Com um discurso que segue pela impulsividade causado pela necessidade de vingança – uma questão bastante pessoal e debatida aos montes por aí -, o novo filme da Netflix, que logo alcançou o Top 1 da plataforma, não reinventa a roda sobre o assunto e segue por uma narrativa convenciona, sem muita empolgação.
Geralmente partindo de tragédias e guiando personagens pelos caminhos de uma reta só pela sede de justiça, muitas obras que abordam o tema buscam no impacto de cenas de ação e violência um lugar cômodo que, muitas vezes, chama a atenção mas carece de desenvolvimento dos próprios personagens.

Esse é o caso do novo lançamento da líder dos streamings, o longa-metragem sul-africano 180. Com um protagonista exposto à gangorra da moralidade ambígua, precisando lidar com um labirinto emocional dominado pela violência que está ao seu redor, a obra se limita a entregar um retrato sem profundidade, com lições de moral que se mostram frágeis em torno do tema, que abraça a culpa e o luto de forma conveniente.

Em uma cidade dominada pela violência, Zak (Prince Grootboom), empresário do ramo alimentício e dono de uma rede de hamburguerias, se vê preso em um caminho sem volta quando seu filho é morto por integrantes de uma gangue ligada a um chefão da máfia local, que comanda uma frota de táxis de fachada. Embarcando em uma vingança descontrolada pelas ruas da cidade, Zak ficará a ponto de perder tudo e todos que ama.

Da dor da perda à corrupção policial, o roteiro insiste, sem muita eficiência, a nos levar até uma história em que o comodismo e a busca pelas facilidades dominam as ações – algo que vem se tornando uma constante em alguns lançamentos nos streamings em 2026. A partir do sentimento corrosivo da vingança, somos convidados para uma narrativa repleta de violência que não impacta nem sugere, e ainda trava em camadas superficiais ao longo de seus 94 minutos.

Escrito e dirigido por Alex Yazbek, 180 é mais uma daquelas obras que tentam transformar uma ação desenfreada em um organizado caminho para camadas dramáticas. A questão aqui é que nem uma coisa, nem outra funciona, nos conduzindo rapidamente para um filme preguiçoso, que começa, acaba e logo vamos esquecer.


