O cineasta Mike Flanagan (‘Missa da Meia-Noite‘) revelou que criar ‘A Maldição da Residência Hill‘ foi um ato profundamente pessoal: uma tentativa de processar o luto após um suicídio em sua família. A declaração foi feita durante o encerramento da primeira edição do SXSW London, logo antes da estreia europeia de seu novo filme, ‘A Vida de Chuck‘.
“Há imagens naquela série que vieram de sonhos e pesadelos que tive naquele período”, afirmou Flanagan. “Foi minha forma de tentar lidar com o luto e a perda. É algo com o qual vou lidar pelo resto da vida, mas ter um espaço criativo onde eu pudesse despejar isso foi incrivelmente terapêutico”.
Na série da Netflix, a personagem Nell Crain morre por suicídio — algo que, segundo o diretor, espelha sua vivência pessoal. Flanagan espera que a obra também possa servir de consolo para quem enfrenta dores semelhantes.
Durante o painel, o cineasta ainda comentou que outros projetos seus — como ‘Doutor Sono‘ e ‘Missa da Meia-Noite‘ — o ajudaram a enfrentar o alcoolismo. No caso da adaptação de Stephen King, ele credita o filme como o impulso definitivo para sua sobriedade.
Flanagan também criticou o que chamou de “viés contra o horror” por parte da indústria e do público.
“Existe uma ideia equivocada do que o terror pode ser”, disse. “Sempre que um projeto como os de Jordan Peele vence prêmios, o gênero é temporariamente legitimado, mas depois a roda gira e as pessoas voltam a se surpreender que ali exista uma boa história”.
Segundo ele, o terror é tão dramaticamente complexo e artisticamente válido quanto qualquer outro gênero, embora constantemente subestimado.
Grande parte da filmografia de Flanagan adapta obras de Stephen King, com quem ele atualmente trabalha na ambiciosa adaptação de ‘A Torre Negra‘. Apesar da fama de “mestre do horror”, Flanagan vê King de outra forma:
“Ele não é um escritor de horror. É um humanista adorável, brincalhão e empático. As histórias dele falam sobre a natureza humana — os elementos de horror surgem organicamente dos personagens”.
Ao falar sobre seu novo filme, ‘A Vida de Chuck‘, baseado em um conto de King, Flanagan também defendeu o valor do monólogo no cinema — algo que, segundo ele, está sob ameaça diante de plataformas que priorizam ritmo acelerado e estímulos constantes:
“O monólogo é uma arte morrendo. Mas não há nada mais impressionante do que ver um ator mudar a realidade só com palavras”.
‘A Vida de Chuck‘ é estrelado por Tom Hiddleston e narra, de forma reversa, a trajetória de um homem comum cuja vida parece afetar o mundo ao seu redor. O filme marca uma guinada emocional e menos “explicitamente aterrorizante” na carreira de Flanagan — mas, como sempre, profundamente humano.
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O longa chega aos cinemas nacionais em 28 de agosto, e apresenta a extraordinária história de um homem comum, conforme explora os altos e baixos da existência humana.

A trama gira em torno de Charles ‘Chuck’ Krantz, começando pelo final, desde sua trágica morte aos 39 anos causada por um tumor cerebral, até sua infância, crescendo em uma casa amaldiçoada.
Esta será a terceira adaptação de King pelo o cineasta após os incríveis ‘Jogo Perigoso‘ e ‘Doutor Sono‘.
Tom Hiddleston (‘Loki’) estrela a adaptação. O elenco ainda conta com Chiwetel Ejiofor, Karen Gillan, Jacob Tremblay, Mark Hamill, Matthew Lillard e Heather Langenkamp.
