Atenção: spoilers da trama abaixo.
Seguindo o fracasso de crítica e de público de ‘Supergirl’, ‘Lanternas’ tinha um trabalho difícil em resgatar o interesse dos fãs no recém-firmado DCU. Felizmente, a atração criada por Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King teve uma sólida estreia na semana passada ao fincar raízes em uma mistura de ‘True Detective’ e ‘Slow Horses’, trazendo os clássicos tropos dos thrillers de mistérios interioranos às telinhas e construindo uma narrativa instigante e que já se sagrou como uma das melhores do ano. Agora, após a inesperada reviravolta do episódio piloto – em que foi revelado que Hal Jordan (Kyle Chandler) foi assassinado e seu corpo deixado sob uma crosta de gelo em uma arquibancada de um colégio -, voltamos para mais uma semana gloriosa e que expande esse envolvente microcosmos.
Diferente do capítulo anterior, que dividiu a trama em dois momentos distintos na cronologia, a iteração desta semana (“Trust Fall”) é centrada em 2016, quando Hal e John Stewart (Aaron Pierre) continuam a investigar o tiroteio em Rushville, Nebraska. Mergulhando na árida e um tanto quanto inóspita ambientação do meio-oeste estadunidense, Hal pede para que John volta a Coast City para recarregar o anel que lhe garante o poder dos Lanternas Verdes – e com a tarefa de manter um pequeno pássaro criado com a energia do anel vivo. Porém, ao chegar lá, ele é sequestrado por um grupo de alienígenas associados a Waylon Sanders (Chris Coy) – o extraterrestre que se disfarçou como motorista de caminhão no primeiro episódio e que causou um estrago na estação de polícia da cidade -, que lhe pedem ajuda para encontrar um perigoso Caçador de Homens responsável pelo quase extermínio de sua raça.
Enquanto isso, Hal descobre que os detectores de metal do estádio onde o tiroteio aconteceu continham tecnologia alienígena, mascarada propositalmente para não chamar a atenção. Carregado com dúvidas e certo de uma relação entre esse segredo e a presença agourenta de William Macon (Garret Dillahunt), Hal viaja até o rancho do poderoso magnata ao lado da xerife Kerry Kane (Kelly Macdonald) e tenta confrontá-lo; todavia, percebendo que William não iria cooperar e ultrapassando os “limites” que o cowboy impôs, ele leva um tiro no ombro e vai parar no hospital local – aceitando dar uma “freada” em sua personalidade incisiva e sem escrúpulos e garantir que Kerry pudesse fazer o seu trabalho. E, ao se reencontrar com John e tomar conhecimento sobre o Caçador de Homens, ele viaja até uma prisão espacial e se reconecta com seu antigo mentor e agora Lanterna renegado Thaal Sinestro (Ulrich Thomsen), que demonstra um estranho interesse no pupilo de Hal.
Assim como na semana passada, James Hawes retorna como diretor do capítulo desta semana e volta a nos encantar com uma habilidade incrível de nunca perder o ritmo – seja na trama principal que recai sobre os protagonistas, seja nos arcos separados em que cada um embarca. Apoiando-se na estética amarelada e quente que explorou no piloto, Hawes mostra ter mãos muito firmes quando o quesito é construir uma narrativa visual que nos mantenha vidrados do começo ao fim – e faz isso incrementando o enredo com um ácido humor que reafirma as personalidades distintamente gritantes de Hal e John. E, considerando que o diretor tinha um trabalho árduo em manter o altíssimo nível da semana anterior, ele nos entrega uma ótima iteração que leva o tempo necessário para se desenrolar sem se estender muito em cenas descartáveis e mostrando que cada sequência arquitetada tem importância.
Hawes não está sozinho nesta empreitada e une forças com o roteiro de Vanessa Baden Kelly, que ganhou destaque por seu trabalho em ‘Giants’ e ‘A Vida Sexual das Universitárias’ – e que, aqui, expande seus horizontes juntamente a Mundy para um glorioso drama de suspense western firmado com exímia cautela. Os diálogos, por mais que não funcionem em todas as vezes, são fluidos o bastante para esquadrinhar as complexas personalidades não só dos personagens principais, mas dos coadjuvantes, além de caminhar para uma série de acontecimentos inesperados e um apreço pelo choque que, como podemos imaginar, deve ser mantido até o season finale.
Mais uma vez, Chandler e Pierre são o centro das nossas atenções. Pierre explora mais algumas camadas da personalidade mais pé no chão e austera de John, volta e meia rendendo-se a algumas “explosões” quando confrontado pelos ácidos comentários de Hal e por uma seca ironia que já se tornou emblema de sua construção narrativa. Chandler, por sua vez, reitera sua versatilidade com uma performance memorável e que se iguala ao que fez no capítulo anterior – trazendo um certo temor no final do terceiro ato, quando as artimanhas começam a ser reveladas e quando ele percebe que as coisas podem ser muito mais complicadas do que aparentam ser.
‘Lanternas’ retorna com um segundo episódio tão bom quanto o piloto, aumentando nossas expectativas para o que acontecerá nas semanas seguintes e garantindo que essa saborosa atmosfera de suspense e mistério permaneça viva para envolver o público e mostrar que o DCU tem muitas histórias boas para contar – quando se há o comprometimento verdadeiro em fazê-las.
Lembrando que o próximo episódio vai ao ar em 30 de agosto.


