Consagrado como um dos nomes mais rentáveis da indústria atual, Chris Pratt, estrela das franquias ‘Jurassic World’ e ‘Guardiões da Galáxia’, revisitou recentemente os primeiros capítulos de sua trajetória em Hollywood. Em uma análise franca sobre sua imagem pública inicial, o ator revelou como, durante anos, foi o rosto preferencial dos estúdios para interpretar o “antagonista romântico”, ou, em suas próprias palavras, o “namorado babaca”.
Em entrevista à People, Pratt recordou sua participação na comédia romântica ‘Noivas em Guerra’ (2009). No longa, ele deu vida a Fletcher, o noivo controlador de Anne Hathaway, cujo arco narrativo consistia em tentar impedir o amadurecimento e a assertividade da protagonista.
“Esse é o tipo de papel que eu costumava receber desde o início da minha carreira: o cara com quem você não quer que a garota fique, o personagem desagradável”, confessou o ator. “Me ofereceram muito esse perfil. Vivi de ‘namorado babaca’ por bastante tempo.”
O histórico de Pratt nesse nicho é extenso. O ator desempenhou papéis com características semelhantes em produções como ‘O Procurado’ (2008), ’10 Anos de Pura Amizade’ (2010), além de ‘Uma Noite Mais que Louca’ e ‘Qual Seu Número?’ (ambos de 2011), onde atuou ao lado de sua ex-esposa, Anna Faris. Mesmo em seu trabalho televisivo precoce na série ‘Everwood: Uma Segunda Chance’ (2002-2006), seu personagem, Bright Abbott, frequentemente flertava com comportamentos imaturos e egocêntricos.
A transição para uma imagem mais carismática e heroica começou de forma orgânica em ‘Parks and Recreation’. Originalmente, seu personagem, Andy Dwyer, foi concebido apenas para uma participação curta como o namorado preguiçoso de Ann Perkins (Rashida Jones). No entanto, a química de Pratt com o elenco e sua veia cômica levaram os roteiristas a expandir o papel, transformando Andy no “eterno otimista” da série.
Ao falar sobre a dinâmica icônica com April Ludgate (Aubrey Plaza), Pratt comparou o casal a uma união inusitada entre espécies: “Era como um gato e um cachorro se casando. Ele é como um golden retriever e ela é distante. A personagem dela era ligada à ironia, e ela escolheu a pessoa menos provável para se apaixonar. Esse ato, por si só, era uma ironia rebelde. Eu sempre adorei isso”.
Pratt credita a essa sinergia emocional a permanência de seu personagem por sete temporadas, elevando Andy de um alívio cômico secundário a um dos pilares afetivos do programa.
“Não houve nenhum fio emocional que Andy tenha carregado. Mas houve alguns momentos doces, e foi baseado naquele romance e naquele relacionamento que o tornou mais do que apenas um personagem secundário. Eles, como casal, havia uma certa sinergia. Eles juntos equivaliam a mais do que cada um separado”, declarou.
O encerramento de ‘Parks and Recreation’ coincidiu com a escalação de Pratt para o papel de Peter Quill em ‘Guardiões da Galáxia’ (2014), marco que alterou permanentemente o status de sua carreira. A partir de então, o ator consolidou-se como protagonista de grandes orçamentos, liderando a retomada da franquia ‘Jurassic World’ e, mais recentemente, emprestando sua voz a ícones da cultura pop.
Este mês, o ator retorna aos cinemas em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’, a aguardada sequência do sucesso bilionário de 2023. Refletindo sobre o encerramento de seus ciclos televisivos em 2025, Pratt admitiu sentimentos ambivalentes: “Fiquei triste de deixar aquela família, mas, ao mesmo tempo, animado para seguir em frente e explorar novos horizontes”.

