O cineasta James Cameron, arquiteto da franquia bilionária ‘Avatar’, trouxe novas atualizações sobre o futuro da saga em Pandora. Em meio a discussões sobre a viabilidade de uma quarta e quinta parcelas, o diretor admitiu que o caminho adiante ainda não está totalmente pavimentado pela Disney.
Conforme reportado pelo The Wrap, Cameron revelou que o sinal verde para o quarto filme não é um fato consumado.
“Para deixar bem claro, nem sequer decidimos se vamos seguir em frente agora. Mas se eu deveria fazer isso – eu diria que é provável, mas não 100% – mas vamos aprender com as lições dos três filmes”, afirmou o cineasta.
Embora ‘Avatar: Fogo e Cinzas’ tenha arrecadado sólidos US$ 1,4 bilhão, o número gerou uma percepção mista nos bastidores da Walt Disney Company. Isoladamente, o valor é astronômico, mas empalidece diante dos US$ 1,8 bilhão de ‘Zootopia 2’ (também lançado no ano passado) e da queda de um bilhão em relação a ‘O Caminho da Água’ (2022).
Paul Dergarabedian, chefe de tendências de mercado da Comscore, contextualiza o cenário:
“É por isso que existe essa percepção. Quando um fim de semana de estreia doméstica de 89 milhões de dólares e quase 1,5 bilhão de dólares no mundo seria visto, em qualquer momento, como uma decepção. Esses são problemas de alto nível para se ter”, afirmou.
Por outro lado, membros da equipe técnica defendem o desempenho:
“É uma besteira que o filme tenha arrecadado 1,5 bilhão de dólares e as pessoas estejam agindo como se fosse ‘Ishtar’. A trilogia arrecadou 6,7 bilhões de dólares, uma média superior a 2 bilhões por filme”, afirmou um integrante da produção de forma incisiva.
A incerteza no cinema reflete-se nos parques temáticos. Há indicações de que a Disney pode estar reconsiderando a expansão de ‘Avatar’ na Disneyland Califórnia, possivelmente priorizando a franquia ‘Zootopia’, que demonstrou maior tração cultural e facilidade operacional.
Especialistas apontam que a atração de ‘Zootopia’ utiliza sistemas de trilhos mais simples de manter do que os complexos passeios de barco e sistemas de tratamento de água exigidos por Pandora.
Para que o quarto e quinto filmes (previstos provisoriamente para 2029 e 2031) avancem, a Disney busca reduzir o risco financeiro. O objetivo é tornar as produções mais baratas e menos extensas que os 197 minutos de ‘Fogo e Cinzas’.
Entretanto, simplificar o processo de Cameron é uma tarefa hercúlea. Cada filme exige duas filmagens completas, uma para captura de performance e outra digital para cenografia e câmeras. Além de artesanato digital, figurinos reais são fabricados pela designer Deborah Scott (indicada ao Oscar) apenas para serem refinados e renderizados por centenas de artistas.
Embora existam rumores sobre a possibilidade de Cameron passar o bastão para um cineasta mais jovem, como fez com Robert Rodriguez em ‘Alita: Anjo de Combate’, críticos e colaboradores temem que a essência de ‘Avatar’ se perca sem o seu criador.
“É a visão dele, é a sensibilidade dele, é isso que impulsiona esses filmes. Desacoplar o cineasta e os filmes poderia ser catastrófico”, diz o crítico Bilge Ebiri.
Apesar das dúvidas em Burbank, a produtora Rae Sanchini afirma que a equipe está “a toda velocidade” definindo cronogramas e orçamentos para as sequências. A percepção interna é que Cameron está agora em uma “missão” para concluir sua saga de cinco partes com um impacto radicalmente diferente.
Como resume um membro da equipe técnica: “Acredito inequivocamente que ele vai concluir sua saga. Nunca aposte contra James Cameron”.
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