As produções mais problemáticas da história do cinema

As produções mais problemáticas da história do cinema



X-Men: Fênix Negra foi lançado nos cinemas mundiais após muita confusão nos bastidores, com direito a refilmagens e alguns adiamentos. Anunciado antes mesmo do lançamento de X-Men: Apocalipse (2016), o novo filme do universo mutante estava previsto para estrear em novembro de 2018. Posteriormente, foi jogado para fevereiro de 2019. Como sabemos, a data final acabou sendo junho do mesmo ano.

Mas não ficou só nisso. Rumores apontam para um clima de insatisfação por parte do elenco, especialmente Jennifer Lawrence. Antes de ser confirmada na trama, a atriz chegou a dar inúmeras entrevistas falando que não tinha interesse em retornar ao papel de Mística. Ela falou até em “ter sido obrigada a voltar”, uma vez que estava sob contrato e por um compromisso com o diretor estreante Simon Kinberg. Tivemos ainda uma grave denúncia de assédio sexual e abuso de menores por parte de Bryan Singer, produtor do filme e responsável por dirigir nada menos que quatro dos longas da franquia.

É neste clima que o CinePOP resolveu relembrar algumas das produções com bastidores mais conturbados da história da sétima arte. Confira!

 

BOHEMIAN RHAPSODY

Bohemian Rhapsody conquistou quatro estatuetas do Oscar e faturou mais de US$ 900 milhões nos cinemas mundiais. Mas o caminho até o sucesso não foi nada fácil. Em 2010, foi anunciado que o filme contaria com direção de Stephen Frears e com Sacha Baron Cohen na pele Freddie Mercury. Pouco depois, Frears deixou o projeto após desavenças com os integrantes do Queen. Cohen seguiu o mesmo caminho ao perceber que os músicos pretendiam fazer uma cinebiografia que ignorasse as polêmicas acerca de Mercury e que deixasse um pouco de lado sua homossexualidade. Na sequência, Ben Whishaw chegou a ser anunciado como Mercury, mas problemas na agenda o impediram de continuar.

Foi assim que Rami Malek chegou ao papel, mas os problemas nos bastidores não pararam por aí. Além de lidar com as acusações de assédio por parte do diretor Bryan Singer, o filme viu seu cineasta simplesmente desaparecer em meio às filmagens. Com isso, a Fox acabou demitindo o diretor e chamando Dexter Fletcher (Rocketman) para terminar o longa. Como Singer comandou quase toda a produção, seu nome foi mantido nos créditos como único diretor, por determinação do DGA (Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos).

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APOCALYPSE NOW

As filmagens de Apocalypse Now, clássico de Francis Ford Coppola, foram tão problemáticas que renderam até um cultuado documentário sobre os caóticos bastidores da produção: Francis Ford Coppola – O Apocalipse de Um Cineasta. Com o sucesso de O Poderoso Chefão, Coppola conseguiu carta-branca para fazer o projeto que quisesse. E acabou escolhendo um ambicioso épico sobre a Guerra do Vietnã. Buscando a maior autenticidade possível, o diretor optou por filmar no meio da selva, consumindo muito mais dinheiro e tempo do que o esperado. Inicialmente, as filmagens estavam previstas para durar quatro meses. Acabaram levando mais de um ano. O processo foi tão desgastante, que o diretor chegou a perder 45kg durante as gravações.

Ainda no início das filmagens, Coppola decidiu trocar seu protagonista. Harvey Keitel acabou substituído por Martin Sheen, que por sua vez teve constantes brigas com o cineasta e chegou a sofrer um ataque cardíaco.

Engana-se quem pensa que a pós-produção foi melhor. Coppola gravou mais de 200 horas de material e passou três anos na sala de edição até chegar a uma versão final.

 

TITANIC

Terceira maior bilheteria da história do cinema, Titanic é um caso de sucesso na sétima arte. Mas muita gente temeu pelo pior durante a produção. As filmagens acabaram durando muito mais tempo do que o previsto inicialmente e exigiram construções ambiciosas. Inicialmente orçado em US$ 135 milhões, o filme acabou custando bem mais do que isso no fim: US$ 200 milhões. O valor é maior do que o custo do próprio navio Titanic, que custaria cerca de US$ 150 milhões, em números atualizados.

E não parou por aí. Histórias apontam que James Cameron exigia muito dos atores durante as gravações. Com o lema de que “fazer cinema é guerra”, o cineasta submeteu os astros a condições quase torturantes, especialmente no que diz respeito às filmagens na água, sob uma temperatura baixíssima.

 

O HOMEM QUE MATOU DOM QUIXOTE

Em cartaz nos cinemas brasileiros, O Homem que Matou Dom Quixote sofreu para ganhar vida. O cultuado diretor Terry Gilliam começou a pensar no projeto em 1989. Em 98, finalmente conseguiu fundos para iniciar a produção. Jean Rochefort (Quixote) e Johnny Depp (Toby Grisoni) assinaram para o filme e as gravações começaram no ano 2000. Após uma série de problemas, que envolveram uma inundação no set e uma grave doença de Rochefort, as filmagens foram suspensas e, depois, canceladas.

Nos anos seguintes, Gilliam seguiu tentando realizar o longa. Robert Duvall, Michael Palin, e John Hurt chegaram a assumir o papel de Quixote, mas a produção não saía da gaveta. Quando tudo parecia caminhar bem, Depp deixa o projeto por problemas na agenda e Hurt é diagnosticado com um câncer, que levaria a sua morte.

Gilliam só consegue retomar as filmagens em 2017, agora com Jonathan Pryce e Adam Driver nos papéis principais. Em 2018, o filme faz sua estreia no Festival de Cannes, não sem antes um novo problema: uma briga na justiça por causa dos direitos de distribuição quase impede sua exibição no festival. Mas, no final, Gilliam ao menos conseguiu ver seu projeto pronto.

 

 CHATÔ: O REI DO BRASIL

Está achando que problemas nos bastidores são exclusividade de Hollywood? Nada disso! O Brasil também tem seu ícone no quesito produção problemática. 21 anos. Este foi o tempo que Chatô: O Rei do Brasil levou para ser realizado.

A produção começou em 1994, com Guilherme Fontes adquirindo os direitos do livro de Fernando Morais. O ator escolheu o projeto para marcar sua estreia como diretor, e foi ambicioso desde a etapa inicial. Com a ideia de fazer um Cidadão Kane brasileiro, Fontes chegou a articular uma parceria com a American Zoetrope, produtora de Francis Ford Coppola, cujas exigências só aumentaram os custos. A coisa só piorou quando Coppola decidiu não se comprometer com o projeto.

Sem respeitar seu orçamento, Fontes fez opções ousadas, como comprar boa parte dos equipamentos de filmagens e utilizar quase seis mil figurantes. Sem querer retroceder, começou as gravações sem ter o dinheiro para concluí-las. O roteiro exigia locações e reconstituições trabalhosas, e um elenco de luxo foi contratado. O figurino era um destaque à parte, com peças da época de 30, 40 e 50 que vieram diretamente de Los Angeles. Como tragédia pouca é bobagem, um incêndio destruiu boa parte do figurino.

Fontes iniciou as filmagens em janeiro de 1999. Dois meses depois, o dinheiro acabou e a produção começou a ser auditada por órgãos como o Ministério da Cultura e a Comissão de Valores Mobiliários. Sem crédito no mercado, o diretor não conseguia mais dinheiro e, em 2001, viu sua produção ser despejada de um estúdio por falta de pagamento. Em 2006, a Ancine inscreveu Guilherme e sua produtora no cadastro dos inadimplentes do governo, com uma dívida de R$ 36 milhões. Em 2014, o TCU apontou que o valor estava na casa dos R$ 80 milhões. Chatô: O Rei do Brasil chegou aos cinemas em 2015, mas até hoje Fontes tem problemas com a justiça por causa do filme.

 

CLEÓPATRA

Clássico do cinema estrelado por Elizabeth Taylor, Richard Burton e Rex Harrison, Cleópatra foi mais um filmes a sofrer pela vontade de seus produtores em realizar algo épico. Inicialmente, a Fox pretendia gastar apenas US$ 2 milhões na produção. Antes mesmo do início da gravação, os gastos já haviam ultrapassado a casa dos US$ 4 milhões, sendo que só Liz Taylor recebeu US$ 1 milhão pelo trabalho.

Logo no início das filmagens, Joseph L. Mankievitz foi contratado para substituir Rouben Mamoulian como diretor. Os constantes atrasos nas gravações e a necessidade de construir sets grandiosos só aumentaram os custos. Ao final, o orçamento chegou em US$ 44 milhões, o que quase gerou a falência da Fox. Menos mal que foi um sucesso de bilheteria.

 

O MÁGICO DE OZ

O Mágico de Oz é um clássico do cinema e querido por muitos. Mas foi um verdadeiro caos nos bastidores. Antes de ser finalizado, o roteiro passou pelas mãos de 17 pessoas. E a situação não foi muito melhor no que diz respeito à direção. Richard Thorpe foi o diretor contratado inicialmente, mas foi demitido após duas semanas de filmagens. Na sequência, George Cukor assumiu a função de forma interina até que Victor Fleming foi contratado. O último, no entanto, deixa a produção para se dedicar a …E o Vento Levou. King Vidor e Mervyn LeRoy dirigiram as cenas restantes.

A produção também teve problemas à frente das câmeras. Contratado para viver o Homem de Lata, o ator Buddy Ebsen era alérgico à tinta de alumínio que o personagem exigia e acabou substituído por Jack Haley.

 

TUBARÃO

O clássico de Steven Spielberg é um caso raro em que as dificuldades acabaram ajudando o filme. Diante dos problemas técnicos envolvendo um tubarão mecânico, o cineasta se viu obrigado a usar o mínimo possível do “animal”. Até hoje, a utilização discreta do tubarão é considerada um marco em termos de linguagem cinematográfica e da construção de um clima de suspense e tensão.

Nos anos 70, filmar no mar era uma dificuldade ainda maior do que nos dias de hoje. O que inicialmente seriam 55 dias de gravações, acabaram sendo 159 dias, o que desgastou os atores e a equipe técnica. Spielberg também mais que dobrou seu orçamento inicial de US$ 4 milhões.

É claro que ninguém na Universal teve a coragem de reclamar dos custos, afinal o filme faturou US$ 470 milhões nos cinemas mundiais, sendo considerado por muitos como o primeiro blockbuster da história.

 

FITZCARRALDO

Outro exemplo clássico de bastidores caóticos e de um diretor megalomaníaco. Buscando uma autenticidade, o cultuado Werner Herzog fez questão de rodar seu filme em plena floresta Amazônica, no Peru, o que resultou em inúmeros problemas. O principal deles envolveu o protagonista Jason Robards, que ficou doente após seis semanas de filmagens, quando 40% do longa já havia sido rodado. Ele foi substituído por Klaus Kinski. Uma companhia de seguro pagou os custos da produção até ali, mas a necessidade de começar tudo do zero fez com que Mick Jagger deixasse o projeto.

A partir daí, outros problemas começaram. Um membro da equipe foi picado por uma cobra venenosa. Sem estrutura para socorro, acabou tendo sua perna amputada para sobreviver. Herzog e Kinski brigavam constantemente. E o diretor chegou a revelar que bolava planos para assassinar seu ator. Além disso, a produção foi expulsa por uma tribo indígena da região em que filmava no Peru. Os índios também tiveram problema com os abusos do cineasta, até que não aguentaram mais e colocaram fogo no campo da produção.

Herzog levou mais de um ano para encontrar um novo local de filmagem, agora no Brasil. Alguns destes problemas nos bastidores estão presentes no documentário O Peso dos Sonhos.

 

ALIEN 3

O terceiro Alien é um dos capítulo mais questionáveis da franquia. E não ajudou o fato de ter seguido dois ótimos filmes: Alien, o Oitavo Passageiro e Aliens – O Resgate. Mas a falta de qualidade também está relacionada com os vários problemas de bastidores.

Uma das principais razões para o caos envolvendo o longa foi o fato da Fox ter contratado um diretor iniciante, mas não ter dado autonomia para realizar o filme que queria. O diretor em questão é ninguém menos que David Fincher, que viria a realizar obras memoráveis como Seven, Clube da Luta e Garota Exemplar. Então com 28 anos, o cineasta bateu de frente com os executivos do estúdio e lidou com interferências constantes no roteiro, que foi reescrito em meio às gravações.

Sem direito ao corte final, Fincher viu seu filme ser montado por executivos à sua revelia. “Ninguém odeia esse filmes mais do que eu”, chegou a dizer o diretor.



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