Crítica | Novos episódios de ‘American Horror Story: 13’ se beneficiam da presença de Jessica Lange e Sarah Paulson

O texto a seguir discorre sobre o quarto, o quinto e o sexto capítulos da temporada. Spoilers à frente.

A 13ª temporada de ‘American Horror Story’ teve início na semana passada com três episódios que não conseguiram surtir o efeito desejado – ainda mais considerando o emblemático número que acompanha o ciclo atual. Em meio a diálogos risíveis e uma incapacidade de conseguir manejar os vários núcleos narrativos, Ryan Murphy e Brad Falchuk se apoiaram mais em fanservices do que em uma história que de fato merecesse ser acompanhada – incluindo uma incessante e forçada menção ao número treze que tirou qualquer sutileza da atração em prol de choques baratos e uma tentativa glorificada de regressar às raízes da icônica antologia.

Com exceção de um trabalho cênico significativo por parte do departamento de design de produção e da bem-vinda atuação de Jessica Lange, que retornou à série pela primeira vez desde ‘American Horror Story: Apocalypse’, a trama não entregou o que prometia – ao menos até agora. E, com o lançamento de três novos capítulos no catálogo do Disney+, a iteração finalmente parece estar encontrando sua identidade com uma dinâmica e instigante história que, como já poderíamos imaginar, marcou o regresso de outros personagens icônicos desse panteão do horror para um banho de sangue, sacrifícios e reviravoltas.

Dando continuidade aos eventos da semana anterior, a trama é centrada na última noite do Rauhnacht, uma celebração pagã que, dentro do cosmos da série, serve como uma preparação para o ressurgimento de Satã – aqui encarnado na figura do Sr. Nas (Fedor Steer). Com o retorno de Elizabeth Short (Mena Suvari) do mundo dos mortos, treze almas de mulheres que, quando em vida, não conseguiram atingir seu pleno potencial, são encaminhadas ao inferno para garantir que a ascensão da medonha figura demoníaca esteja em vias de se concretizar – tudo isso supervisionado de perto por Constance Langdon (Lange) e o Sr. Phibes (John Waters).

Enquanto isso, Cordelia Goode (Sarah Paulson), a Bruxa Suprema da Academia Robichaux, percebe que algo estranho surge no horizonte quando, em uma mesma noite, três de suas pupilas desenvolvem poderes que normalmente são vistos uma vez por geração – entretanto, como cegada por uma força externa, ela não consegue entender o que a magia está lhe tentando contar, procurando equilibrar um tabuleiro de xadrez desbalanceado que pode culminar em uma guerra mortal entre forças incontroláveis (e que, inclusive, pode ditar o rumo que o mundo tomará de agora em diante).

Agora que já fomos arremessados a uma porção de informações aparentemente sem sentido, Murphy e Falchuk recrutam um trio de diretores bastante talentoso para aparar os excessos vistos nos capítulos iniciais e garantir que tudo comece a se encaixar – valendo-se de inesperadas escolhas que mostram que o time criativo não tem medo de arriscar no que pode acabar se tornando um dos ciclos mais simbólicos de toda a antologia. Trazendo a estética firmada pelos criadores de volta, temos, novamente, um apreço pela estética do grotesco e do agouro, fomentando uma atmosfera bizarra que exalta o intrincado anseio pelos planos holandeses e pelos ângulos obtusos – e que já foi mencionado no texto anterior.

Todavia, diferente da profusão sem muito sentido de cortes bruscos e movimentos frenéticos dos episódios de estreia, os recém-lançados na gigante do streaming parecem ter passado por uma espécie de “filtro”, dando espaço para uma teatralidade bastante familiar à carreira de Murphy e de seus colaboradores que nos tira do tempo e do espaço como os conhecemos e arquiteta uma cronologia própria. Tudo isso é refletido na preferência marcante de cores complementares e de cenários pomposos, tecendo uma ponte que interliga o real e o sobrenatural em uma mesma perspectiva – e que, eventualmente, nos conquista por não se levar a sério demais.

Lange volta a nos encantar com duas atuações irretocáveis e que reafirmam o quanto a série precisava de sua presença. Depois de ter mergulhado de cabeça nos traumas e nos arrependimentos da matriarca Constance Langdon – oferecendo camadas inéditas à personagem nos novos capítulos, sem abandonar sua personalidade controversa e bastante ambígua -, ela nos arrebata com o retorno de Elsa Mars, dona do circo de horrores de ‘American Horror Story: Freakshow’, e se reitera como o maior nome a ter agraciado a antologia. E, acompanhando-a de perto, temos uma ótima entrada de Paulson como Cordelia, fazendo jus à icônica bruxa e desfrutando de uma inebriante e breve sequência ao lado do igualmente espetacular Evan Peters como o serial killer James Patrick March, que é escalado pelo Sr. Nas como líder de um grupo de extermínio das bruxas sob tutela da Suprema.

‘American Horror Story: 13’ dá uma impressionante guinada na qualidade de seus episódios nesta semana, aumentando consideravelmente nossas expectativas para as vindouras iterações. E, por mais que alguns vícios de linguagem sejam difíceis de abandonar, somos engolfados em uma trama que busca ao máximo se afastar do pedantismo criativo e focar essencialmente no entretenimento.

Lembrando que os próximos episódios chegam ao Disney+ em 8 de outubro.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.