Em pouco tempo de carreira, Cardi B tornou-se um expoente inegável no cenário fonográfico, dominando o cenário rapper e sagrando-se um dos principais emblemas da nova geração. Por mais que tenha lançado apenas um álbum de estúdio oficial, o sucesso de ‘Invasion of Privacy’ lhe rendeu ainda mais aclame ao torná-la a primeira artista feminina solo a conquistar o Grammy de Melhor Álbum de Rap – cimentando uma carreira que ainda tem muito a nos contar.
Roubando os holofotes em um cenário com óbvia predominância masculina e seguindo os passos da lendária Lauryn Hill, uma de suas principais influências, é notável como a performer influenciou inúmeras artistas, direta ou indiretamente, incluindo Ice Spice, Doja Cat, Megan Thee Stallion, Olivia Rodrigo e até mesmo BLACKPINK. Não é surpresa que canções como “Bodak Yellow” e “WAP” alcançaram um status invejável e quase incomparável, sendo construídas através de um comprometimento técnico e criativo que abriu espaço para diversas narrativas – como enredos de positividade corporal, empoderamento feminino e até diss tracks divertidas e bem arquitetadas.
No ano passado, Cardi lançou seu aguardado segundo álbum de estúdio, ‘Am I The Drama?’, que deu continuidade à sua dominância no cenário rap contemporâneo e a reiterou como um dos grandes emblemas do gênero na atualidade. Agora, ela está de volta com a inédita “AH HA”, single produzido pelo DJ SwanQo, colaborador de longa data da rapper e responsável por incursões como “Get Up 10” e “UP”. Através de pouco menos de três minutos, a artista volta com “sangue nos olhos” para conquistar nossa atenção com uma clássica mistura de club-rap e de influências da Costa Leste que são amalgamadas em uma ode aos anos 1980 da maneira mais efervescente possível.
A faixa, coassinada por Cardi e James D. Steed, funciona como um urgente grito da personalidade irrefreável e fanfarrona da performer – sem deixar de lado uma sólida carga cultural que acompanha cada uma das batidas de hip-hop que explodem em meio às linhas de baixo e ao conhecido estilo de Detroit que acompanha os ácidos versos. Como poderíamos imaginar, a canção funciona como uma diss track bastante contundente e direto, com alfinetadas pungentes a Donald Trump em um comentário deliciosamente irônico – e, como bem sabemos, Cardi sempre foi muito vocal em sua desaprovação ao presidente dos Estados Unidos. Mas essa sardônica entrega se expande para outros, em um constante lembrete de que ela não é responsável pela frustração e pelo ódio das pessoas.
De certa forma, podemos encarar “AH HA” como uma faixa autoconsciente e que propositalmente brinca com a ideia de “pedantismo” sem se render por completo ao conceito – o que torna a faixa mais saborosa dentro de peculiaridades e de uma interessante nostalgia que já se tornou marca registrada da discografia de Cardi B.
Lembrando que a canção está disponível nas plataformas de streaming.


