Crítica | ‘Inapropriados Para o Trabalho’ é uma DIVERTIDA comédia corporativa sobre a Gen-Z

Mindy Kaling é um dos nomes mais prolíficos do cenário do entretenimento: conhecida por seu trabalho em produções como ‘The Office’ e ‘Projeto Mindy’, a atriz, produtora e roteirista sempre imbuiu cada um de seus projetos com experiências próprias e que, de certa maneira, dialogam com qualquer um que os assista – seja com a recente comédia adolescente ‘Eu Nunca…’, seja com a ótima dramédia ‘Late Night’ (em que inclusive protagonizou ao lado da vencedora do Oscar Emma Thompson). E, em 2026, Kaling se aliou ao seu colaborador de longa data Charlie Grandy para o que apenas podemos encarar como uma das melhores séries de comédia do ano até agora: Inapropriados para o Trabalho.

Tendo estreado recentemente no catálogo do Disney+, o projeto oferece uma perspectiva interessante sobre a Geração Z ao transferir os dilemas, os sonhos e a forma como enxergam a vida a um espectro muito envolvente e que se beneficia de um elenco de peso que nutre de uma química esplendorosa e que fisga os espectadores desde os primeiros minutos. Contando com nove breves episódios que trazem o melhor das sitcoms às telinhas, remodelando os conhecidos tropos do gênero para uma contemporaneidade frenética e em constante mudança, Kaling e Grandy unem forças para mais um ótimo trabalho – e que merece ser apreciado em sua completude.

Two women in a living room: one with long dark hair in a colorful patchwork shirt speaks, the other in a brown blazer listens nearby.

A trama bebe de outras produções clássicas do gênero, como ‘Friends’, ‘How I Met Your Mother’ e ‘The Big Bang Theory’, apostando em um conjunto de amigos improváveis que passa por problemas similares em situações exageradas e que apostam em uma análise do mundo como uma caixinha de surpresas, decepções e realizações. Logo no episódio de estreia, somos apresentados a dois núcleos distintos: o primeiro é formado por AJ Pascarelli (Ella Hunt), uma jovem recém-contratada para trabalhar como analista em uma grande empresa e que se muda para Boston para morar com a melhor amiga, Abby (Avantika), que trabalha como assistente de uma estilista de celebridades.

O segundo deles é formado por um trio de melhores amigos: Davis (Will Angus), analista na mesma empresa em que AJ passa a trabalhar e que nutre de um crescente sentimento pela nova amiga; Josh (Jack Martin), um “justiceiro social” que afirma ser sensível o suficiente para entender as problemáticas de seu privilégio, mas que vive à sombra do influente pai (que lhe consegue uma vaga numa prestigiada emissora apenas pelo peso do nome da família); e Kel (Nicholas Duvernay), um estudante de medicina que, na verdade, só busca o diploma a pedido dos pais e esconde seu verdadeiro sonho de se tornar um célebre ator.

Cada um dos personagens não apenas enfrenta seus próprios problemas, como a necessidade constante de validação de AJ ou a completa falta de noção de Josh, mas entra em atrito em meio a personalidades tão diferentes entre si e que se entrelaçam à medida que tentam navegar pela vida adulta. E, à medida que infunde seus personagens com as angústias da Gen-Z com um mundo que constantemente nos coloca uns contra os outros, Kaling, Grandy e o competente time de diretores e roteiristas encontra particularidades em temas universais e faz questão de firmá-los em meios a erros e acertos.

Um dos aspectos de maior sucesso da série é o humor: a dupla por trás do projeto sempre soube como usar a comédia como plataforma de análise crítica das intrincadas complexidades que regem o mundo e as relações humanas como a conhecemos. Aqui, isso não seria diferente: ao se apoiar tanto na efemeridade dos laços interpessoais quanto nos embates intergeracionais, os diálogos são pautados em chistes secos e sardônicos que nos arranca risadas do começo ao fim sem deixar de lado explorações contundentes e necessárias para os dias de hoje. Em outras palavras, a “falta de filtro” e as personalidades falhas e vulneráveis dos protagonistas convergem para uma irônica e bem-vinda explosão cômica.

Falar do trabalho do elenco parece desnecessário, considerando que cada um dos atores se joga de cabeça em personagens que se tornam relacionáveis mesmo quando agem de maneira odiosa: Hunt, recém-saída de seu trabalho na ótima série ‘Dickinson’, apresenta um novo lado de sua versatilidade performática ao transformar AJ em uma espécie de “sonhadora às avessas”, enquanto Avantika, que estrelou a recente adaptação musical de ‘Meninas Malvadas’, funciona como o escape cômico dentro do escape cômico; já o trio formado por Angus, Martin e Duvernay mergulha nos comentários incisivos sobre masculinidade tóxica e falsa militância em rendições aprazíveis.

Inapropriados para o Trabalho resgata a nostálgica estrutura das sitcoms e as remodela dentro de um escopo corporativo e predatório a fim de garantir que os protagonistas tenham arcos bem delineados e recheados de reviravoltas – algo que, aliado à distinta comédia firmada por Kaling e Grandy, faz total sentido e até mesmo nos leva a refletir sobre os obstáculos que enfrentamos dia a dia.

Lembrando que a série está disponível no Disney+.

Notícias

15 Astros que Foram PERFEITOS como super-heróis

Não há como negar que os filmes de super-heróis...

É MUITO RUIM! Conheça os 40 PIORES Filmes de Terror de TODOS os Tempos…

Nada melhor  do que maratonar filmes e séries assustadores...

Disney Plus SAI do ar e passa por instabilidades em meio a jogos da Copa

O Disney+ está enfrentando instabilidades nesta quinta-feira, dia 18...

‘Minions & Monstros’: Cena revela encontro dos Minions com um ciclope; Confira!

'Minions & Monstros', o próximo longa-metragem das icônicas criaturas...
Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.