NOSTALGIA | Os 10 anos de ‘Procurando Dory’, uma das MELHORES sequências da Pixar

Em 2003, Andrew Stanton fazia história ao encabeçar o que podemos encarar como o melhor filme lançado pela Pixar até hoje com Procurando Nemo. A animação, que dosou de maneira certeira comédia e drama em uma jornada transformadora e memorável, acompanhou um peixe-palhaço chamado Marlin (Albert Brooks) deixando o único lugar que conheceu toda a vida para cruzar o oceano em busca de seu filho, que foi raptado por mergulhadores. Conhecendo a divertida e esquecida Dory (Ellen DeGeneres) no caminho, Marlin redescobre o sentido da vida e as belezas que se escondem fora do seguro recife de corais de onde nunca saiu para encontrar a si mesmo em uma emocionante e aplaudível epopeia.

Considerado um dos melhores longas-metragens de todos os tempos e conquistando incontáveis prêmios desde seu lançamento, o filme arrecadou mais de US$900 milhões nas bilheterias e permanece no coração dos cinéfilos como uma das obras-primas da sétima arte. Treze anos depois, Stanton nos convidou a retornar para esse vibrante e colorido mundo com uma das sequências mais prestigiadas da atualidade – Procurando Dory, que chegou às telonas em 2016 e que conseguiu honrar tanto o impacto do título original quanto o inegável legado do icônico estúdio.

Como podemos imaginar, a história agora muda o foco e resolve explorar as origens de Dory, a adorável cirurgião-patela fêmea que se torna membro da família de Marlin e Nemo (este agora sendo dublado pelo jovem Hayden Rolence) após as aventuras do filme anterior. E, depois de termos sido engolfados em um enredo que essencialmente discorreu o reencontro com uma essência perdida, aqui somos arrebatados em uma trama que continua fincada na ideia de família, mas pincelada com elementos de nostalgia e de conhecer o lugar de onde viemos à medida que ela começa a se questionar sobre seus pais – algo que não pensava há muito tempo.

Logo no começo do filme, descobrimos que Dory se separou de seus pais, Jenny (Diane Keaton) e Charlie (Eugene Levy), navegando pela imensidão do oceano procurando-os, mas sem saber exatamente o que fazer – afinal, como bem lembramos, ela sofre de perda de memória recente. Após encontrar um novo lar com Marlin e Nemo, ela se recorda de um detalhe importante de onde poderá encontrá-los, partindo em uma aventura inesquecível ao lado dos peixes-palhaço diretamente para a Califórnia. E, apostando no mesmo ponto de engate de Procurando Nemo, Dory é capturada por funcionários de uma gigantesca instalação conhecida como Instituto de Vida Marinha.

À medida que tenta encontrar um jeito de escapar, enquanto Marlin e Nemo procurando uma forma de entrar no lugar para resgatá-la, Dory conhece um polvo de apenas sete tentáculos chamado Hank (Ed O’Neill), que promete ajudá-la a encontrar os pais caso ela troque de lugar com ele – afinal, Dory foi etiquetada com uma “passagem só de ida” para Cleveland, onde ficará confinada em um aquário (e, considerando que Hank teme o mar aberto mais que tudo, é justamente para lá que ele quer ir). A partir daí, a dupla embarca em uma jornada que os coloca frente a frente com seus próprios fantasmas enquanto lutam para superá-los e apoiar um ao outro.

Apesar de uma estrutura muito parecida com a animação de 2003, Procurando Dory se beneficia de algumas escolhas certeiras que trazem, ao mesmo tempo, despojo e originalidade à história. Visto que já conhecemos os personagens principais, introduzir suas personalidades não é uma necessidade para Stanton, que, como mencionado, retorna à cadeira de direção e, ao lado de Victoria Strouse, também fica responsável pelo roteiro. A ideia por trás da sequência é propositalmente brincar em território familiar, honrando o que veio antes e trazendo elementos distintos – seja nos personagens novos, que ainda incluem o tubarão-baleia Destiny (Kaitlin Olson), a beluga Bailey (Ty Burrell) e o divertido pássaro Becca, que ajuda Marlin e Nemo em sua missão de resgate.

É claro que não podemos comparar a genialidade do primeiro filme, que parte desde o apaixonante design cênico da vastidão do oceano desde a escolha certeira do vocábulo em latim nemo como nome próprio; todavia, Stanton sabe que fugir das sombras da obra-prima que criou no início do século é um trabalho quase impossível e, por essa razão, faz com que a história destrincha a melancolia da solidão calcando uma poética história que se vale mais das construções visuais do que da simbologia em si – e que dialoga com a culpa internalizada que Dory sente, colocando-se como a responsável pela desconfiguração de uma família outrora perfeita (tanto com seus pais quanto com Marlin e Nemo).

Procurando Dory alcança sucesso ao não querer, em momento algum, se equiparar ao impacto de Procurando Nemo – e, considerando essa honestidade em relação à história e aos conhecidos personagens desse universo submarino, é justamente por esse comprometimento com o passado que transforma o longa em uma bem-vinda e sólida sequência.

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Lembrando que o filme está disponível no Disney+.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.