terça-feira, janeiro 27, 2026

Crítica | 2º episódio de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ mantém o alto nível do spin-off

CríticasCrítica | 2º episódio de 'O Cavaleiro dos Sete Reinos' mantém o alto nível do spin-off

O universo de Game of Thrones está em constante expansão – e, após ganhar uma aclamada série derivada intitulada A Casa do Dragão e centrada na Casa Targaryen, George R.R. Martin e Ira Parker nos convidaram a conhecer outra época da épica história de Westeros com ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’. Tendo estreado na semana passada na HBO e na plataforma da HBO Max, o spin-off nos apresentou a Sir Duncan, o Alto, carinhosamente apelidado de Dunk (Peter Claffey) e a seu escudeiro Egg (Dexter Sol Ansell), e a improvável aliança que formaram em meio a um importante torneio de cavaleiros. Visando provar seu valor e honrar o mestre que o ensinou tudo, Dunk navega, sempre ao lado de seu diminuto companheiro, pelas complexas engrenagens políticas que percorrem seu mundo.

O episódio de estreia encontrou sucesso inegável ao se afastar da atmosfera sombria das séries predecessoras e se fincar em uma ambientação mais despojada, ainda que não desprovida das costumeiras cenas explícitas e do ácido humor que acompanha esse universo. Mostrando os dois lados de uma mesma moeda através das personalidades conflitantes e explosivas dos protagonistas, os fãs inveterados da franquia foram mergulhados em mais um capítulo dessa epopeia sem fim, enquanto novos aventureiros puderam encontrar um território diferente de Westeros para explorar. E, seguindo de perto a solidez da semana anterior, o mais novo capítulo é um deleite narrativo que permanece fiel ao ritmo introdutório da série.

Intitulado “Hard Salt Beef”, Dunk continua em suas tentativas de encontrar alguém que se lembre de Ser Arlan (Danny Webb), seu estimado mestre que faleceu há pouco tempo, mas se que provou um cavaleiro digno e leal. Em meio a tentativas frustradas e que começam a colocar dúvida sobre sua participação do vindouro Torneio, Dunk encontra em Baelor Targaryen (Bertie Carvel), herdeiro do Trono de Ferro, alguém que o reconheça e que valide o status de Dunk como cavaleiro. O problema é que os filhos do irmão de Baelor, Maekar Targaryen (Sam Spruell), estão desaparecidos – e, para aqueles não se recordam, Egg é um deles, escondendo sua verdadeira identidade de seu senhor: Aegon Targaryen.

Por mais que não aposte fichas em sequências frenéticas e permaneça fomentando os arcos principais que tomarão conta da narrativa nas próximas semanas, o segundo episódio da obra começa a deixar claro que a crescente tensão que se esconde pelas tendas e entre as paredes de Vaufreixo está prestes a irromper, seja pincelando interações entre Dunk e Egg que arrancam certas expressões de dúvida e de apreensão, seja com conversas entreouvidas que começam a colocar questionamentos na cabeça do Cavaleiro Andante. Todavia, estamos diante de uma contínua e, com sorte, iminente gestação que não dá passos muito largos a fim de criar laços fortificados entre os personagens e o público.



Não é à toa que o roteiro de Aziza Barnes e Parker dê destaque a cenas cândidas que contam com diálogos rápidos, sagazes e muito envolventes, denotando uma exímia cautela artística em relação à história e à maneira como a essência dos escritos originais emerge nas telinhas. A relação entre Dunk e Egg ganha algumas complexidades, principalmente em uma breve sequência durante uma competição de cabo de guerra onde mostram que são complementares um a outro, seja pela ingenuidade apaixonante e empática do cavaleiro, seja pela prematuridade ágil e sarcástica do escudeiro. O mesmo acontece quando Dunk e Tanselle (Tanzyn Crawford), a talentosa marionetista e artista do Torneio, desfrutam de uma crescente centelha de paixão – e que arranca honestidade de ambos os atores quando ele a pede para pintar um novo brasão no escudo que o representará.

O trabalho incrível do elenco, que desponta em uma química primorosa e que ajuda a trazer ritmo para esse enredo um tanto quanto ameno, é reiterado pela ótima direção de Owen Harris, que retoma a função após o piloto. Harris sabe como conduzir os dramas interpessoais e a tragicomédia que se apodera do enredo, a fim de focar em um dinamismo deliciosamente bem elaborado que se expande no glorioso significado do Torneio e que se contrai para antecipar reviravoltas obscuras que devem ganhar palanque nos próximos capítulos, como já mencionado. A fotografia assinada por Gustav Danielsson, por sua vez, cumpre o trabalho de separar dois núcleos bem distintos em rota de colisão, começando a se afastar do tom fabulesco e adentrando um território mais sóbrio.

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ continua a trilhar um caminho de palpável sucesso, apesar de não se desvencilhar de algumas fórmulas rítmicas próprias da jornada do herói. De qualquer maneira, ao escolher centrar nosso foco nas complexas relações que se desenrolam entre os protagonistas e coadjuvantes, o segundo capítulo desse spin-off encontra terreno de sobra para nos manter interessados nas semanas que virão.

Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia 1º de fevereiro.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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