Quem é rei, nunca perde a majestade. Bem, esse ditado não é inteiramente verdade. Pelo menos não para estas comédias cult de imenso sucesso. Acontece que ser sucesso em uma época específica, não significa que o sucesso irá retornar muitos anos depois. Afinal, muitos filmes são produtos de sua época, de um período específico, no qual se tinha uma mentalidade específica sobre certos temas e assuntos. Assim como a sociedade evolui, o pensamento sobre determinados tópicos também. E assim, como resultado temos filmes que ficam deslocados, tentando resgatar o sucesso que não está mais lá. Abaixo daremos uma olhada em alguns casos assim. Confira.
Abracadabra 2

Uma grande demonstração de perda de prestígio que se tem com o passar das décadas é lançar a continuação de um sucesso dos cinemas direto em streaming. Ou seja, o seu filme, que antes era digno das telonas e levou massas ao cinema, agora ficou restrito a um lançamento para ser assistido em casa. Esse é o caso com quase todos os itens que separamos para você nessa lista. A começar com ‘Abracadabra 2’.
O primeiro filme não foi um sucesso em seu lançamento nos cinemas em 1993, mas fez barulho no mercado de vídeo nas locadoras, tornando a história sobre o trio de irmãs bruxas um item cult adorado por gerações. Esses fãs clamavam por uma sequência por três décadas. Até que ela finalmente chegou, diretamente na Disney+. E não apenas isso, como não gerou, nem de perto, o mesmo burburinho do anterior. De qualquer forma, novos rumores apontam para um terceiro filme ainda.
Desencantada

Seguindo a mesma linha de sucesso cult, ‘Encantada’ é outra produção da Disney, mirada para toda a família, que colocou verdadeiramente o nome de Amy Adams no mapa (apesar de a atriz já ter sido indicada ao Oscar antes disso, mas por um filme que ninguém conhece até hoje). A ideia aqui era subverter o conto clássico das princesas, mostrando que a mulher empoderada não precisa mais de um príncipe (mesmo já em 2007). ‘Encantada’ recai praticamente na mesma categoria do primeiro ‘Abracadabra’, embora tenha feito muito mais sucesso em sua estadia nos cinemas. Assim, no mesmo ano de ‘Abracadabra 2’, a Disney lançava também ‘Desencantada’, a continuação do sucesso com Adams. E o que podemos dizer é que ‘Desencantada’ passou tão em branco, que muitos sequer notaram que o longa foi lançado.
Um Príncipe em Nova York 2

Já tivemos continuações de sucessos dos anos 90 e dos anos 2000, agora voltaremos mais um pouco no tempo para a sequência de um cult dos anos 80 (a época mais inesquecível e incorreta da história da humanidade). No entanto, o que podemos dizer é que ‘Um Príncipe em Nova York’ foi um sucesso retumbante, que se tornou um dos maiores trabalhos da carreira do astro Eddie Murphy. O ator havia se tornado um astro internacional em 1984 com ‘Um Tira da Pesada’, e quatro anos depois consolidaria sua carreira como um dos maiores nomes de Hollywood – graças ao primeiro ‘Um Príncipe em Nova York’. Durante mais de três décadas, o primeiro filme se manteve como um dos melhores que nunca haviam ganhado uma continuação. Isso mudou em 2021, com a sequência lançada direto para a Amazon Prime Video – sem, é claro, o mesmo impacto cultural do icônico primeiro.
Um Maluco no Golfe 2

Os fãs já perceberam a mais nova tendência de Hollywood: as sequências-legado, ou seja, continuações tardias de grandes sucessos cult do passado. Seja dos anos 80, 90 ou 2000. O que o público já pôde perceber também é que tirando raros casos (vide, ‘Top Gun Maverick’ e o recente ‘O Diabo Veste Prada 2’), em sua grande maioria essas sequência-legado deixam muito a desejar. Foi assim com ‘Um Maluco no Golfe 2’ também. O que todas elas têm em comum é que se tornam lançamentos exclusivos nos streamings – ou seja, se fosse antigamente, seriam consideradas continuações direto em vídeo de algum sucesso dos cinemas. ‘Um Maluco no Golfe’, de 1996, não foi um enorme sucesso comercial, mas se tornou um dos filmes mais apreciados da carreira de Adam Sandler (quiçá sua comédia mais querida). E bem, a continuação, como sabemos, passou bem longe disso, apesar da expectativa.
Borat 2

O mesmo pode ser dito da sequência de ‘Borat’. O primeiro filme, de 2006, se tornou uma das comédias mais incorretas da história do cinema. Pertencente ao gênero conhecido como “mockumentary”, o longa original era herdeiro do clássico ‘Isto é Spinal Tap’ e influenciou obras como ‘O que Fazemos nas Sombras’, por exemplo. Aqui, acompanhamos um repórter cazaquistanês viajando até os EUA para o maior choque cultural que o cinema já viu. ‘Borat’ se tornou um fenômeno pop, sendo imitado e referenciado em todos os cantos, se tornando inclusive uma das melhores comédias de todos os tempos, na opinião de muitos. Mas essa era uma época em que se fazer humor incorreto ainda era permitido. Em meio à pandemia, com um lançamento direto no streaming, o segundo ‘Borat’ seguiu com seu estilo incorreto, desafiando os padrões atuais. Porém, o público atual já tem outra mentalidade, e viu tudo de outra forma. Resultado, o segundo ‘Borat’ sequer foi notado.
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda

Esse é o único exemplo da lista em que a sequência foi lançada nos cinemas, embora tivesse toda a cara de uma estreia direto na Disney+. O que acontece é que a estrela Jamie Lee Curtis, ainda mais depois de seu prestígio na vitória do Oscar 2023, deve ter lutado com unhas e dentes para colocar esta continuação nos cinemas. E deu certo. O problema é que ninguém estava a fim de prestigiar. O primeiro filme, ‘Sexta-Feira Muito Louca’, de 2003, era na verdade o remake de uma produção de 1976 chamada ‘Se Eu Fosse Minha Mãe’, estrelada por Jodie Foster novinha como a filha.
Para o remake, os produtores tentaram trazer Foster para o papel da mãe, mas a atriz duas vezes vencedora do Oscar não aceitou. Assim, a solução foi substituí-la por Jamie Lee Curtis. O longa se tornou um sucesso (mais nas locadoras) e marcou a boa fase da então promissora Lindsay Lohan. Em 2025, vinte e dois anos depois do original, chegou a tão aguardada sequência. E bem, o que temos a dizer é que as coisas não são mais como antes, principalmente para a carreira de Lohan. Assim, a sequência conseguiu o feito de arrecadar menos nas bilheterias que seu antecessor.
Good Burger 2

Que filme é esse? É o que a grande maioria pode perguntar. Vamos lá, estamos aqui para explicar. O ano era 1996, e o canal infantil Nickelodeon estava à toda, rivalizando com a programação para toda a família do Disney Channel, por exemplo. Uma das atrações de maior sucesso era a série ‘Kenan e Kel: Dois Caras Muito Doidos’, estrelada por Kenan Thompson e Kel Mitchell, jovens astros negros do canal. O programa durou de 1996 a 2001, e no auge dessa popularidade, a dupla resolveu estrelar seu próprio filme com ‘A Guerra do Hambúrguer’, de 1997 (ou ‘Good Burguer’).
Na trama a dupla interpreta funcionários de uma rede de fast food que leva o título do filme em inglês. O longa, feito para os fãs da dupla e do seu programa na TV, se tornou um sucesso cult. Assim, numa época de sequências-legado para filmes cult que nem todos conhecem, Kenan e Kel também retornaram. E sim, direto para o streaming. Porém, para complicar ainda mais a vida da dupla, seu streaming sequer é popular com a Disney+, a Amazon Prime Video ou a Netflix. Acontece que o filme da dupla foi lançado na Paramount+, que quase ninguém assina.
Zoolander 2

Acima eu havia dito que ‘Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda’ era a única continuação da lista a ter sido lançada nos cinemas ao invés do streaming. Na verdade, temos mais uma. ‘Zoolander 2’ chegava aos cinemas há exatamente dez anos. Durante mais de uma década, o ‘Zoolander’ original (de 2001) teve tempo para crescer e se tornar uma comédia de sucesso cult, graças às locadoras e suas exibições na TV a cabo e na TV aberta. O filme original, escrito, dirigido e estrelado por Ben Stiller, apresenta o personagem título, em uma grande brincadeira com o mundo da moda, das passarelas e dos modelos masculinos. O longa não foi um sucesso retumbante nos cinemas, mas teve tempo de crescer no mercado de home vídeo. Foi esse status de cult que possibilitou o sinal verde para uma sequência quinze anos depois do original. Mas ‘Zoolander 2’ é mais um filme que demonstra que por mais que um filme tenha um público fiel e faça sucesso em uma determinada época, sua continuação irá seguir pelo mesmo caminho.
Pequenos Espiões: Apocalipse

Nos dois últimos itens da lista, teremos filmes infantis mirados para toda a família. E ambos com assinatura do diretor Robert Rodriguez, que nos últimos anos luta para conseguir se envolver com bons projetos. Sua ideia para o ‘Pequenos Espiões’ original (de 2001) era criar um filme que seus filhos pudessem assistir. Um homem muda quando tem filhos, e Rodriguez, após uma carreira fazendo filmes violentos e subversivos de ação, terror e suspense, resolveu criar obras mais aprazíveis para todo tipo de público. Além de testar a capacidade dos efeitos especiais de sua própria companhia, a Troublemaker Studios. Assim nascia o filme original, sobre dois irmãos, uma menina e um menino, que precisam se tornar super espiões tecnológicos para salvar os pais. O sucesso garantiu duas sequências lançadas de forma consecutiva até 2003. Todos escritos e dirigidos pelo cineasta. Em 2011, ele voltava para o quarto filme, com novos atores para um reboot da franquia, que não deu muito certo. E novamente Rodriguez esteve à frente de ainda mais um reboot, em 2023, que não apenas morreu na praia, mas foi ainda menos aceito pelo grande público – lançado direto na Netflix.
Pequenos Grandes Heróis

Finalizando a lista, e também um lançamento da Netflix com assinatura de Robert Rodriguez temos a sequência espiritual do infantil ‘As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl’, de 2005. O filme original é o exemplo de que um cineasta jamais deve ceder ao impulso do nepotismo e deixar seus filhos pequenos participarem de um projeto por pura vaidade. Mas foi o que Rodriguez fez aqui, já que a ideia para o longa partiu de seu filhinho, Racer. A aventura infantil flopou, mas o cineasta até que teve uma tirada criativa para a sequência. Ao invés de simplesmente realizar um filme dois com os mesmos personagens, o que o diretor fez foi criar uma história original sobre heróis e seus filhos, e encaixar os personagens Sharkboy e Lavagirl no roteiro, como coadjuvantes.





