então isso nunca foi um choque para mim”, destacou.
O ator ainda refletiu sobre a mensagem mais profunda que o longa transmite a respeito da repressão de desejos na sociedade:
“Um amigo meu disse depois de ver o filme: ‘Como o mundo seria melhor se fôssemos um pouco mais honestos sobre essas partes de nós mesmos, desejos, vergonha, tudo isso, porque nos sentiríamos menos estranhos e isolados’. Acho que essa foi minha maior conclusão“, explicou.
Apesar de entregar uma performance altamente convincente, especialmente na pele de um cam boy logo na sequência de abertura, Moore brincou que a exposição física não faz parte de sua natureza no dia a dia.
“Eu adoro estar vestido. Sou meio velho nisso. Mas havia algo libertador nisso… e depois que compreendi, pensei: ‘Se eu levar 5% dessa confiança comigo, isso já é muito poderoso’. Me senti muito conectado ao meu corpo, o que foi lindo. Espero levar isso para todos os papéis”, concluiu.

Em ‘Blue Film’, Kieron Moore dá vida a Aaron Eagle, um jovem cam boy gay que aceita um encontro presencial com um cliente. Ao chegar ao local, ele descobre que o homem que o contratou é Hank Grant (interpretado por Reed Birney), um antigo professor de sua infância que acabou preso anos atrás por má conduta sexual com um aluno menor de idade.
O que se desenrola a partir desse reencontro é um tenso drama de apenas dois personagens, que oferece ao público um olhar desconfortável e, por vezes, profundamente perturbador sobre fetiches sexuais, traumas e grandes tabus sociais.
‘Blue Film’ já está disponível para streaming na Apple TV.



