Crítica 2 | Malévola: Dona do Mal – A Bela acorda e o público adormece

Crítica 2 | Malévola: Dona do Mal – A Bela acorda e o público adormece

Nota:


Malévola: Dona do Mal chega aos cinemas mais perdido do que os executivos que aprovaram esse projeto. Sem ter muito mais o que contar, a continuação do sucesso de bilheteria de 2014 debuta nas telonas com quase duas horas de puro lenga-lenga e encheção de linguiça. Desperdiçando um elenco estelar e mais uma vez tentando transformar a bruxa má na heroína da história, o filme é um verdadeiro teste de paciência para quem for levar os filhos, sobrinhos ou irmãos pequenos ao cinema.

Desde os primeiros minutos do longa, fica perceptível que a equipe criativa não soube decidir entre manter o clima mais dark do antecessor ou abraçar o estilo clássico e batido dos contos de fadas não tão famosos do grande público. E isso reflete não apenas no visual, mas no estilo narrativo. Eles seguem tentando contar a história da Bela Adormecida pela ótica da vilã que não é vilã, mas agora esbarram em outro desafio: a princesa Aurora (interpretada pela fofa Elle Fanning) não apenas é um personagem que tenta conquistar seu espaço em tela, mas também tem seu próprio núcleo de personagens. Isso acaba fazendo de Malévola uma coadjuvante de sua própria história.

Depois de muito sofrimento de roteiro com cenas e diálogos que não acrescentam em nada na mitologia proposta nessa interpretação, mergulhamos um pouco na origem desconhecida de Malévola. Bem pouco mesmo, porque a origem de sua “raça”, apesar de ser interessante, é tratada da forma mais superficial possível, utilizando o talentoso Chiwetel Ejiofor para algumas poucas cenas que prometem bem mais do que realmente entregam. E é isso que torna a experiência ainda mais frustrante. Você vê que talvez fosse possível explorar algo diferente na trama e trazer um pouco de inovação, só que a equipe “criativa” é tão acomodada que se satisfaz em mostrar o básico da forma mais genérica possível.

Ao longo do filme, diversos temas que valem o debate são tocados, porém, nunca chegam a ser desenvolvidos. Eles tentam falar sobre sensação de pertencimento, espaço familiar, monarquia, guerra e paz, só que nunca desenvolvem nada disso. É tudo ridiculamente superficial. Passa o sentimento de que nem mesmo os produtores acreditaram no projeto e só fizeram a sequência para ganhar dinheiro.

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Mas você deve estar pensando: filmes da Disney que fraquejam no roteiro pelo menos entregam um espetáculo visual, certo? Errado! O roteiro de ‘Malévola 2‘ só não é pior que o uso de CGI. O visual das criaturas mágicas é digno das computações gráficas do início dos anos 2000. Eles não conseguem passar nem realidade e nem abraçar o visual “cartoon” para fazer algo com o mínimo de personalidade. Ou seja, é ruim.

O CGI de ‘Malévola 2’ vem aí pra garantir o pesadelo da garotada

Os personagens humanos são picolé de chuchu total. Até mesmo a personagem de Michelle Pfeiffer, que promete entregar algumas nuances e camadas, acaba se mostrando um personagem mega superficial e previsível. Ao fim, quem se salva dessa confusão toda é a própria Angelina Jolie. Coitada, ela entendeu que a Malévola é uma personagem que pode marcar sua carreira e fica nítido como ela se esforça para aquilo dar certo. A atriz está super confortável no papel e entrega a ambiguidade que essa versão da personagem propõe. A própria Elle Fanning não está mal. Mas só. Nem mesmo elas e um bom trabalho de figurino, que aí sim segue o padrão Disney de qualidade, são capazes de salvar a grande bomba da Disney em 2019.

Em um filme completamente mecânico, até Michelle Pfeiffer perde um pouco do brilho.

 



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