Depois de ter feito sua estreia no cenário do entretenimento com a série ‘Bizaardvark’, do Disney Channel, Olivia Rodrigo ganhou ainda mais reconhecimento ao estrelar a elogiada ‘High School Musical: A Série: O Musical’, spin-off da adorada trilogia teen criada e dirigida por Kenny Ortega. Porém, não seria até 2021 que a artista encontraria um estrelato inenarrável ao fazer seu début no cenário musical com uma das canções mais ovacionadas e consumidas do século, “drivers license”, que abriu as portas para uma carreira fonográfica recheada de prêmios e que continua angariando fãs ao redor do mundo.
Após lançar seu primeiro álbum de estúdio, ‘SOUR’, Rodrigo mostrou que veio para ficar ao apostar fichas em uma interessante remodelação do pop mainstream e se tornar um dos emblemas do bedroom pop, afastando-se da maximização criativa e apostando fichas em construções mais manufaturadas e que ofereciam uma visão ácida e inesperada sobre a vida e sobre as angústias de ser jovem num mundo em constante mudança. Não é surpresa que ela tenha conquistado três estatuetas do Grammy pelo impacto que causou, incluindo a de Artista Revelação.
Em 2023, a performer nos surpreendeu mais uma vez com o aplaudido ‘GUTS’, que abriu portas para uma predileção pelo pop-punk e pelo pop-rock com inúmeras homenagens aos ícones dos anos 2000, como Avril Lavigne e blink-182, investindo mais esforços em uma maturidade lírica apaixonante e uma sardônica exploração de seus anseios e seus medos – que lhe rendeu mais indicações ao Grammy e hits como “vampire” e “bad idea right?”.
Agora, Rodrigo finalmente retornou ao mundo da música com o lançamento de seu terceiro álbum de estudo, ‘you seem pretty sad for a girl so in love’. Entrando em um território ainda mais amadurecido e que foi promovido com o lançamento dos singles “drop dead” e “the cure”, a cantora e compositora reiterou seu próprio status no cenário musical e voltou a encantar seus fãs.
Pensando nisso e celebrando a já ilustre carreira de Olivia Rodrigo, preparamos uma lista ranqueando suas dez melhores músicas.
Confira abaixo as nossas escolhas e conte para nós qual a sua favorita:
10. “GOOD 4 U”
Álbum: SOUR
Se há algo que Olivia sabe fazer muito bem é construir reflexos das angústias e dos problemas da vida jovem-adulta com uma análise sarcástica e quase cética do que a incomoda. Quando pensamos nisso, talvez não haja uma faixa que melhor represente esse seu apreço além da ácida “good 4 u”, cujo impacto, inclusive, pode ser visto em outras narrativas irônicas de sua discografia, como “bad idea right?” e “get him back”. Aqui, Rodrigo trabalha com quebras de expectativa muito sagazes, dando vida a uma nostálgica vendeta pessoal que mistura pop-punk, grunge e pop-rock em um mesmo lugar.
9. “VAMPIRE”
Álbum: GUTS
“vampire” mantém Olivia firme à identidade apresentada em seu primeiro álbum, mas de uma forma mais amadurecida. O estilo mencionado no parágrafo acima é deixado de lado em prol de um retorno a meados dos anos 2000, em que o pop rock ganhava vida através de uma ótica teen; é a partir daí que a progressão sonora de track emerge, iniciando com um piano melódico e propositalmente dissonante.
8. “LESS”
Álbum: you seem pretty sad for a girl so in love
Olivia tem uma capacidade descomunal em nos emocionar com baladas e pungentes que trazem frustrações, decepções e uma necessidade quase mandatória de superar o que foi causado por outros – e, seguindo os passos de “the grudge”, que integrou seu álbum anterior, “less” emerge como uma das melhores canções que já escreveu. Aliando-se ao talento de seu colaborador de longa data Dan Nigro, a faixa fala sobre amar tanto uma pessoa que é necessário deixá-la ir, por mais que a dor seja incomparável e aflitiva.
7. “LOGICAL”
Álbum: GUTS
A mística e letárgica mistura de folk e dream-pop de “logical” são excruciantes do começo ao fim: aqui, Olivia deixa que as frustrações de seu eu-lírico sejam exprimidas como ela bem entenda, permitindo que seu arrependimento fique marcado como um crucial coming-of-age. As impactantes notas do piano retornam como uma de suas marcas registradas, à medida que ela adentra o refrão com a pungente frase ” você me faz pensar: 2 + 2 = 5, e eu sou o amor da sua vida”.
6. “BAD IDEA RIGHT?”
Álbum: GUTS
“bad idea right?” é uma daquelas faixas que transforma o universal em particular e o particular em universal – colocando-a numa atemporalidade deliciosa e muito sarcástica que reflete o ácido humor que Olivia sempre colocou em suas produções. Durante breves três minutos, a artista fala sobre se reconectar com um ex-namorado, falando sobre uma recaída com um antigo amor – cuja paixão ainda existe, mesmo entre trancos e barrancos. E, como se não bastasse, é bastante perceptível a bagagem cultural que Olivia carrega consigo para garantir que a canção desperte uma narcótica familiaridade sem perder o brilho de sua singularidade.
5. “STUPID SONG”
Álbum: you seem pretty sad for a girl so in love
“stupid song” continua uma onda certeira de singles promocionais que Rodrigo escolheu para investir em seu aclamado terceiro álbum de estúdio, ‘you seem pretty sad for a girl so in love’, com uma mistura de synth-pop e synth-rock que nos arrebata desde os primeiros segundos. Começando como uma balada romântica em potencial, a belíssima arquitetura da faixa transforma-se em uma explosiva e urgente declaração de amor que é encapsulada pelo propositalmente autoconsciente verso “e eu quero você mais do que qualquer música estúpida consegue dizer”.
4. “THE CURE”
Álbum: you seem pretty sad for a girl so in love
“the cure” é uma sinestésica e pungente balada alt-rock que volta a colocar Rodrigo como uma das melhores no que faz. O segundo single do álbum ‘you seem pretty sad for a girl so in love’ é um lembrete de que, por mais que esteja atrelada aos temas que explorou em incursões predecessoras, Olivia tem uma capacidade incrível de nunca se valer de comentários maniqueístas sobre a complexidade do amor e do trauma – aproveitando o espaço para trazer referências a Foo Fighters e Smashing Pumpkins em uma viagem de volta aos anos 1990.
3. “BALLAD OF A HOMESCHOOLED GIRL”
Álbum: GUTS
Ainda que se afaste da imagética arquitetada em ‘SOUR’, Rodrigo pega os melhores aspectos de seu début e as transforma em força-motriz de sua nova obra. Em “ballad of a homeschooled girl”, o fraseamento irrompe como característica marcante, com cada um dos versos pronunciado de formas infinitas que dialogam com as angústias jovens-adultas. Mas, como a cereja do bolo, ela mergulha num anacronismo encantador que bebe do post-grunge, do rock e do pop-punk.
2. “DRIVERS LICENSE”
Álbum: SOUR
A conquista de Rodrigo sobre o cenário mainstream definitivamente veio com o lançamento de seu primeiro single oficial, “drivers license”. Tornando-se a maior estreia feminina de todos os tempos – debutando em primeiro lugar nos charts da Billboard pelo íntimo bedroom pop a que se prestou a construir, a canção recebeu aclame universal por parte da crítica internacional e nos deixou bastante intrigados para descobrir o que vinha a seguir e o que a artista estava escondendo em sua borbulhante mente.
1. “THE GRUDGE”
Álbum: GUTS
Já ficou bem claro que Rodrigo não tem nenhum problema em dizer o que pensa, principalmente com os títulos de suas músicas – e “the grudge” não é nenhuma exceção. Traduzida para “o ressentimento”, a música permite que a cantora construa uma ponte estrutural com “drivers license” de maneira poética e que acrescenta mais uma obra-prima à sua jovem carreira. Aqui, ela pondera o término de um relacionamento que ainda machuca e que culmina com alguns dos versos mais dilacerantes da memória recente (“é preciso de força para perdoar, mas não me sinto forte”).



