Será que ainda há espaço para filmes e séries sobre zumbis, ou será que o público já saturou do assunto? Dos anos 2000 para cá já são quase trinta anos da indústria cinematográfica mundial se debruçando nos mortos-vivos e criando histórias sobre como essas criaturas buscam se alimentar dos meros mortais. O grande diferencial é encontrar pontos alternativos, que tornem a nova proposta interessante por apresentar argumentos diferentes, soluções criativas ou elementos novos para um assunto já muito trabalhado. Assim é a proposta de ‘Zona Zero’ (Colony), nova ficção científica com terror sul-coreana que teve sessões antecipadas no Festival do Rio na mostra da meia-noite e está atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros.

Se Jeong (Jun Ji-hyun) é uma importante cientista, mas está desempregada e, pior, tem dificuldades para socializar. Seu ex-marido, Han Gyu Seong (Go Soo), a convida a participar de uma conferência sobre biotecnologia, no intuito de apresentá-la ao CEO da empresa. Porém, diante da má receptividade dele, os dois decidem ir embora, de mãos abanando. Neste mesmo momento um homem misterioso invade o evento e tem acesso ao CEO, ameaçando-o por não lhe ter dado ouvidos sobre suas ideias. Esse terrorista, porém, detém uma seringa com um elemento terrível: um vírus mutante que contamina as pessoas e as transforma automaticamente em zumbis. Diante da contaminação descontrolada, a polícia ordena o fechamento do prédio, e agora Se Jeong, Gyu Seong e os outros sobreviventes terão que encontrar uma forma de escapar do prédio em segurança e, quem sabe, encontrar uma cura para o novo vírus.
O roteiro de Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho traz um elemento diferenciado dos outros filmes de zumbis: aqui as criaturas não são meros seres rastejantes; ao contrário, o roteiro usa como argumento a própria biotecnologia para transformar os mortos-vivos em seres capazes de raciocinar, evoluir e agir em cadeia, como nas colônias de animais. Assim, com determinados acontecimentos da trama, os zumbis deixam de ser criaturas emburrecidas e muito rapidamente passam a estudar o comportamento dos seres humanos, reproduzindo suas ações para, dessa forma, alcançarem os mesmos resultados, individual e coletivamente. Ou seja, zumbis inteligentes que evoluem.

Por outro lado, para corroborar seu argumento o roteiro precisa de explicar, e acaba fazendo isso demais, e o tempo todo. Aí chove termos científicos, explicações científicas e nós, meros espectadores, nos perdemos com tantos dados. Tais informações são trazidas repetidas vezes em ambos os núcleos que o filme se desenvolve (o núcleo onde os sobreviventes estão e o do lado de fora, onde policiais e cientistas buscam uma explicação sobre a identidade do terrorista, da origem do vírus e de como pará-lo), confundindo e cansando a gente por o tempo todo parar a trama para explicar, como se houvesse uma necessidade de defender o argumento o tempo todo. Aí entra o diretor Yeon Sang-ho, que deveria ter se atentado a esses excessos e enxugado essas pausas em prol do ritmo, afinal, o filme acabou ficando desnecessariamente com mais de duas horas de duração.
Mas para quem curte ou está com saudades de uma boa produção com zumbis, ‘Zona Zero’ entrega criaturas bem maquiadas e bem coreografadas, muitas vezes até causando um efeito quase hipnótico em seus movimentos – o que traz certa diferenciação neste quesito. E é também uma grande produção, com bons efeitos visuais que ajudam a ambientar o mundo apocalíptico apresentado no filme.
‘Zona Zero’ é diversão para fãs de zumbis, com o atrativo de trazer um embasamento científico irrefutável, que pode ajudar a render boas discussões após as sessões.



