Crítica | Olivia Rodrigo lança o MELHOR álbum do ano com o impecável ‘you seem pretty sad for a girl so in love’

Depois de ser catapultada ao estrelato com High School Musical: A Série: O Musical’, Olivia Rodrigo resolveu investir seus esforços em o que se tornaria uma das carreiras mais ilustres do cenário fonográfico contemporâneo. Fazendo uma gloriosa estreia com SOUR, em 2021, Rodrigo apostou fichas em uma construção sonora que remou contra o mainstream e que a tornou um dos emblemas do bedroom pop, além de a transformar em um pináculo da Gen-Z que lhe atrairia atenção crítica e comercial. Dois anos mais tarde, ela voltou ao centro dos holofotes com o poderoso e ácido GUTS, que resgatou de maneira contundente e irretocável o pop-punk dos anos 2000 com referências a Avril Lavigne e blink-182.

Olivia sempre teve uma habilidade inexplicável de transformar os temas mais universais em experiências individuais e, ao mesmo tempo, bastante dialógicas – não só com a geração que acompanha sua incrível evolução artística, mas a qualquer um que já tenha passado por um término ou tenha se apaixonado na vida. Navegando pela complexidade do amor e nunca deixando de lado seu lado inspirador e onírico – que, como ela mesma gosta de explicar, parte de sua personalidade pisciana -, Rodrigo desponta em uma série de peculiaridades e uma indiscutível bagagem cultural que se reflete em cada obra-prima que tem lançado até então.

Agora, ela está de volta com seu antecipado terceiro álbum de estúdio, you seem pretty sad for a girl so in love, que chegou às plataformas de streaming neste último dia 12 de junho. A promoção da nova era se deu início com o pop-rock e synth-pop de “drop dead”, uma incrível e apaixonante narrativa que serviu como lead single do compilado de originais; pouco depois, Rodrigo retornou às baladas com o alt-rock de “the cure”, que trouxe referências a Smashing Pumpkins e Foo Fighters à medida que mostrou um lado mais melancólico do próprio amar. O que não imaginávamos é que a talentosa performer estava guardando o melhor para o final, nos presenteando com um corpo de trabalho fabulosamente admirável e que entra para a lista de melhores produções musicais da década.

Olivia dividiu sua mais nova incursão em duas partes: a primeira delas, ‘girl so in love’, inicia-se com a sonhadora e esperançosa “drop dead”, que já foi mencionada no parágrafo acima e que apenas dá o primeiro vislumbre de uma série de incríveis tracks firmadas ao lado de seu parceiro de longa data, Dan Nigro. “stupid song”, que foi escolhido como a terceira canção promocional do compilado, é um antêmico grito em defesa do amor e da paixão irrefreáveis pincelada como uma proposital e autoconsciente lírica que torna-se cada vez mais urgente – e que passa de uma sutil pop-ballad para uma envolvente explosão de synth-pop e synth-rock de forma memorável.

A faixa seguinte, “honeybee”, soa como uma iteração tirada de uma peça musical, com referências que nos transportam à mágica esperançosa de ‘La La Land: Cantando Estações’ em uma clara inclinação à vencedora do Oscar “City of Stars” e pautando-se em uma composição orquestral que nos tira o fôlego – e que se finca em versos adornados com um coral fabulesco e uma cândida e inebriante atmosfera. Já “maggots for brains” traz o college-rock como força-motriz de uma das melhores faixas do álbum em homenagens a The Cure e até mesmo a Joan Jett – com uma ponte encabeçada pela guitarra elétrica e exalta um power-rock inescapável e dilacerante.

you seem pretty sad for a girl so in love destoa bastante de outras produções lançadas em 2026 e, assim como SOUR e GUTS, denota um apreço de Rodrigo por um passado não muito distante, como se ela se sentisse pertencente à estética mais pessoal do punk e do pop-rock dos anos 2000. “u + me = <3”, nesse quesito, é a faixa que melhor representa esse resgate nostálgico, com inflexões a Lavigne e a Paramore ancoradas em uma dupla de versos certeira e que condiz com a conhecida identidade da performer (“they say modern love’s a cruel endeavor / and to that I say, ‘f**k it, whatever’”). A faixa, inclusive, antecipa o término desse primeiro bloco, com a sardônica “my way” e a sinestésica “purple”.

A segunda parte do álbum entra em um universo que explora o outro lado do amor – a decepção, a tristeza e a superação. Iniciando-se com a estupenda “the cure”, Olivia constrói baladas pungentes e que refletem um inegável amadurecimento em sua identidade musical, como é o caso de “begged”, que já havia sido performada no programa ‘Saturday Night Live’, que a coloca em um relacionamento que parece não estar mais dando certo e que a enche de ressentimentos quando ela percebe que implorou por algo que nunca foi dela; “what’s wrong with me” explora, ao lado do lendário Robert Smith, as angústias de estar apaixonado por alguém e não saber se o sentimento é recíproco, dando espaço para uma das baladas mais derradeiras e tristes da carreira de Olivia com “less”.

Rodrigo não deixa de lado seu lado ácido no segundo bloco do álbum, trazendo à vida uma mistura de synth-rock e synth-pop com “expectations”, seguindo os passos de “love is embarrassing” (que integra o compilado GUTS), a coloca seguindo em frente após um enlace romântico que não deu certo e que, agora, elevou seu nível em relação aos homens com quem se relacionar (e, de maneira jocosa e bem-vinda, é possível encontrar referências ao clássico “Material Girl”, de Madonna, na produção de Nigro. E, fechando com chave de ouro, ela promove mais uma guinada de 360º com a aflitiva angústia de “cigarette smoke”, pegando elementos emprestados do indie-rock da banda Keane para compô-la.

‘you seem pretty sad for a girl so in live’ é mais uma joia da era musical contemporânea que, reiterando seu impacto constante e contínuo na indústria, não poderia partir de ninguém mais além da genial, apaixonante e intrincada mente de Olivia Rodrigo.

Nota por faixa:

girl so in love
1. drop dead – 5/5
2. stupid song – 5/5
3. honey bee – 4,5/5
4. maggots for brains – 5/5
5. u + me = <3 – 5/5
6. my way – 4,5/5
7. purple – 5/5

you seem pretty sad
8. the cure – 5/5
9. begged – 5/5
10. what’s wrong with me – 5/5
11. less – 5/5
12. expectations – 4,5/5
13. cigarette smoke – 5/5

avatar do autor
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

Notícias

FENÔMENO! Terror do ANO, ‘Obsessão’ já arrecadou quase US$ 300 milhões mundialmente

Sucesso! O aclamado terror 'Obsessão' (Obsession) já arrecadou quase...

‘Villaflor’: Camille Cottin entra para o novo THRILLER político da Netflix

Segundo o Deadline, Camille Cottin ('Casa Gucci') foi escalada para o...