Crítica 3 | Guardiões da Galáxia Vol. 2 – Excelente para Gregos e Troianos

Guardiões da Galáxia’ pegou todos desprevenidos e talvez tenha sido a surpresa mais gostosa nos cinemas em 2014. Com uma atmosfera setentista e oitentista que permeia toda a produção com uma trilha sonora clássica, o longa iniciou uma quase subdivisão de gênero dentro da Marvel Studios. Nela, o blockbuster encontra a audiência mais madura, com piadas revigorantes que trazem uma dualidade em forma de duplo sentido e é capaz de agradar públicos distintos sem fazer o uso da conclamada classificação R-rated.

Na sequência, o estilo que consagrou os famigerados underdogs como heróis de alto escalão se repete, utilizando a fórmula não intencional do primeiro, propositalmente no segundo, sem pesar a mão. Com humor juvenil e adulto simultaneamente, ‘Guardiões da Galáxia Vol 2’ é o equilíbrio perfeito entre um hibridismo muito raro de encontrarmos nas adaptações de quadrinhos.


James Gunn usou sua exímia habilidade garantida no primeiro filme para ditar o ritmo de seu sucessor. Evitando os rótulos da classificação indicativa que atualmente dividem os filmes do gênero entre padrão ‘Logan’ e ‘Deadpool’ ou padrão ‘Vingadores’, que afetam diretamente no índice de violência ou teor da linguagem, o roteirista e diretor permaneceu na tênue linha existente entre ambos os exemplos, trazendo diálogos que denunciam uma certa vulgaridade, mas que não afetam de forma alguma as audiências mais novas.

- Advertisement -

Na busca por uma sensatez que satisfaça os famosos gregos e troianos, a sequência tem seu doce e leve toque familiar, com uma narrativa que é em sua grande parte uma simbólica ode aos princípios morais e ao amor sacrificial, com fragmentos satíricos que saltam os olhos e apenas complementam a sensibilidade imprensa por Gunn.

- Advertisement -

Ao desenvolver os protagonistas através de suas respectivas personalidades, a trama não perde tempo com apresentações aprofundadas sobre as motivações para cada caráter. Como personagens previa e ligeiramente conhecidos do público, aqui aperfeiçoamos nossa compreensão sobre cada herói, exatamente como fazemos em relação às pessoas no dia-a-dia. Por mostrarem quem são através de suas posturas e atitudes, vemos a trama se desenrolar a partir deles. O enredo reside intimamente nos traços típicos de cada um e ainda que sejamos contemplados com uma história simples, seu realismo relacional a torna muito mais humana que heroica.

Guardiões da Galáxia Vol. 2’ acerta também em seu timing. As piadas possuem seus momentos estratégicos e quando invadem a sensibilidade da trama não quebram o teor emocional que a cena em questão exige. Um dos personagens que mais guia essa perspectiva é Drax (Dave Bautista). Roubando o filme para si, assim como faz o adorável Baby Groot (Vin Diesel), seu lirismo e literatismo afloram um humor exageradamente franco. Desconstruindo o sentido figurado, suas piadas são as mais ácidas, justamente por serem as mais honestas e despidas de preciosismos.

Com efeitos especiais de primeira linha e aparições que acrescentam um charme a mais à sequência, o segundo volume renova sua trilha sonora, com canções que se encaixam na trama como uma espécie de extensão dos diálogos não verbalizados. Trazendo um final sublime e honroso, ‘Guardiões da Galáxia Vol. 2’ é uma adaptação de quadrinhos que se encaixa bem no hiato que insiste em questionar se é possível fazer boas produções maduras com classificação livre. Reunindo o melhor dos dois mundos, a mais recente obra da Marvel encerra a discussão, solidificando a máxima de que filmes bem escritos jamais terão limitações. Independente de qual seja sua classificação.

Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2 – tão bom quanto e mais engraçado

Crítica 2 | Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme do cacete 

Inscreva-se

Mais Notícias

‘Ataque Brutal’: Filme de tubarão da Netflix ganha primeiras imagens; Confira!

'Ataque Brutal' (Thrash), novo filme de tubarão assassino da...