Refletir sobre a violência contra a mulher é um assunto importante. Sempre que esse tema encontra no audiovisual um espaço, nos leva a histórias chocantes que nos fazem pensar sobre os seres humanos e as diferentes formas de maldades que atingem para sempre vidas, muitas delas interrompidas pela ação cruel do machismo.
Circulando por esse assunto, um filme exibido no quarto dia de exibições das mostras competitivas do Bonito Cine Sur 2026 nos leva a uma curiosa investigação sobre a primeira beata do Ceará. Benigna Cardoso, uma jovem de 13 anos, vítima de feminicídio na década de 1940, é o epicentro do estudo de caso do curta-metragem Vermelho de Bolinhas. A obra conduz o público para uma teia de informações, do concreto ao imaginado, percorrendo de forma envolvente a relação de fiéis em torno da devoção de uma imagem e investigando sua origem.
A narrativa é modelada de forma simples e muito eficiente, soando naturalidade, mesmo ao abordar um assunto complexo, cheio de raízes nas suposições. Com uma narração em off muito bem conduzida e um texto objetivo com gigante clareza, vamos atravessando o município de Santana do Cariri com uma lupa imaginária em busca de respostas que encontram no horizonte a memória e a identidade.
Desde um polêmico retrato falado, passando por poucos fatos registrados e tendo como referência também um monumento de mais de 20 metros de altura, inaugurado em abril deste ano, a história de Benigna Cardoso circula em torno de muitos mistérios. A composição visual da narrativa usa de um artifício criativo, com objetos em relação ao ambiente, ressignificando as informações que são coletadas ao longo dessa jornada.
Chegamos até o final dos 19 minutos de projeção com as reflexões que chegam pelas respostas que surgem e, mesmo assim, após o desfecho, continuamos a pensar sobre os detalhes pelas entrelinhas deixados pela obra. Um trabalho impressionante dos cineastas Renata Fortes e Joedson Kelvin. Interessantíssimo filme.


