Quando pensamos em grandes atrizes dos palcos brasileiros ao longo da história, em qualquer lista, você verá o nome de Marília Pêra. Um nome que deixou registradas, ao longo das últimas décadas, atuações memoráveis na televisão, no cinema e, principalmente, no teatro. Para jogar os holofotes sobre sua rica contribuição ao mundo das artes, chega aos cinemas, no dia 10 de setembro, o documentário Viva Marília, dirigido por Zelito Viana.
Adepta do humor sutil e da disciplina, a renomada artista, que nos deixou mais de uma década atrás, é a figura principal deste documentário, que percorre por sua intimidade e apresenta registros raros, fruto de uma ótima pesquisa, seguindo uma abordagem sentimental de uma vida dedica às artes.
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A montagem valoriza o legado de Marília, nos levando para uma linha do tempo objetiva, entrelaçando o pessoal e o profissional, sem grandes espaçamentos. Encontra uma harmonia entre encaixes de áudios e imagens, fazendo com que a própria Marília, ao longo de vários registros, conte sua própria história.

Vale mencionar os bem encaixados letterings, as legendas contidas em imagens, preenchendo lacunas sobre quem aparece ao lado de Marília, algo que reforça o registro. Parece algo sem grande importância, mas é. Diversas obras esquecem esse importante detalhe, deixando passar informações relevantes ao público, tornando registros incompletos. Ainda bem que não é o caso.
Exibido no Festival É Tudo Verdade, o projeto nos guia desde sua infância, convivendo com o mundo artístico, já que seus pais eram artistas que brilhavam no teatro, até o estrelato, se consolidando-se como um dos grandes nomes dos palcos brasileiros. Marília foi se aperfeiçoando no próprio ofício. Sem auxílio de estudos teóricos, aprendeu na prática. Entrevistas raras se misturando com cenas de novelas, apresentações no teatro e participações em filmes, nos aproximam de seu lado pessoal e profissional e percorrendo uma linha do tempo que passa também pelos momentos sombrios da ditadura e pela redemocratização.

Entre muitas questões abordadas, através de assuntos desenvolvimentos pela própria artista em variadas entrevistas, sua tardia relação com o cinema vira pauta, com alguns depoimentos em que a artista menciona sobre seus trabalhos na sétima arte. E, mesmo com nem tantos filmes no currículo, dois personagens marcantes e de reconhecimento mundial já estão na história do nosso cinema: Pixote, a Lei do Mais Fraco e Central do Brasil. Falas sobre o processo criativo para esses dois papéis ganham momentos no filme.

Com seus cerca de 80 minutos de projeção, Viva Marília é um registro importante, que beira ao fascinante, sobre uma dama dos palcos, uma artista com A maiúsculo, que tem seu legado lapidado por uma obra que, com muito respeito à sua história, apresenta ao público um raio-x de sua intensidade através de sua vida e da própria obra.

