Crítica 3 | ‘Pânico 7’ volta às origens da franquia e entrega um terror divertido, despretensioso e sangrento

Pânico 7‘ vai polarizar opiniões. Quem embarcou na franquia na era das irmãs Carpenter vai estranhar o novo filme trazendo de volta o humor pra saga, e, claro, voltar a focar na Sidney Prescott (Neve Campbell). É um filme que aposta na metalinguagem para apresentar um novo cenário para a franquia. Agora, Sidney é mãe. E que mãe.

Com uma cena inicial que investe na metalinguagem, o filme relembra as clássicas franquias de terror, como ‘A Hora do Pesadelo‘, ‘Sexta-Feira 13‘ e até mesmo a fictícia franquia ‘A Punhalada‘ (Stab), fazendo um bem bolado para celebrar tudo que a saga nos entregou até o momento. Uma abertura bastante instigante que celebra o legado da franquia e já descontrói algo que parecia sagrado: a casa do Stu Macher (Matthew Lillard), aonde tudo começou (ou terminou). Achei brilhante a escrita do Guy Busick, James Vanderbilt e Kevin Williamson em fazer esse aceno aos fãs que acompanham a saga desde 1996. Sagaz, irônico, satírico. Vamos queimar tudo. E queimou mesmo.

Com o novo filme se ambientando em Pine Groove, a história recomeça mostrando a vida de Sidney Prescott – com uma paleta de cores que lembra muito o ‘Halloween‘, de David Gordon Green. À partir daí o filme engata um ritmo frenético que te leva para essa jornada sem se importar em dar muitas explicações ou desenvolver bem os novos personagens, afinal, eles provavelmente vão morrer. Para abordar essa dinâmica familiar, o filme sacrifica delongas para trabalhar melhor os personagens extras e isso pode parecer meio corrido para o público em geral, enquanto o roteiro insere a cada momento acenos ao passado da saga, seja pela trilha sonora espetacular e nostálgica do Marco Beltrami ou pela fotografia, que também capta a energia do finado mestre Wes Craven.

Neve Campbell está em uma das suas melhores atuações, no nível do terceiro filme, e Courteney Cox é um acontecimento como Gale Weathers. É incrível como a atriz criou a personagem “escrota” mais querida do cinema, com o público aplaudindo quando ela aparece pela primeira vez. E merecidamente. Courteney é um ícone e entrou para o Guinness Book por viver a mesma personagem em sete filmes consecutivos de terror. Ah, como eu queria um filme protagonizado por ela.

Isabel May está bem como Tatum, a filha da Sidney, mas não acredito que ela consiga carregar a franquia nas costas no futuro. Mas se você lembrar o salto na qualidade de atuação da Melissa Barrera entre ‘Pânico 5 e 6‘, você lembra que a vida é cheia de surpresas.

É um filme para os fãs da franquia, que se abraçarem a história vão se divertir e se deliciar. Eu gosto muito como o humor e o terror voltaram para a franquia após o sexto filme, que tinha muita ação e poucos sustos. Aqui, Kevin prepara uns sustos geniais e algumas cenas de mortes bem sangrentas. O conceito é diferente dos anteriores, e isso é perceptível, mas é um filme que sabe construir o suspense e a tensão. Ele segue aquela velha fórmula e faz isso muito bem, com algumas surpresas, mas sem muitos riscos.

O terceiro ato não segue a grandiosidade dos dois atos anteriores e parece apressado e curto, assim como a revelação do Ghostface, mas é a velha máxima: “Às vezes, vale mais a jornada do que o destino final”. Subvertendo expectativas novamente, a franquia se autoparodia, mas mantém os pés no chão.

Pânico 7‘ consegue capturar a essência dos primeiros filmes, acenando para o passado o tempo todo e mandando um beijo para o futuro. A nostalgia nunca esteve tão em alta, mas pode parecer cafona para quem não viveu. Por fim, é um filme que entretém, diverte, assusta e faz rir. E era tudo que eu esperava sentir nos cinemas.

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Renato Marafon Editor-Chefe
Apaixonado por cinema, filmes, TERROR, e criador do site CinePOP aos 13 anos em 1999.

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Renato Marafon
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