O curta-metragem é um formato de exibição ideal para experimentações, e quem gosta de se arriscar pode encontrar diversas maneiras de desfilar suas histórias. Seguindo por um cantinho complicado de se construir em tela, mexendo com sentimentos profundos que ligam as artes poéticas às dores de uma solidão contínua, o curta-metragem belo-jardinense Singrar ganhou as telas do FestCine Itaúna 2026 no penúltimo dia do evento, realizado na zona rural de Caruaru, Pernambuco.
O projeto, dirigido pelo cineasta Heleno Florentino, caminha por uma história que flerta com a melancolia ao misturar a solidão e a solitude, duas palavras que se confundem no dia a dia, mas que possuem diferentes significado. E o roteiro consegue exatamente invadir esse ponto, avançando pelos desejos de estar sozinho ou com outros, potencializando a contemplação, o vazio e a ausência, com uma cor azul marcante que busca maximizar esses sentimentos.
Na trama, acompanhamos Davi, um jovem sonhador e que busca entender seu lugar no mundo. Ele trabalha em uma papelaria no centro da cidade no interior onde mora e vive seu cotidiano entre o trabalho, casa e um momento do dia em que estaciona em uma praça e deixa poesias, que são trocadas por desenhos. Satisfeito com essa conexão, um dia é surpreendido no meio do expediente.
Nesse trabalho interessante, também encontramos um forte discurso sobre a importância da cultura, através da poesia, como uma ponte para conexões humanas, muitas vezes trocando diálogos que poderiam ser comuns por jogos de métricas poéticas que expandem o nosso refletir e nos ajudam a entender o protagonista e seus momentos na introspecção na maneira como enxerga o mundo.
Singrar tem ótimas ideias, algumas muito bem executadas, mesmo que falte força às atuações em cena, abraçando o contido e perdendo a intensidade. Mesmo assim, este curta-metragem atravessa muito bem o silêncio por meio da conversa entre artes, alcançando a atenção do público, que é o que importa.


