A tentativa de fusão de US$ 111 bilhões entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo. A Paramount fechou um acordo com uma coalizão de procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos para adiar a conclusão do negócio até o fim do julgamento antitruste que contestará a megaoperação.
Segundo a Variety, as partes apresentaram uma petição conjunta à Justiça Federal concordando em suspender a transação até cinco dias após o término do julgamento ou até 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro. A decisão garante que a fusão permanecerá congelada por vários meses.
A medida ocorre após 12 estados norte-americanos, liderados pela Califórnia, obterem uma ordem de restrição temporária para deter o negócio. Os estados alegam que a união das empresas reduzirá a concorrência na TV por assinatura e no cinema.
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, celebrou o congelamento: “Suspender essa fusão enquanto nosso processo avança é uma vitória crucial em nossos esforços para fazer cumprir a lei e proteger as indústrias de cinema e televisão. Esperamos continuar nosso caso para impedir essa fusão ilegal”.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, classificou o desfecho como uma grande vitória pública:
“Nosso argumento contra essa fusão ilegal é simples: quando poucas empresas concentram poder demais em mercados centrais para a vida dos americanos, tudo fica mais caro e pior. O acordo de hoje é uma excelente notícia para o público, para os cinemas e para as inúmeras pessoas que escrevem, constroem e criam a arte, as notícias e o entretenimento que tantos de nós apreciamos. Estamos ansiosos para apresentar nosso caso ao tribunal e conquistar mais uma grande vitória para garantir que essa fusão ilegal nunca aconteça”, acrescentou.
Ativistas e entidades do setor também se manifestaram. Norm Eisen, cofundador do Democracy Defenders Fund e membro da campanha #BlocktheMerger, afirmou:
“Os Ellison acreditavam que seu relacionamento com o presidente Donald Trump os ajudaria a aprovar um acordo desastroso que ameaçava a democracia, a liberdade criativa e o jornalismo independente. Nós, da campanha #BlocktheMerger, ajudamos a provar que eles estavam errados. Essa resistência coletiva está mudando o rumo da situação”, destacou.
A Paramount pretendia selar o negócio antes de 30 de setembro, data a partir da qual terá de pagar uma multa de atraso de US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner Bros. Discovery. Com o novo acerto, a empresa reconhece que não cumprirá esse prazo, a menos que alcance um acordo prévio com os estados.
Apesar do atraso, a Paramount sustentou que o acerto é positivo por acelerar a análise do mérito:
“O acordo de hoje é uma vitória significativa porque alcança exatamente o que buscamos desde o início: um caminho direto para um julgamento baseado em evidências. Essa é a forma mais rápida e clara de provar que essa transação é benéfica para a concorrência, para os consumidores e para os criadores, uma conclusão já alcançada por dezenas de autoridades regulatórias ao redor do mundo. As definições de mercado apresentadas pelos autores da ação não refletem a realidade do mercado atual e não resistirão à análise judicial. Estamos ansiosos para provar nosso caso no julgamento”, concluiu.
Com a concordância entre as partes, uma audiência preliminar marcada para 3 de agosto foi cancelada. A juíza federal Araceli Martinez-Olguin aprovou a petição, e o sindicato dos roteiristas (WGA) retirou um pedido paralelo de liminar.
As partes têm até 31 de julho para sugerir o cronograma oficial do julgamento, que os estados defendem que ocorra em abril de 2027.



