Crítica 2 | Vingadores: Guerra Infinita – O evento cinematográfico de uma geração

Crítica 2 | Vingadores: Guerra Infinita – O evento cinematográfico de uma geração

Nota:

Planejamento é a chave para o sucesso. Essa frase define perfeitamente o Universo Cinematográfico da Marvel. Dez longos anos repletos de filmes solos de seus heróis mais famosos. Entre uniões de equipes e colaborações, nunca houve nada parecido na história do cinema e esse talvez seja o maior de todos os méritos do Marvel Studios. Todas as tramas e subtramas culminam em um único lugar: Vingadores: Guerra Infinita. Mas será mesmo que o desfecho faz jus ao empenho?

Na trama, os super-heróis mais poderosos e influentes do mundo precisam, mais uma vez, se unir para enfrentar uma ameaça vinda do espaço. Porém, dessa vez o inimigo é superior à todas as suas forças juntas. Thanos finalmente decide buscar as seis Joias do Infinito, espalhadas por diferentes planetas e lugares, incluindo a Terra, para completar a sua Manopla e restabelecer o equilíbrio do Universo, segundo sua visão destorcida da realidade.

Com a direção precisa e inteligente dos Irmãos Joe e Anthony Russo, que já mostraram toda sua maestria em Capitão América: Soldado Invernal, talvez um dos mais perfeitos filmes desse universo, o novo filme que une (quase!) todos os super-heróis da Casa das Ideias tem a difícil tarefa de encontrar espaço para que cada um possa ter sua relevância. Diferente de outros filmes do gênero, como o recente Liga da Justiça, por exemplo, isso é desenvolvido com cuidado para que todos possam brilhar, e brilham de fato, cada um em seu momento. O que parecia mais difícil foi vencido de forma satisfatória.



O roteiro inteligente dá mais foco aos heróis que estão diretamente envolvidos com a trama e deixa alguns em segundo plano, como foi o caso do Capitão América (Chris Evans), que não consegue se sobressair dessa vez, uma excelente escolha, que abre espaço para acontecimentos mais relevantes. Porém, vem do roteiro também algumas ressalvas. Apesar da possível ousadia em certos momentos, também existem falhas, principalmente quando se trata do fator surpresa. Sabemos que muito do que aconteceu no final da trama será desfeito futuramente, o que alivia a dor de algumas perdas e, consequentemente, a emoção por elas. Não há nenhuma decisão que não possa ser revogada. Onde está então a ousadia nisso?

Problemas à parte, ‘Guerra Infinita’ encontra seu tom desde os primeiros minutos, quando escolhe mostrar que a Marvel pretende seguir caminhos mais ousados e desafiadores, independente se os fãs vão se desesperar ou não. Tendo essa liberdade em mente, algo que foi sendo conquistado durante dez anos, vemos aqui um filme maduro e até mesmo sombrio dentro de seu contexto. Até as piadas, marca registrada, funcionam mais do que nunca como alívio cômico, algo que se perde em filmes que não possuem esse perigo eminente, rimos para espantar a angustia de saber que agora qualquer um dos personagens que gostamos podem partir dessa para melhor.

A empolgação sobressai aos pequenos deslizes da trama, e mergulhamos dentro de uma atmosfera de entusiasmo ao ver personagens que nunca se conheceram antes, interagindo uns com os outros, cada um desempenhando sua busca pessoal na luta contra o mestrão. Em um filme desse porte, é comum a total imersão e deslumbre, fato conquistado com esplendor, guiado pela épica trilha score que cresce conforme a seriedade que o filme alcança.

Os efeitos especiais estão melhores do que nunca e a captura de movimentos de Thanos (Josh Brolin), entre outros personagens, apresenta um realismo impecável, capaz de nos fazer acreditar por completo que aquele ser púrpura está ali como todos os outros personagens.

E como começar a falar de Thanos? Esse é o seu filme, talvez mais que isso, seu momento de mostrar ao mundo seus poderes e sua magnitude. Não há aqui um vilão clichê megalomaníaco, mas sim um personagem com alma, capaz de amar e que não esconde seu sofrimento, algo que não é visto no gênero desde o Magneto de Michael Fassbender na franquia X-Men. Seu poder é inigualável e ele sabe perfeitamente disso, assim como o espectador, e com isso o roteiro dedica seu tempo para mostrar sua jornada em busca das Joias do Infinito e as consequências de cada um dos seus atos. Thanos é agridoce, uma virada de jogo dentro do gênero de super-heróis, uma força da natureza, quase um “Godzilla” que surge para restabelecer o equilíbrio do planeta, ou no caso dele, do Universo.

É comum em um filme menor o ritmo crescer conforme a trama se desenrola, algo que acontece diferente aqui, ‘Guerra Infinita’ inteira soa como um grande clímax de quase 3 horas, e se por um lado tanta ação e pancadaria é bem-vinda, ainda mais considerando que todos os filmes anteriores levaram à isso, também fica aquela sensação de intermédio e insatisfação pelo o roteiro escolher não terminar de forma redonda e deixar um enorme gancho para o que vem à seguir. O que foi vendido como o final de tudo, na verdade, é apenas o começo de um fim que sabemos que está muito longe.

Mesmo imperfeito, Vingadores: Guerra Infinita é um deleite visual e sensorial, uma aula de como juntar tantos atores e ainda assim entregar perfeitas interações entre eles. E claro, mais um enorme passo que o Marvel Studios dá na direção certa, reafirmando que os super-heróis estão nos cinemas em peso e agora são um gênero novo para ser apreciado, quer gostem ou não, é um filme-evento, fruto de muita dedicação, fiel ao material de origem e, acima de tudo, o mais puro e assumido entretenimento audiovisual.

Obs: A cena pós-créditos é a mais empolgante desde o primeiro ‘Homem de Ferro’, mais uma vez mostrando que uma nova Era está para começar. As expectativas são altas.





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