O filme inédito ‘Fortitude’ deu origem a um grave processo judicial contra a Netflix em Los Angeles, movido pelos próprios produtores da obra. Conforme relatado o The Hollywood Reporter, a ação foi apresentada em um tribunal federal da Califórnia pelo roteirista e produtor Simon Afram e por sua empresa, a Op-Fortitude.
Os produtores acusam a gigante do streaming de comprometer a comercialização do thriller de espionagem, ambientado na Segunda Guerra Mundial, após perder uma cópia do longa que havia sido enviada para avaliação.
A indenização pedida é de, no mínimo, US$ 105 milhões.
Uma cópia master sem criptografia do filme estava armazenada em um dos vários discos rígidos que foram roubados do escritório da Netflix. Segundo uma fonte ligada à plataforma, uma investigação interna concluiu que os demais HDs levados estavam vazios.
Em comunicado oficial, um porta-voz da Netflix rebateu as acusações:
“A Netflix contesta qualquer alegação de que assume o risco pela perda de um filme entregue sem as proteções padrão da indústria. Embora não detenhamos os direitos de Fortitude, levamos a segurança de conteúdo muito a sério e adotamos medidas extras para apoiar o cineasta e sua equipe. Isso inclui uma investigação completa e o monitoramento de sites conhecidos de pirataria para identificar qualquer distribuição ou venda não autorizada”, afirmou.
Os executivos da plataforma demonstraram interesse em adquirir ‘Fortitude’ após receberem materiais promocionais em dezembro de 2025 e solicitaram uma versão preliminar da obra em junho. Segundo o processo, a empresa pediu aos produtores a chave de acesso ao Digital Cinema Package (DCP), formato de exibição normalmente protegido por senha, para realizar testes internos.
Em 15 de junho, um dos produtores entregou pessoalmente o disco no escritório da Netflix, localizado no Sunset Bronson Studios. De acordo com a ação, ele avisou expressamente que o DCP estava sem criptografia, orientando que os arquivos fossem apagados após a exibição e solicitando aviso assim que o disco pudesse ser retirado.
Dez dias depois, a equipe do filme recebeu a notícia do furto.
“Esta é a primeira vez que isso acontece conosco”, escreveu Sean Berney, chefe de aquisições de filmes da Netflix, em e-mail datado de 25 de junho. “Infelizmente, alguém roubou vários discos dos escritórios esta semana. Estamos trabalhando nisso com nossa equipe de segurança, mas sem sucesso. Nossa equipe antipirataria está em alerta máximo devido ao incidente e continuará monitorando a situação”.
A ação judicial acusa a Netflix de se recusar a informar se registrou boletim de ocorrência sobre o roubo. Segundo os produtores, a empresa também teria rejeitado o pedido para envolver o Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), mesmo após a própria equipe do filme ter feito o registro formal.
A Netflix, por sua vez, declarou que optou por não divulgar detalhes da investigação após um escritório de advocacia representante de Afram exigir US$ 165 milhões pelo longa, classificando a exigência como uma “tentativa hostil de extorquir dinheiro”, em vez de uma negociação de boa-fé.
Para os produtores, o furto inviabilizou a comercialização normal da obra, já que qualquer distribuidora em potencial precisa ser notificada de que uma cópia master sem proteção foi roubada. Eles argumentam que a situação prejudica acordos de distribuição, apólices de seguro e estratégias de marketing, além de expor o projeto ao risco iminente de vazamento online.
Como consequência, as negociações de venda foram interrompidas, mesmo após o recebimento de propostas de distribuidoras nacionais e internacionais, comprometendo o plano de lançamento e a campanha do filme para a temporada de premiações.
Dirigido por Simon West, ‘Fortitude’ é baseado na história real de agentes da inteligência britânica que executaram táticas de engano para desorientar o comando nazista durante a Segunda Guerra Mundial. O elenco principal conta com Nicolas Cage, Matthew Goode, Ed Skrein, Jordi Mollà e Alice Eve.



