Sábado, 15 de agosto, de 2026. Enfim, começaram meus poucos dias na reta final do FestCine Itaúna 2026, um festival que, carinhosamente e de forma espontânea, me convidou para realizar a cobertura do evento, que percorre a zona rural de caruaru, em Pernambuco, levando a sétima arte a cada vez mais pessoas.

Depois de me encontrar, pela manhã, com o idealizador do festival, o competente produtor cultural e professor Paulo Conceição, percorri um pouco o centro da maravilhosa e sempre agitada Caruaru, sempre recebendo eventos. Inclusive, fui a uma feira badalada, cujo ponto de encontro é uma galeria comercial daquelas repleta de roupas de qualidade e baratas, chamada Fábrica da Moda. De lá, almocei no Shopping Caruaru, o maior da cidade, e parti para as exibições no distrito de Riacho Doce, alguns quilômetros depois do epicentro da cidade.

Chegando lá, me senti em casa. Riacho Doce é uma espécie de vila, onde os moradores se reúnem na praça da cidade para os eventos que acontecem neste lugar. Quando cheguei, já havia um certo movimento, com um telão muito bem instalado numa posição central e uma simpática barraquinha vendendo deliciosos pastéis e quitutes para o público, que aos poucos chegava e se acomodava. Havia também distribuição gratuita de pipoca e algodão-doce, realizada pela produção do evento.
Neste lugar o sinal de internet é bem fraco e, muitas vezes, não há sinal nenhum. O que achei algo bom, pois consegui observar mais, em meio a alegria, a paz e as conversas que alcançava. Quando começaram as sessões, sempre anunciadas por um apresentador bastante animado, sentei na última fileira e assisti a 6 filmes ( de 7, um deles eu já tinha visto). De todas as obras que pude conferir neste dia, Singrar e Hacker Leonilia se destacaram bem mais do que as outras.
Seguindo por um cantinho complicado de se construir em tela, mexendo com sentimentos profundos que ligam as artes poéticas às dores de uma solidão contínua, o curta-metragem belo-jardinense Singrar, dirigido pelo cineasta Heleno Florentino, caminha por uma história que flerta com a melancolia ao misturar a solidão e a solitude, duas palavras que se confundem no dia a dia, mas que possuem diferentes significado. E o roteiro consegue exatamente invadir esse ponto, avançando pelos desejos de estar sozinho ou com outros, potencializando a contemplação, o vazio e a ausência, com uma cor azul marcante que busca maximizar esses sentimentos.
Já em Hacker Leonilia, último filme exibido na noite (e que eu já tinha assistido em outro festival), o engenhoso trabalho do brasiliense Gustavo Fontele Dourado, explora a ficção cientifica entrelaçada à aventura por meio de técnicas de animação e da extensão do mundo real para o digital – seja pela identidade ou mesmo pela interatividade. Um projeto criativo, com ótimo desenvolvimento de sua protagonista: uma idosa hacker que busca na força das memórias uma luta contra o universo que está presa. A obra é baseada, em parte, na história da avó de Gustavo, Leonilia Ferreira.
Crítica | ‘Singrar’ – As conexões humanas pelas pontes da poesia [FestCine Itaúna 2026]
Além desses destaques, foram exibidos: Socorro & Mazé, um documentário sobre uma dupla forrozeira, contado por elas mesmas, desde um marcante calote até o sucesso; Sinésio da Magana a Santa Cruz, um documentário confuso, cheio de palavras ao vento e com uma montagem ineficiente, que aborda a vida de um sanfoneiro; Facção, uma ficção com atuações que deixam a desejar e que explora a questão do trabalho no agreste pernambucano, em um lugar conhecido como a capital da moda; entre outros filmes.

Em sua sétima edição, o FestCine Itaúna vem se consolidando como um importante evento audiovisual realizado no interior de nosso país. Está sendo delicioso poder acompanhar tudo isso de perto, principalmente ao ver os olhinhos das pessoas brilhando enquanto assistem a filmes brasileiros.


