Berlinanle 2026 – Resumo dias 7 e 8: John Turturro, Moscas e O Homem Mais Solitário da Cidade



Já conhecemos o vencedor do Urso de Ouro 2026: Yellow Letters, apresentado no primeiro dia da competição, um filme que desde a estreia já apontava para o tom político desta edição da Berlinale. Com o prêmio principal definido, seguimos agora com a análise dos filmes assistidos durante o sétimo e oitavo dias do festival — uma maratona intensa que reafirma a diversidade estética, temática e geográfica da seleção deste ano.

Entre os destaques da Competição Oficial está Moscas (Flies), do mexicano Fernando Eimbcke. Após ter passado pela mostra Panorama no ano anterior com Olmo, o diretor retorna agora em um salto significativo de carreira. O filme trabalha com uma metáfora emocional poderosa e confirma Mbeck como uma das vozes emergentes mais interessantes do cinema latino-americano contemporâneo.

Fernando Eimbcke e elenco de Moscas, filme mexicano

Ainda na competição, o alemão Home Stories, de Eva Trubisky, aposta em um drama psicológico de atmosfera contida, característica do cinema alemão recente. O elenco conta com Max Riemelt — conhecido por Sense8 — amplia o alcance do filme para além do circuito nacional, mas não apresenta um rigor emocional, nem narrativo.

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Fora da competição, na sessão Special Gala, The Only Living Pickpocket in New York, dirigido por Noah Segan, traz John Turturro no elenco e aposta em uma Nova York observada com ironia e melancolia. Uma animação também marcou presença na competição com A New Dawn, do japonês Yotoshi Shimonomiya, uma coprodução com a França. O filme dialoga com a tradição da animação autoral japonesa, evocando inevitavelmente nomes como Hayao Miyazaki, e aposta em uma abordagem poética e existencial que cruza sensibilidades orientais e europeias.

No oitavo dia, um dos filmes mais marcantes da cobertura foi The Loneliest Man in Town, dirigido por Tizza Covi e Rainer Frimmel. Trata-se de uma autoficção delicada protagonizada por Alois Koch, que interpreta uma versão de si mesmo em um retrato profundamente humano sobre memória, perda e resistência em Viena. O filme dialoga com a tradição austríaca de observação da solidão urbana, na linhagem de Michael Haneke e Aki Kaurismäki, mas também carrega uma contemplação sensível que remete ao cinema de Wim Wenders.

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Rainer Frimmel, Tizza Covi e Alois Koch, diretores e protagonista de O Homem Mais Solitário na Cidade

Ainda na competição, The Night of the Stars, de Muhammad Salim Harun, chama atenção não apenas por sua força temática, mas também por sua origem: o Chade, país raramente representado nas grandes competições internacionais. O diretor esteve na mostra competitiva de Cannes em 2021, como Lingüi: Os Laços Sagrados. A coprodução francesa evidencia o apoio do circuito europeu ao cinema africano contemporâneo.

Nas mostras paralelas, Forêt Ivre, da francesa Manon Coubier, apresentado na Perspectiva, sugere uma experiência sensorial e ecológica desde o título, enquanto Liebhaberinnen (Women as Lovers) marca o primeiro longa da diretora alemã Koxi, propondo uma tragicomédia soturna sobre relacionamentos modernos.

Entre tantos olhares e geografias, a Berlinale 2026 se consolida como um espaço onde, independentemente da nacionalidade, o que permanece é a força dos personagens e das histórias que atravessam fronteiras.

Assista ao vídeo com análise dos filmes citados:

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Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.