A atriz Zoe Saldaña, aclamada por trabalhos em ‘Avatar’ e ‘Emilia Pérez’, fez um forte desabafo sobre a frustração de ser constantemente alvo de perguntas políticas em eventos do setor. Para a artista, esse tipo de questionamento não é feito na mesma proporção para seus colegas de indústria.
Segundo a Variety, a vencedora do Oscar abordou o tema durante um painel no Festival de Cinema de Locarno. Saldaña explicou que gosta de participar de sessões de perguntas e respostas para debater o ofício da atuação, mas acaba frequentemente confrontada com temas sociais e políticos.
“Uma coisa que é extremamente limitante e frustrante é quando sou a única pessoa não branca ou a única mulher no palco, e isso acontece bastante com mulheres e pessoas não brancas. Eu espero pela minha vez para responder a uma pergunta sobre meu trabalho, e me fazem uma pergunta política”, disse Saldaña, exemplificando em seguida: “O que você acha que precisamos fazer para tornar os filmes mais inclusivos?”
A atriz criticou a postura de direcionar a responsabilidade da diversidade apenas a quem pertence a minorias: “Desculpem, mas vocês não perguntam isso para a única pessoa que vem de uma comunidade marginalizada. Perguntem às outras 80 pessoas que fazem parte dos responsáveis por tomar essas decisões e perguntem a elas se sabem a resposta, porque acho que estamos fazendo as pessoas não brancas trabalharem em dobro para estar em uma sala”.
‘Emilia Pérez’: Zoë Saldaña pede desculpas aos mexicanos, mas não admite erros do filme
Embora não tenha citado turnês de divulgação específicas durante a palestra, a fala de Saldaña ecoa momentos marcantes de sua trajetória recente. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu na sala de imprensa do Oscar 2025, poucos minutos após ela conquistar a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante por ‘Emilia Pérez’.
Na ocasião, um jornalista mexicano confrontou a atriz afirmando que o longa havia sido “realmente doloroso para nós, mexicanos”.
Zoe respondeu à crítica com empatia, mas defendeu a essência do projeto: “Primeiro, sinto muito, muito mesmo, que muitos mexicanos tenham se sentido ofendidos. Essa nunca foi a nossa intenção. Falamos a partir de um lugar de amor. Não compartilho da sua opinião. Para mim, o coração desse filme não era o México. Estávamos fazendo um filme sobre amizade. Estávamos fazendo um filme sobre quatro mulheres”.
Ela completou ressaltando a universalidade das personagens e se colocando à disposição para o diálogo:
“Essas mulheres poderiam ser russas, dominicanas, negras de Detroit, poderiam ser de Israel, poderiam ser de Gaza. E essas mulheres continuam sendo mulheres muito universais, que lutam todos os dias, tentando sobreviver à opressão sistêmica e encontrar suas vozes mais autênticas. Então, mantenho essa posição, mas também estou sempre aberta a sentar com todos os meus irmãos e irmãs mexicanos, com amor e respeito, para ter uma ótima conversa sobre como Emilia Pérez poderia ter sido feito melhor. Eu aceito esse diálogo”, concluiu.
‘Emilia Pérez’ está disponível no Prime vídeo



