Crítica | ‘A Pele do Ouro’ – Um filme angustiante sobre uma sobrevivente dilacerada pelo tempo [Festival Cinemato 2026]

Há obras cinematográficas que realmente causam grande impacto quando as assistimos. A Pele do Ouro, é uma delas. Navegando pela angústia de algumas memórias e causando uma comoção profunda, somos surpreendidos por um documentário dilacerante que expõe as marcas da violência contra a mulher.

Selecionado para a Mostra de Curtas-Metragens do Festival Cinemato 2026 esse projeto, dirigido por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, nos apresenta a história da imigrante venezuelana Patri, uma jovem que fugiu de sua terra natal e veio para o Brasil em busca de alguma chance. Aqui, encarou outras dificuldades, muitas vezes sentindo-se incapaz de enxergar a luz do fim do túnel que caminhava.

De forma sufocante, expondo-se por meio de lembranças de um diário não esquecido, dos tempos onde trabalhou no ambiente machista do garimpo, percorremos recortes de momentos-chave de sua vida: passando por sua terra natal, depois trabalhando pelas ruas vendendo seu corpo, em uma profissão que parecia uma escolha mas que apareceu em um momento sem opções.

O sofrer em silêncio, a aceitação e a interpretação do próprio corpo, num pequeno quarto quase abandonado, as palavras antes perdidas se transformam em um símbolo de resistência para uma fuga e imersão na solidão. São 14 minutos intensos de uma poesia triste, transformada em reflexões artísticas mergulhando profundamente na devastação emocional da protagonista.

A Pele do Ouro bate na tecla da violência, elemento dominante da narrativa, sem alívios para nós que assistimos. Dificilmente esqueceremos essa sobrevivente dilacerada pelo tempo e pelas memórias tristes, que busca o sentido para a sua vida atravessando o nebuloso da distância que a separa de um alguém disposto a lhe estender as mãos. Impactante filme.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.