Na última sexta-feira, dia 19 de fevereiro, estreou na Netflix o thriller ácido Eu Me Importo. O filme funciona como denúncia de como a lei permite brechas a serem utilizadas por pessoas má intencionadas. Porém, o que chama atenção mesmo é a performance da atriz indicada ao Oscar Rosamund Pike. Em um dos melhores desempenhos de sua carreira, Pike interpreta a fria e calculista Marla Grayson, uma personagem que faria até mesmo grandes vilões do cinema tremerem nas bases e que talvez chegue inclusive a superar outra mulher ardilosa de seu currículo, a vingativa Amy Dunne, de Garota Exemplar (2014). Não à toa, Pike foi indicada para o Globo de Ouro pelo novo papel, nos mostrando o quanto ela funciona bem com tais personagens.

Inspirados por esse novo e ótimo lançamento da plataforma (que se você ainda não assistiu, largue tudo e faça), e por mais um desempenho de gelar a espinha desta maravilhosa e subestimada intérprete que é Pike, resolvemos numa nova matéria relembrar grandes mulheres frias e calculistas do cinema que nos fizeram amar odiá-las. E sim, que muitos chamariam de vilãs. Vem com a gente passar essa raiva.

Marla Grayson (Rosamund Pike)

Ela foi o motivo que gerou esta matéria, então não poderíamos começar de outra forma que não com ela. Marla Grayson possui os figurinos mais alinhados e chamativos, um corte de cabelo Chanel “na régua” e um negócio promissor, no suspense Eu Me Importo. O que a destaca, no entanto, é sua atitude, frieza e intelecto avantajado. Podemos inclusive dizer que Marla seja quem sabe uma das maiores feministas do cinema. Isso tudo, porém, não a faz uma boa pessoa. Já que seu hobby preferido (e ganha pão / ou a padaria inteira) é se aproveitar de idosos, os interditando, se tornando sua curadora e os extorquindo até o último centavo. E o pior, tudo respaldada pela lei.

Amy Dunne (Rosamund Pike)

As duas melhores personagens de atriz loirinha no cinema não são, digamos, pessoas muito legais. O que as difere é que enquanto Marla é guiada pela razão, Amy é pura emoção. É claro que estamos falando do excelente suspense de David Fincher, Garota Exemplar (2014). Mesmo motivada unicamente a se vingar do marido traste, na pior e mais complexa das vinganças (forjando seu próprio assassinato e o incriminando), Amy não faz nada de cabeça quente, e seus planos são traçados de forma milimetricamente calculada. A seu favor está a capacidade do improviso, sempre confeccionando um plano B quando o primeiro sai errado, conseguindo ainda mais êxito com seus percalços.



Suzanne Stone (Nicole Kidman)

A ambição também pode ser o que move uma “gênia do mal”. Passar por cima de tudo e de todos para atingir seu objetivo. Aqui, com esta aspirante a repórter famosa de uma pequena cidade no filme Um Sonho Sem Limites (1995), de Gus Van Sant, ocorre justamente isso. Fama e sucesso profissional são o que movem a loira fatal, altamente manipulativa, que chega ao ponto de seduzir um menor e eliminar do caminho qualquer um que a impeça, inclusive seu próprio marido. Pense em uma versão feminina de O Abutre (2014).

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Mavis Gary (Charlize Theron)

Um intelecto malévolo pode funcionar até mesmo em menor escala, visando objetivos mais mundanos e, para muitos, banais. É o caso com esta personagem “sem noção” interpretada pela musa sul-africana Charlize Theron no ótimo e subestimado Jovens Adultos (2011), de Jason Reitman. Uma escritora juvenil de sucesso, Mavis Gary não se encontra na melhor forma em sua vida pessoal após o divórcio do marido. Egocêntrica, ela bola o “genial” plano de retornar à sua cidadezinha natal e retomar o relacionamento com um amor do passado. O porém é que o sujeito está agora feliz e muito bem casado como pai de família.



Kathryn Merteuil (Sarah Michelle Gellar)

Melhor papel da eterna Buffy no cinema, a personagem de Segundas Intenções (1999) é baseada na Marquesa de Merteuil, já que o longa é uma roupagem jovem e moderna do clássico literário de Choderlos de Laclos, Ligações Perigosas – cuja adaptação mais famosa aos cinemas é a produção homônima de 1988 com Glenn Close, Michelle Pfeiffer e John Malkovich. Nesta interpretação, Kathryn faz de tudo e mais um pouco, desde manipular o meio-irmão, difamar a reputação da menina mais pura do colégio, até mesmo ensinar beijo de língua para uma colega a fim que ela seduza seu próximo alvo.

Annie Wilkes (Kathy Bates)

Quem disse que toda gênia do mal é sã mentalmente. Aqui temos um caso claro de bipolaridade que escala até a loucura mais acentuada que se possa imaginar. É o que afirma o título em português Louca Obsessão (Misery, 1990). Baseado num livro de Stephen King sem qualquer elemento sobrenatural, aqui temos uma das melhores adaptações do autor para o cinema. E Annie Wilkes é uma de suas melhores personagens. Aqui, King brinca com a mitologia em torno de si próprio e de seus colegas, ao apresentar um escritor de sucesso chamado Paul Sheldon (James Caan), que sofre um acidente na estrada após uma nevasca e recai sob os cuidados da mulher citada, uma enfermeira, coincidentemente (ou não) sua fã número 1. Pelo filme, Bates levou o Oscar para casa.

Catherine Tramell (Sharon Stone)



Ainda no terreno das pérolas dos anos 1990, o diretor Paul Verhoeven, o roteirista Joe Eszterhas e, principalmente, a musa Sharon Stone nos deram de presente uma das maiores gênias do mal da história do cinema: a escritora de suspenses policiais Catherine Tramell. Adepta do sexo selvagem e violento, de mordaças e todo tipo de sadomasoquismo, além de se relacionar com famosos e falar de forma bem aberta, sem qualquer pudor, sobre este tipo de comportamento, a rica e poderosa autora logo se torna a principal suspeita quando seus ex começam a aparecer mortos com requintes de crueldade. E o pior, de formas semelhantes a personagens descritos em seus livros. É claro que falamos do thriller erótico número 1 do cinema, Instinto Selvagem (1992). Não precisava, mas Stone repetiu a dose na continuação em 2006. Vamos fingir que não aconteceu…

Eleanor Shaw (Meryl Streep)

Muitos talvez estivessem esperando a inclusão de Miranda Priestly, personagem de Streep em O Diabo Veste Prada (2006), nesta lista. Mas acontece que Miranda não é tecnicamente um “gênio do mal” no sentido literal, apenas uma chefe megera pra lá de exigente. Ela não seria capaz de matar alguém para atingir seus objetivos, por exemplo. Ou será que seria? De qualquer modo, temos certeza da índole desta outra personagem do monstro sagrado Streep, no filme Sob o Domínio do Mal (2004), uma matriarca sedenta pelo poder que comete os crimes mais hediondos para colocar o filho no poder da Casa Branca. Entre ela e seu objetivo se encontra um atormentado sargento das forças armadas vivido por Denzel Washington.

Anna Morales (Jessica Chastain)

A indicada ao Oscar Jessica Chastain se especializou em interpretar mulheres fortes, seguras, bem sucedidas profissionalmente, mas também frias, objetivas e calculistas. Neste repertório estão trabalhos em filmes como A Hora Mais Escura (2012), Armas na Mesa (2016) e A Grande Jogada (2017). Nossa escolha para esta matéria, no entanto, é por seu papel nesta pequena obra-prima do diretor J.C. Chandor, O Ano Mais Violento (2014), que talvez não receba do grande público a atenção que merece. Provando o argumento está uma indicação para Chastain no Globo de Ouro de 2015. No filme, ela é uma verdadeira “Lady Macbeth”, matriarca de uma família do crime, cujo marido luta com todas as forças, mesmo precisando bater de frente com a esposa para isso, a fim de tornar seu negócio legítimo.


Ramona Vega (Jennifer Lopez)

A extrema malandragem e sagacidade podem ser usadas como genialidade do mal, dependendo do que se faz com elas. Baseado numa história real, a musa latina Jennifer Lopez no auge de seus 50 anos vive a stripper Ramona, que apadrinha novas profissionais da dança no clube em que trabalha. Ela e suas “meninas” fazem uma vida boa para si, mas quando a crise financeira atinge o país, reflete nelas quando os clientes param de chegar. Usando seu conhecimento “de causa” em prol do benefício financeiro “das amiga”, Ramona logo se torna a mente por trás de elaborados golpes em figurões da bolsa de valores. Por As Golpistas (2019) muitos faziam fé que Lopez recebesse sua primeira indicação ao Oscar. Não aconteceu, mas ela foi nomeada ao Globo de Ouro.

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