‘A Órfã’ brasileira? Mulher de 37 anos é presa após fingir ter 12 anos

Um caso real com contornos que ecoam os mais tensos suspenses psicológicos como ‘A Órfã’ eUma Família Perfeita chamou a atenção das autoridades e do público nesta semana. Amanda Maria Souza de Oliveira, uma mulher de 37 anos, teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça de Santa Catarina após passar os últimos 14 meses fingindo ser uma pré-adolescente de 12 anos para conviver e ser acolhida por uma família local.

Conforme o G1, Embora a prisão tenha ocorrido recentemente em Santa Catarina, os primeiros indícios da farsa começaram a vir à tona anos antes, em Minas Gerais.

Em 2017, Amanda chegou a uma casa de acolhimento em Belo Horizonte utilizando o apelido de “Karol”. A diretora da instituição e assistente social, Delma Soares, mantinha uma excelente relação com ela, sendo constantemente presenteada com cartas, desenhos e bilhetes que reforçavam a imagem de uma adolescente dócil e em extrema situação de vulnerabilidade.

Na época, Amanda chegou ao local com graves ferimentos provocados por agulhas e pedaços de arame. Ao ser atendida no Hospital Odilon Behrens, exames de raio-X identificaram diversos objetos metálicos espalhados pelo seu corpo.

A farsa começou a ruir para a assistente social durante as festas de fim de ano, quando Delma apadrinhou Amanda e outras crianças, levando-as para passar o período festivo em sua própria residência. Após quase uma semana de convivência, Delma precisou fazer uma viagem de emergência para Vitória (ES), onde seu irmão havia adoecido, e informou à suposta adolescente que ela precisaria retornar temporariamente ao abrigo.

A reação de Amanda foi imediata e extremamente violenta, revelando uma força física incompatível com a idade que alegava ter. Ela começou a quebrar diversos objetos da residência e passou a desferir socos e chutes que chegaram a danificar o portão de ferro da casa.

Em entrevista ao G1, Delma relembrou o momento crucial: “Quando contei que ela teria que retornar para o abrigo, foi uma reação completamente fora do comum. Ela começou a quebrar objetos e a dar socos e chutes no portão da minha casa. Eu tinha certeza de que ela era maior. Só não tinha como provar. Ela tinha uma aparência infantil e conseguia reproduzir muitos comportamentos de uma criança. Mas naquele momento eu percebi características que não batiam com a idade que ela dizia ter”.

O surto violento deixou convicções claras na assistente social. Delma chegou a compartilhar suas suspeitas com outros integrantes da rede de proteção à criança e ao adolescente, mas, devido à fisionomia infantil e ao comportamento manipulador de Amanda, ninguém acreditou nela na ocasião:

“Quando eu dizia que ela era maior de idade, as pessoas achavam que eu estava equivocada. Eu não tinha provas, apenas a convicção construída pela convivência com ela”, acrescentou.

Livre de suspeitas formais na época, Amanda seguiu estruturando seu vasto “guarda-roupa de personagens”. De acordo com as investigações da Polícia Civil, ela conseguiu viver por mais de um ano com a família catarinense sob as identidades de “Gabriele”, alegando ter fugido do Pará após sofrer severos maus-tratos.

A polícia descobriu que Amanda acumula um amplo histórico de passagens por abrigos em estados como Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, sempre utilizando relatos chocantes de violência extrema para comover entidades e cidadãos dispostos a ajudá-la.

O histórico de “atuações” de Amanda inclui passagens por várias cidades mineiras:

  • Montes Claros (Dezembro de 2024): Sob o nome de “Ane Caroline”, alegou ter sido vítima de agressões físicas e rituais de bruxaria. Sua permanência no abrigo durou apenas cinco dias.
  • Três Corações: Assumiu a identidade de “Ana Clara”, dizendo ter 13 anos e ser natural de Fortaleza. Foi desmascarada após conselheiras tutelares cruzarem dados e históricos de outros estados.
  • Bom Despacho: Funcionários de um abrigo desconfiaram de sua fisionomia e acionaram as autoridades. Na delegacia, ela acabou revelando seu nome verdadeiro, mas se recusou a declarar a idade real.

A Justiça de Santa Catarina determinou a prisão preventiva da suspeita, que agora é formalmente investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

A defesa de Amanda Maria informou que identificou elementos que justificam a realização de um exame de sanidade mental e aguarda os resultados dos laudos psiquiátricos para definir quais estratégias e medidas processuais serão adotadas no processo.

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José Guilherme
Jornalista e redator apaixonado por cinema, séries e animes, sempre em busca de boas histórias para contar e compartilhar.

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