Você provavelmente já ouviu falar do nome George Washington. Sim, é o sujeito que deu o nome para o estado que hoje é a capital dos Estados Unidos. Também é o mesmo que se tornou o primeiro presidente daquele país (e daí o estado levar seu nome). Em muitos filmes, seu nome, seu legado aparecem aqui e ali, mas sua história de vida é particularmente desconhecida para a maioria dos brasileiros. Agora, os cinéfilos poderão sanar um pouco dessa curiosidade através do filme ‘George Washington’, cinebiografia que chega a partir de hoje ao circuito comercial de cinema com distribuição da Heaven Content.

Quando ainda era criança, o pequeno George demonstrava interesse nos estudos e no exército, mas, por conta da sua condição de pertencer a uma família pouco abastada, não pôde frequentar a escola. Isso não o impediu de ler todos os livros possíveis e absorver todo o conhecimento com seu meio-irmão, Lawrence (John Foss). Até o dia em que, em meados dos anos 1750 e num ato de muita ousadia, se voluntaria para mapear o território da Virgínia e Ohio, onde descobre que os franceses haviam montado uma base militar sem autorização. Tal averiguação desencadeia na promoção do topógrafo George Washington (William Franklyn-Miller) para comandante e numa batalha mais tarde conhecida como Guerra Franco-Indígena.
De maneira bastante explicativa, o roteiro de Diederik Hoogstraten, Tom Provost e Jon Erwin apresenta a juventude e o início da carreira militar do civil George Washington, muito antes de se tornar presidente, trazendo um lado mais humano e, justamente por isso, inspirador dessa personalidade histórica. Por isso, o roteiro não se furta em mostrar as decepções, as falhas, os erros de George, a forma como a sociedade da época o rejeitava e o quanto, por todos esses pontos, sua trajetória não teria sido fácil – e, consequentemente, que sua história bem-sucedida, que hoje podemos conhecer, é fruto de muita perseverança e luta em prol do objetivo/sonho que o jovem civil George possuía para si, para sua família e para seu país.

‘George Washington’ é um projeto muito bem realizado tecnicamente e muito bem interpretado por um elenco que aposta o protagonismo no pouco conhecido William Franklyn-Miller e balanceia com nomes de peso como Andy Serkis (como General Braddock) e Ben Kingsley (como Robert Dinwiddie). Ainda assim, o filme carece de emoção. Talvez o diretor Jon Erwin tenha pedido pra galera segurar a onda para não cair no melodrama, fazendo com que os momentos mais dramáticos não fossem carregados; por outro lado, se por um lado o filme nos aproxima do lado humano do cara que estampa a nota de um dólar, por outro mantém uma distância das emoções desse ser humano, mantendo certo distanciamento neste ponto.
Uma vez que a vida de uma figura histórica com tamanho legado é muito cheia de eventos importantes, o filme se concentra apenas no início da vida adulta de George Washington – de um jovem lidando com o luto até se apegar às ambições de ascensão pelo trabalho e dedicação ao país através do trabalho com o exército, o que culmina na sua promoção mesmo não sendo ele nem britânico, nem de família nobre. Mas o filme não avança para mostrá-lo já como presidente, o que gera um pouco de frustração.
Surpreendente, ‘George Washington’ é um filme bélico sem focar na guerra, mas sim na transformação que o estudo, a experiência, a humildade e a resiliência proporcionam no crescimento de um indivíduo, que, consequentemente, inspira outras pessoas a o seguirem. ‘George Washington’ mostra como naturalmente nasce um líder, quando este ouve e sente aquilo que seu próprio povo compartilha. Um filme inspirador em muitos aspectos.


