Crítica | Virtuosas – Thriller Sáfico com Bruna Linzmeyer Surpreende com Plot Twist

Existe, de fato, uma grande oferta de diferentes tipos de filmes, tanto no circuito exibidor nacional quanto nas plataformas de streaming. E, com tanta oferta, ganha a atenção do espectador quem tem maior publicidade para chamar a atenção – seja ela como for. Por conta disso, muitas vezes ótimos filmes acabam passando ao largo do espectador, e, por consequência, resistem menos tempo nas salas de cinema e/ou nos campos principais de busca nos streamings. É o caso de ‘Virtuosas’, thriller sáfico com um plot twists desses que desconcertam o espectador, e que está atualmente em cartaz nos cinemas do país e que teve sessão de estreia no CineBH.

virtuosas. 1

Germina (Maria Galant) é uma jornalista dedicada, que quer muito ganhar mais espaço no jornal em que trabalha. Para tal, decide se inscrever num programa de mulheres virtuosas, administrada pela líder Virgínia Heinzel (Bruna Linzmeyer, do indicado ao Emmy ‘Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente’), no qual apenas cinco mulheres são sorteadas para passar a temporada num resort onde deverão aprender mais sobre com ser uma boa esposa, uma mãe dedicada, como administrar o lar, a família. Germina tem a grande sorte de ser uma das escolhidas e decide escrever um artigo sobre a misteriosa e inspiradora Virgínia, porém, ao longo dos dias, sua convivência com Lorena (Juliana Lourenção), Bárbara (Sarah Motta) e Gorete (Brisa Marques) começa a ficar mais intensa e o que inicialmente seria um artigo sobre uma líder em ascensão pode acabar se tornando uma grave matéria de denúncia.

Primeiramente, ‘Virtuosas’ facilmente poderia ser uma história real – se é que não é.

Escrito por Cíntia Domit Bittar e Fernanda De Capua, o longa começa como um drama instigante, de mulheres “perfeitas” em busca de serem modelos idealizados por uma sociedade masculina que pensa a mulher como um auxílio do homem. Do drama (a pauta da jornalista-protagonista), a tensão (todos os tipos) entre essas cinco mulheres que convivem num confinamento voluntário vai intensificando as relações até transformar o drama num thriller envolvente, com plot twist inesperado e que realmente muda a direção da trama para algo totalmente diferente – o que realça a dedicação das roteiristas em trabalhar bem seu texto e construir uma história que prende a atenção do espectador.

virtuosas. 0

Com um orçamento limitado, restou à diretora Cíntia Domit Bittar fazer bom uso da criatividade e confiar bastante na sua elencagem – e deu super certo. O elenco todo, em sintonia, ajuda no crescente das tensões entre as personagens diante de situações que, em outro contexto, seriam apenas corriqueiras, mas que, em um curso de boas maneiras, ganham uma atenção completamente desproporcional da normalidade. E é aí que entra a criatividade do roteiro e da diretora: partir da realidade cotidiana comum a tantas mulheres (a maternidade, as inseguranças consigo mesmas, as dúvidas nunca pronunciadas, o medo do relacionamento) e se apropriar desses elementos para enxergá-los como pontos de terror no contexto dessas mulheres. Assim, uma mera inquietude, dentro do confinamento em que se encontram, se transforma numa bolha incontrolável que cresce e cresce sem ser possível entender como que as coisas conseguiram chegar tão longe.

Assim como ocorre, por exemplo, com as fake news, as notícias falsas ampla e irresponsavelmente propagadas pela internet. Se por um lado em ‘Virtuosas’ temos uma jornalista disposta a ir até o fim atrás da verdade, por outro temos personagens em cuja a hipocrisia e a negação residem justamente a cara de pau (a qual elas chamam de coragem) utilizadas para justificar e/ou autorizar suas próprias atitudes, principalmente quando vão em contra ao que elas mesmas dizem.

‘Virtuosas’ é um ótimo exercício de estilo cinematográfico e que reforça que o cinema de gênero só ganha quando as produtoras (também) apostam na criação feminina. Uma boa dica de filme para assistir principalmente neste final de semana.

virtuosas. 2

Notícias

3ª temporada de ‘Wandinha’ pode ser a ÚLTIMA, indica Jenna Ortega

Através do seu Instagram, Jenna Ortega comemorou a finalização...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.