Caminhar pela história de Helena Ignez é caminhar pela própria história do cinema. Pensando nisso, e costurando menções à arte do cinema experimental com depoimentos marcantes da própria estrela dessa obra, o cineasta carioca Cavi Borges – outra figura importante do nosso audiovisual – realiza um filme-homenagem, uma carta de amor para uma artista singular.
Com uma narração em off feita por Patrícia Niedermeier, declamando um potente texto, se misturando com um pou-pourri imagético que ganham fortes significados a partir das reflexões sobre temas da sociedade por meio de sua obra, chegamos até um pontapé inicial para decifrar seu cinema, que não deixa também de passar pela história de um Brasil em tempos de turbulências.
A narrativa embarca nos embalos da própria obra da baiana, que conquistou a todos com seu talento desde cedo. Desde o pensamento do cinema como coreografia, influenciada por conta de sua formação na dança, e da maneira que ajudou a criar uma identidade plural para o pensar o cinema brasileiro, vamos passando por várias fases do nosso audiovisual, pegando uma carona na cativante viagem proposta por Borges.
Artista experimental. Inovadora, quebrando barreiras com seu trabalho. Não era possível definir, em tão pouco tempo, uma carreira gigante e com uma contribuição imensa a nossa cultura. Cavi e sua equipe se limitam a um gesto nobre, com recheio de poesia, brindando o público também com um composto de imagens de muitos dos quais Helena participou ou dirigiu em várias fases de sua carreira, como Luz das Trevas, A Mulher de Todos, O Padre e a Moça, A Alegria é a Prova dos Nove.
Assim, nos poucos minutos, paramos e refletimos, por meio dessa grande personagem do nosso cinema, um pouquinho sobre a força que a tela possui para quebrar barreiras através das ações inventivas.



