No final dos anos 1990, quando Hollywood ainda chegada no resto do mundo através das revistas de fofoca, os cinemas receberam um filme que surpreendeu a muita gente: o longa de comédia romântica ‘Da Magia à Sedução’. O lance é que embora fosse um filme de gênero e voltado para o público feminino, ele misturava elementos de magia e trazia no protagonismo duas das então maiores estrelas do mercado, Sandra Bullock e Nicole Kidman. Sucesso instantâneo. Milhares de adolescentes sonharam com aquele mundinho de cidade pequena, uma família cheia de mulheres e muitos segredos, cujos desafios eram solucionados com um pouco de encantamento. De lá para cá, a carreira de ambas as atrizes teve muitos momentos marcantes, e agora, quase trinta anos depois, um novo capítulo dessa história chega aos cinemas, sob o título ‘Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor’.

A família das mulheres Owens sempre esteve ali pela sua comunidade. Enquanto dezenas de moradores procuravam sua ajuda para superar algum mal-estar, as mulheres da família Owens, generosas, sempre ajudaram, ainda que estivessem pra sempre amaldiçoadas. É que séculos atrás Maria Owens (Ema Cavolli), para proteger a família, jogara um feitiço inquebrável sobre sua descendência: nenhuma mulher Owens seria feliz no amor, pois toda pessoa de quem se apaixonasse, morreria. Por conta dessa maldição, Sally (Sandra Bullock) decidiu esconder a verdade de suas filhas – Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams) –, para que tivessem vidas normais longe da bruxaria. Mas quando Kylie começa a namorar com Gideon (Xolo Maridueña), ela descobre a verdade e tenta quebrar a maldição, fazendo com que Sally e Gillian (Nicole Kidman) tenham que ir atrás dela não só para protegê-la, mas também, quem sabe, conseguirem colocar um fim de uma vez por todas nessa história.
De fato, cento e trinta minutos para um filme regular de entretenimento é muita coisa, e daria para dar uma enxugada aqui. Mas as duas horas e dez de ‘Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor’ passam super-rápidas por um motivo específico: a incrível química entre Sandra Bullock e Nicole Kidman.
Elemento essencial do sucesso do primeiro filme, Sandra e Nicole carregam o carisma, a simpatia, as irritações e o carinho que uma relação entre irmãs tem, e elas dão um verdadeiro show juntas. Dá para sentir quando o take foi de primeira, e são muitos. Dá para ver que Nicole muitas vezes solta comentários que possivelmente nem estavam no roteiro, mas que cabem perfeitamente com a personagem/situação, e isso provoca reações incríveis em Sandra, cuja personagem, mais contida e com medo de deixar a magia fluir, faz com que a atriz recobre os trejeitos fofamente atrapalhados que construíram seu sucesso profissional. As duas juntas é o maior acerto, sempre.

Do elenco que deve assumir a franquia, três nomes de sucesso da nova geração, com personagens desproporcionais. Joey King ganha o foco do enredo e mais tempo de tela, deixando Maisie Williams com pouco desenvolvimento de sua jornada. No fim, quem se destaca mesmo é Xolo Maridueña, como um cara suuuper apaixonado e zero defeitos que todo mundo queria ter por perto.
Com uma turma toda tarimbada, ‘Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor’ é sucesso garantido de entretenimento, diversão e nostalgia. É a forma certa de se resgatar um filme do passado, passando o bastão mas tendo sempre como autorreferência o motivo pelo qual o sucesso aconteceu anteriormente. Por fim, é um filme matriarcal, gerido por mulheres potentes de duas gerações distintas e comandado por uma diretora mulher, Susanne Bier, que mostra verdadeiro poder de um coven: cuidar e empoderar outras mulheres.


