Houve um tempo em que Katy Perry era a maior popstar do planeta, principalmente no período que se estendeu do álbum ‘Teenage Prism’ a ‘Prism’. Sendo, até hoje, a única artista que conseguiu o Spotlight Award após conseguir cinco números 1 na Hot 100 da Billboard – feito que só foi alcançado por Michael Jackson com ‘Thriller’ -, Perry era a representação do pop em sua excelência com hits implacáveis e que se tornaram favoritas dos ouvintes ao redor do mundo.
Desde 2013, porém, a cantora e compositora vem enfrentando um platô criativo que parece tê-la destituído do respiro de originalidade que nos apresentou no início da década passada. Apesar do subestimado ‘Witness’ ter rendido algumas músicas que foram redescobertas com o passar dos anos, Katy mergulhou na complacência do pop com o esquecível ‘Smile’ apenas para apostar fichas em uma cansativa estética house com ‘143’ e o consecutivo deluxe – ambos, de fato, se sagrando como a pior era da performer até então, falhando em encantar até mesmo seus fãs mais inveterados.
Em uma tentativa de limpar a imagem, principalmente considerando as polêmicas envolvendo a escalação de Dr. Luke para a produção de ‘143’, Perry enterrou a era em questão e começou a explorar um retorno às suas origens do pop-rock (afinal, como nos esquecermos de incursões como “I Kissed a Girl”?) com “bandaids”, que veio como um respiro para uma discografia que, ao menos nesta década, vem se mostrando desgastada. E, enquanto não sabemos se o single fará parte de seu próximo álbum de estúdio, Katy continuou explorando as ramificações do gênero com mais uma música inédita intitulada “Watch It Burn”.
Assinando os versos ao lado de um time extenso de compositores, Perry entrega apenas o que podemos entender como seu melhor single nesta década, mergulhando em território familiar para resgatar raízes das quais sentíamos falta. Ao esquadrinhar uma narrativa em que a artista recupera controle de si mesma em uma despojada e vibrante declamação de empoderamento, o destaque dos versos vai para Skyler Stonestreet na equipe de liricistas, imprimindo sua identidade ao passo que se mescla com a presença de Katy nas rédeas. E, navegando por uma atmosfera instrumental mais densa e séria que músicas recentes, a artista condensa seu grito de libertação com os versos “finalmente eu me coloco em primeiro lugar e vejo tudo pegar fogo”.
Talvez a máxima “em time que está ganhando, não mexa” nunca tenha sido tão bem empregada quanto em “Watch It Burn” – mostrando que, às vezes, a simplicidade é o que funciona. Como já mencionado, Perry singra em sua zona de conforto de pop rock e confia no trabalho de um quarteto de produtores encabeçado por Justin Tranter para garantir que fiquemos satisfeitos. A combinação de guitarra e de bateria traz a essência dos anos 2000 de volta e presta homenagens a expoentes da época, além de se apropriar de uma nostalgia contundente que traz um pouco de brilho a uma carreira que vem sofrendo constantemente nos últimos anos.



