Crítica 2 | Independence Day: O Ressurgimento

spot_img
spot_img
CríticasCrítica 2 | Independence Day: O Ressurgimento

Nem a nostalgia consegue salvar o desastre que é o novo filme-catástrofe de Roland Emerich

O experiente cineasta Roland Emmerich é conhecido mundialmente por sempre realizar ou estar envolvido com o subgênero chamado de filme-catástrofe. Desde o início da carreia suas produções bastante calcadas na ficção cientifica, mas geralmente escapistas, despertavam o interesse do espectador médio e conseguiam atrair uma boa média de público. Algumas delas eram deveras intragáveis – Godzilla (1998), 10.000 A.C. (2008) e 2012 (2009) – e outras cumpriam bem o papel de entreter – Soldado Universal (1992), Stargate – A Chave para o Futuro da Humanidade (1994) e O Dia Depois de Amanhã (2004) – no entanto a que mais chamava atenção era Independence Day (1996), pois, apesar do orçamento médio para um blockbuster, o longa trabalhava maravilhosamente bem com seus efeitos visuais e possuía personagens cheios de carisma.

Mesmo faturando bastante, é curioso que tenha demorado tanto para que uma continuação saísse do papel. O próprio diretor cogitou a possibilidade de lançar mais dois filmes chamados de Independence Day: Forever – Part 1 e Part 2, algo que foi solenemente ignorado pela Fox, que nem sequer ventilou a possibilidade de uma terceira parte. Aliás, o roteirista Dean Devlin foi contratado para escrever a então aguardada sequência, porém não gostou do trabalho que fez e decidiu devolver o valor que ganhou à produtora. E só após quinze anos, quando Emmerich o chamou para trabalhar na continuação, Devlin sentiu ter a trama perfeita, ledo engano.

082656.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Reunindo praticamente todo elenco do anterior – menos o protagonista Will Smith, por questões orçamentarias – chega ao cinema Independence Day: O Ressurgimento, agora três vezes mais caro que o original e com a promessa de trazer sequências de ação tão marcantes quanto as que vimos no longa anterior. A trama é de fato uma continuação direta do primeiro evento e ocorre exatamente vinte anos depois – não no ponto de vista dos alienígenas, onde foram passadas apenas algumas semanas. Estes que atacam a Terra novamente com armas ainda mais poderosas e em maior número. Onde o então exercito americano e um grupo de jovens pilotos irá defender o planeta a fim de atacar o ponto fraco e acabar com a ameaça.

Obviamente a plot simplória e batida já faria qualquer espectador pensar estar diante de mais uma grande e boba produção hollywoodiana, onde primeiramente imaginam-se as cenas de batalhas e explosões para depois se pensar na história que irá amarrar tais andamentos. E provavelmente devam estar certos, já que é exatamente essa a impressão que se tem ao assistir essa segunda parte. Em dado momento, depois de tantos ataques aéreos e embates com infindáveis trocas de tiros, não se sabe ao certo o que está acontecendo em tela, somente que são humanos lutando contra extraterrestres invasores.

007951.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Sensação esta que vem sendo recorrente em produções como Transformers: O Lado Oculto da Lua (2011), Battleship – A Batalha dos Mares (2012) e Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (2011), onde cenas megalomaníacas isoladas se sobrepõem à trama contada. Não que os efeitos visuais sejam ruins e a direção de arte deixe a desejar, pelo contrário, pois são eficientes e em muitos momentos impressionam. O caso aqui é justamente a utilização vazia destes artifícios, que se bem encaixados poderiam gerar sensações impactantes.

Outro ponto a se destacar é a falta de noção nas gags de alivio cômico. As piadas ou as tiradas são por sua maioria sem graça ou aparecem fora de tempo, não conseguindo assim cativar a plateia. Somente quando surgem os antigos personagens como o presidente canastrão Whitmore de Bill Pullman, o ranzinza cientista David Levinson (Jeff Goldblum) ou Brent Spiner com o hilário Dr. Brakish Okun é que nos salta a nostalgia e de certa forma matamos saudades – algo que o público mais novo não deve sentir. Talvez a boa presença da dupla de pilotos interpretada por Liam Hemsworth e Maika Monroe traga um frescor ao time. Mas se no primeiro filme tínhamos personagens queridos por ter um bom tempo de tela e serem desenvolvidos, aqui só os vemos em combate e no geral pouco nos importamos com eles.

314298.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

O roteiro é um verdadeiro desastre e possui diálogos vexatórios. Ufanista por si só, não é surpresa vermos repetidos discursos falando da importância da nação na guerra e que esta deverá “enfrentar o inimigo” até o último suspiro. Alegorias visuais como um prédio desabar e a bandeira dos EUA continuar firme e tremulando são exemplos claros da pieguice em questão. E quando aborda personagens de outras nações, o faz da forma mais caricatural possível, a exemplos de arquétipos chineses, franceses e africanos – este em especial, com tecnologia rudimentar, consegue decifrar o idioma dos alienígenas, quando os maiores físicos do mundo desconhecem completamente. Ou quando o velho e ex-presidente, visualmente doente, decide pilotar uma aeronave e embarcar numa espécie de missão suicida, evidenciando o “amor patriótico” que tem. Ainda é machista ao ponto de colocar uma mulher como presidente tomando inúmeras decisões erradas e sendo salva por dois ex-presidentes homens.

Enfim, é um apanhando de bobagens que só deve divertir por seus efeitos visuais criarem situações megalomaníacas, já que investe muito pouco nos dilemas de suas figuras humanas e nada relata sobre o impacto que tal invasão está causando em meio à sociedade. Independence Day: O Ressurgimento é um filme sem alma, sem coração, sem emoção. Uma produção que facilmente poderia ser resumida como esquecível.

avatar do autor
Wilker Medeiros

Inscrever-se

Notícias

Tom Hanks admite que ODEIA alguns de seus filmes

Em uma recente entrevista ao The New Yorker, o...

10 filmes que vão virar seus favoritos da semana

Toda nova semana vamos trabalhar já pensando no próximo...

Amor é TESTADO no trailer de ‘Buzzheart’, novo TERROR do diretor de ‘A Última Casa’

O terror psicológico 'Buzzheart' ganhou o primeiro trailer.Confira e...

‘Scooby-Doo’ ganhará série animada com RETORNO de Matthew Lillard

De acordo com o Variety, Matthew Lillard ('Pânico') reprisará...