Preta, Bárbara, Mayah e Lena. Quatro garotas da periferia de São Paulo (mais especificamente na Brasilândia) que lutam para fugir da realidade que estão inseridas. Mulheres, negras, nascidas e criadas na periferia, encontram no rap a maneira mais completa de expressão dos sonhos, desejos e ambições dessas e de muitas mulheres desta realidade. Nasce então o grupo “Antônia” que, em meio a todas as adversidades consegue levar esperança para todos os envolvidos no projeto.

Negra Li, Leila Moreno, Quelynah e Cindy são as quatro cantoras escolhidas por Tata Amaral (diretora do filme) entre 1.200 garotas para protagonizarem o longa. Bem escolhidas e preparadas para o contato com as câmeras, cada uma consegue imprimir com veracidade as nuances de cada personagem, mostrando que, apesar de se encontrarem em várias idéias, estão ali mulheres diferentes, com temperamentos diferentes… mas que se unem por uma verdadeira amizade e bem-querer umas pelas outras.



Além do desempenho acima da média das quatro, temos um elenco que soma muito bem com as quatro garotas, onde podemos destacar Thaíde e Nathalye Cris, como empresário e filha de Preta, respectivamente. Todo o elenco veste os personagens com uma espontaneidade que impressiona, agindo naturalmente em cada uma das cenas e situações.

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Com um tom quase documental, “Antônia” se destaca pela proximidade com o dia-a-dia da vida das personagens. Uma câmera próxima, colada as personagens nos dá sensação de proximidade física e emocional de tudo que está sendo passado. O espectador se torna um pouco cúmplice, um pouco confidente de cada uma delas, o que facilita o contato entre quem está “do lado de cá com quem está do lado de lá”. Em vários diálogos temos a impressão que não existe separação entre personagem e interprete, tamanha a naturalidade com que as falas são ditas, os sentimentos expressados e, principalmente, a música flui. Não podemos esquecer que se trata de um filme sobre jovens cantoras, logo, a música é parte fundamental do sucesso do longa. Além das boas músicas compostas para o filme, as quatro conseguem dar um verniz interessante até para músicas de letra e melodias duvidosas, como e da cena do casamento, onde elas cantam Killing Me Softly.

Também situado em uma região de violência e descaso, Antônia vai na contra-mão de Cidade de Deus, por exemplo. Resolve centrar sua história em objetivos, em sonhos. A violência está ali, a falta de oportunidade e os preconceitos também. Entretanto, é um filme sobre a batalha incansável por um futuro melhor e pela realização de ideais. É um filme que merece ser visto, revisto e assimilado que mesmo nas adversidades existem diversos motivos para seguir em frente.



 

Crítica por: Rodrigo Soares 

 

 



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