Poucas fotos, um choro tardio, uma investigação familiar. Seguindo esse triângulo de situações através de vídeos e imagens que buscam versões de uma mesma história, o curta-metragem Sebastiana é, antes de mais nada, uma carta de amor de peito aberto, em forma de registro audiovisual. Uma história tocante que, em 15 minutos, nos leva por uma ponte entre questões sociais e a dor de uma família.
Vencedor do prêmio de Melhor Curta-Metragem documental no Prêmio Grande Otelo, o projeto, escrito e dirigido por Pedro de Alencar, nos leva à história de sua avó, Sebastiana, que morreu de forma trágica ao lado de alguns dos filhos, décadas atrás, no Rio de Janeiro. O pai de Pedro, Isaltino, conviveu com essa dor ao longo de toda sua vida, morou na rua, entrou na marinha, estruturou-se e encontrou a salvação ao construir, tijolo por tijolo, a própria família. Anos após a morte dele, Pedro, ainda com dúvidas e desejando saber mais sobre o ocorrido, inicia um caminho de descobertas.
A belíssima narrativa é construída a partir de uma narração em Off, feita pelo próprio Pedro, contando a história de sua família através de matérias de jornais achadas em uma minuciosa pesquisa, desenhos que ilustram emoções e que vão ao encontro das verdades sobre o ocorrido com sua avó, além de passar a limpo a tristeza que se tornou companheira de seu pai. Tudo isso, junta-se a uma série de vídeos caseiros feitos pelo pai, com a câmera na mão, do final da década de 1990.
O projeto, já exibido em muitos festivais pelo Brasil, como o CineBH, Festival do Rio e o Kinoforum, parte da dúvida e dos sonhos e atravessa, de forma dilacerante, a dor. Aponta os preconceitos sociais e transmite as emoções conflitantes de uma inquietude que encontra na arte uma forma de desabafo, um pedaço de registro que é dividido, pedacinho por pedacinho, com o público.
Esse filme não deixa de ser um reencontro com a verdade, um esforço de um filho artista em conter as dores de um pai que já se foi sem saber tudo sobre uma história que atravessou gerações e chegou até nossos corações.


